XP/Ipespe  mostra que 50% dos brasileiros consideram governo  Bolsonaro “ruim ou péssimo”, mas eleições de 2018, levantamento do Datafolha mostrava que  eleitores acreditavam que Bolsonaro era o mais preparado para cuidar da Saúde, Educação, Segurança, Democracia e o candidato mais sincero e o mais Experiente.

A pesquisa XP/Ipespe divulgada ontem (pode baixá-la aqui), foi feita com entrevistas  entre os dias 16 e 18 de maio de 2020. Os números mostram que a gestão do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) bateu a marca de 50% de ruim e péssimo, ao passo que suas notas “bom e ótimo” caíram para 25%. É uma alta substancial na reprovação, uma vez que em fevereiro de 2019, Bolsonaro tinha somente 17% de ruim e péssimo.

A pesquisa também perguntou como os entrevistados avaliavam a atuação do presidente e de governadores no combate ao coronavírus. Jair Bolsonaro é, de longe, o pior avaliado: 58% qualificaram de “ruim e péssima” sua atuação para enfrentar a Covid-19. Por outro lado 42% da população avaliam como ótima/boa a atuação dos governadores no combate à pandemia, o que revela que para o povo brasileiro, o presidente erra ao ir contra as autoridades científicas e sanitárias.

Datafolha

Mas aqui vai um paralelo: No segundo turno das eleições presidenciais de 2018, precisamente no dia 18 de outubro, o instituto Datafolha divulgou pesquisa sobre o perfil dos candidatos que estavam em disputa: Jair Bolsonaro (PSL) x Fernando Haddad (PT). Naquele levantamento os eleitores foram perguntados sobre qual dos candidatos era o mais qualificado para cuidar da Saúde, Educação, Segurança Pública, Emprego, Democracia etc. O resultado foi amplamente favorável a Bolsonaro.

Para 44% dos entrevistados, Bolsonaro era o mais preparado para cuidar da Saúde dos brasileiros; o melhor para a Educação (45%), para cuidar da Violência (64%), da Democracia (47%); mais Moderno e Inovador (47%), com mais experiência(43%); mais Sincero (53%), com melhor perfil para combater o Desemprego (47%) e mais preparado para fazer o Brasil crescer (51%).

Passados um ano e sete meses da pesquisa, os resultados do governo contrariam completamente as expectativas dos brasileiros. O investimento em Educação, ciência e pesquisa regrediu no governo Bolsonaro, o desemprego aumentou, o presidente não confia na ciência e na inovação; foi flagrado mentira com mais de mil postagens falsas nas redes sociais, a violência aumentou no país, faz ataques constantes ao Congresso, STF, pilares da democracia e a sua gestão caótica no combate à pandemia, com o Brasil se aproximando de 20 mil mortes pelo Covid19, dizem tudo sobre sua incapacidade de cuidar a Saúde dos brasileiros.

O Datafolha mostra que houveram alguns acertos no prognóstico dos eleitores sobre Bolsonaro: 75% consideravam que ele era o mais autoritário, outros 55% consideravam que era o candidato que mais defende dos ricos (o que dinheiro liberado aos bancos na pandemia e a dificuldade de pagar o benefício aos pobres que se aglomeram nas filas da Caixa Econômica Federal).

A comparação entre as duas pesquisas é necessária para que o eleitor verifique o quanto foi enganado pelas fake news (bnotícias falsas) disparadas durante a campanha, que venderam uma imagem irreal de Jair  Bolsonaro, que nos seus 28 anos como deputado federal nunca se apresentou como inovador, democrático, preparado. Ao contrário, não aprovou nenhum projeto de relevância para a população brasileira,e foi eleito pelo efeito de esque de financiamento ilegal de campanha que despejou enorme  investimento em dinheiro nas redes sociais para criminalizar adversários e exaltar o “mito”, que hoje se provou um” mico”.

 

Veja abaixo as respostas para as perguntas, da pesquisa Datafolha que começaram com “Na sua opinião, qual destes candidatos a presidente”:

Mais defende os ricos?

  • Jair Bolsonaro (PSL) – 55%
  • Fernando Haddad (PT) – 22%
  • Os dois – 4%
  • Não sabe – 11%
  • Nenhum – 7%

Mais defende os pobres?

  • Fernando Haddad – 54%
  • Jair Bolsonaro – 31%
  • Os dois – 2%
  • Não sabe – 5%
  • Nenhum – 8%

Mais preparado para combater a violência?

  • Jair Bolsonaro – 64%
  • Fernando Haddad – 26%
  • Os dois – 1%
  • Não sabe – 4%
  • Nenhum – 6%

Mais preparado para cuidar da área da saúde?

  • Jair Bolsonaro – 44%
  • Fernando Haddad – 39%
  • Os dois – 1%
  • Não sabe – 7%
  • Nenhum – 9%

Mais preparado para cuidar da área da educação?

  • Jair Bolsonaro – 45%
  • Fernando Haddad – 43%
  • Os dois – 1%
  • Não sabe – 5%
  • Nenhum – 6%

Mais autoritário?

  • Jair Bolsonaro – 75%
  • Fernando Haddad – 15%
  • Os dois – 1%
  • Não sabe – 6%
  • Nenhum – 2%

O que mais defende a democracia?

  • Jair Bolsonaro – 47%
  • Fernando Haddad – 39%
  • Os dois – 2%
  • Não sabe – 8%
  • Nenhum – 5%

Mais sincero?

  • Jair Bolsonaro – 53%
  • Fernando Haddad – 30%
  • Os dois – 1%
  • Não sabe – 7%
  • Nenhum – 9%

O que faz mais promessas que não poderá cumprir?

  • Fernando Haddad – 48%
  • Jair Bolsonaro – 33%
  • Os dois – 9%
  • Não sabe – 8%
  • Nenhum – 2%

Mais experiente?

  • Jair Bolsonaro – 43%
  • Fernando Haddad – 40%
  • Os dois – 3%
  • Não sabe – 7%
  • Nenhum – 7%

Mais preparado para combater o desemprego?

  • Jair Bolsonaro – 47%
  • Fernando Haddad – 37%
  • Os dois – 1%
  • Não sabe – 6%
  • Nenhum – 8%

Mais preparado para fazer o país crescer?

  • Jair Bolsonaro – 51%
  • Fernando Haddad – 34%
  • Os dois – 1%
  • Não sabe – 5%
  • Nenhum – 9%

Mais moderno e inovador?

  • Jair Bolsonaro – 47%
  • Fernando Haddad – 36%
  • Os dois – 2%
  • Não sabe – 7%
  • Nenhum – 7%

Mais inteligente?

  • Jair Bolsonaro – 44%
  • Fernando Haddad – 38%
  • Os dois – 5%
  • Não sabe – 8%
  • Nenhum – 5%

Sobre a pesquisa

  • Margem de erro: 2 pontos percentuais para mais ou para menos
  • Entrevistados: 9.137 eleitores em 341 municípios
  • Quando a pesquisa foi feita: 17 e 18 de outubro
  • Registro no TSE: BR-07528/2018
  • Nível de confiança: 95%
  • Contratantes da pesquisa: TV Globo e “Folha de S.Paulo”
  • O nível de confiança da pesquisa é de 95%. Isso quer dizer que há uma probabilidade de 95% de os resultados retratarem a realidade, considerando a margem de erro, que é de 2 pontos, para mais ou para menos.