“Existe muito pouca ou nenhuma evidência para esse tipo de teoria. E existe também muito pouca adesão à metodologia científica vigente”, afirma Daniel Lahr.

Por Redação RBA – São Paulo – A ideia de que o coronavírus foi criado em um laboratório de Wuhan, na China, onde a pandemia começou, não tem fundamento. Serve apenas para alimentar teorias conspiratórias. Essa é a opinião do professor de Zoologia do Instituto de Biociências da Universidade de São Paulo (USP) Daniel Lahr.
“Sempre que surgem esses tipos de ideias elas seguem um padrão. Existe muito pouca ou nenhuma evidência para esse tipo de teoria. E existe também muito pouca adesão à metodologia científica vigente”, afirmou Lahr, em entrevista ao jornalista Marco Piva, diretor de redação do canal O Planeta Azul, no YouTube.

 

No domingo (3), o secretário de Estado norte-americano, Mike Pompeo, disse que haveria “provas” de que a pandemia do coronavírus começou em um laboratório de Wuhan, na China. Mas não mostrou essas provas. Em oposição a Pompeo, a Organização Mundial da Saúde (OMS) concorda com o paradigma da evolução das espécies na ciência, e entende que o vírus surgiu de processos naturais.

“A gente sabe que a vida evolui no planeta e um corolário obrigatório da Teoria da Evolução é que toda a vida tem uma única origem. Então, a vida surge no planeta e ela vai se diversificando, novas espécies vão surgindo. Existe um único diagrama que relaciona todas as espécies do planeta”, afirma Daniel, referindo-se à árvore de relações entre os seres vivos, que é um dos paradigmas da produção científica.

Segundo esse diagrama, comenta o pesquisador, o vírus Sars-CoV-2, que provoca a covid-19, “é um patógeno humano, cujo parente mais próximo, é uma linhagem de coronavírus de morcegos. E o padrão pelo qual isso se deu (a mudança genética) é totalmente dentro do esperado”, avalia.

Pesquisa com anticoagulantes
A pneumologista do Hospital Sírio Libanês Elnara Negri, também em entrevista a O Planeta Azul, fala sobre a possibilidade de tratamento da covid-19 com anticoagulantes. Ela descobriu que esse medicamento é eficaz no tratamento de pacientes que apresentam queda de oxigenação no sangue. Isso ocorre porque a doença provoca trombose nos pequenos vasos que irrigam o pulmão.

“A gente observou que dando doses de anticoagulantes, ministradas de maneira precisa e sob supervisão médica diária, esses pacientes pararam de piorar e começaram a melhorar rapidamente da queda de oxigenação. Em muitos casos conseguimos evitar que eles fossem entubados”, afirmou. Na entrevista, ela conta como chegou a essa constatação e quais serão as próximas etapas da pesquisa.