Nova pesquisa, desta vez do PoderData, mostra que a rejeição à presença militar no governo e na política cresceu de 45% em abril para 52% agora, enquanto o desempenho “ruim ou péssimo” subiu de 18% para 29%,

Segundo o instituto, o percentual de rejeição subiu de 45%, em abril, para 52% agora – a pesquisa foi realizada entre os dias 16 e 18 deste mês. Pela 1ª vez, mais da metade dos brasileiros acha que a participação de militares no governo e na política é prejudicial para o país, destaca o PoderData.

População rejeita presença de militares no governo. Gráfico: PoderData

A mudança de humor dos brasileiros vem acompanhada de crescente avaliação negativa sobre o desempenho funcional das Forças Armadas. Segundo a pesquisa, 29% acham ruim ou péssimo o desempenho dos militares junto ao governo federal. Em maio, a avaliação negativa era de 18%, o que evidencia a evolução da insatisfação da população. Atualmente, mais de 6 mil efetivos das Forças Armadas, com altos salários, ocupam funções junto ao Executivo, estatais e outras instituições públicas.

Percepçáo da competência das FFAA sofre desgaste junto a opinião pública. Imagem: PoderData

Além disso, outros fatores contribuíram para a avaliação negativa das FFAA junto a opinião pública. Em primeiro lugar, o desgaste decorrente do alinhamento incondicional à desastrosa política de Bolsonaro na condução da pandemia e da economia. Arroubos como o recente “desfile militar” para intimidar o Congresso Nacional na votação do projeto do “voto impresso” ajudaram a derrubar a imagem positiva os militares.

De outro lado, pesa o envolvimento de um grande números de militares de alta patente em negócios escusos na compra de vacinas. A lista de coronéis que emergiram nas investigações da CPI da Covid, no Senado Federal, cresceu a cada nova sessão. A gestão do general Pazuello à frente do Ministério da Saúde consolida a percepção de incompetência, irresponsabilidade e descaso diante da maior tragédia social vivida pelo país, que já resultou em quase 600 mil mortes.