Mais de 10 mil km² de mata derrubada poderão servir de combustível para queimadas que começam em agosto na região.

Vanessa Nicolav – SP – Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento da Amazônia cresceu 34% em comparação ao mesmo período do ano anterior. No total, foram mais 10 mil quilômetros quadrados de mata perdida, de acordo com dados do instituto nacional de pesquisas espaciais (Inpe).

Entre agosto de 2018 e julho de 2019, o desmatamento da Amazônia cresceu 34% em comparação ao mesmo período do ano anterior. – AFP
Além da perda do mais importante bioma do planeta, o desmatamento da região pode ter efeito preocupante para o Brasil, que luta contra o número crescente de vítimas pelo coronavírus. Isso porque, conforme alertam especialistas, as queimadas poderão coincidir com o pico da pandemia.

“Eu acho que a gente vai entrar agora em um período muito crítico, que é o período de queimada, e que ele vai coincidir com o possível pico dessa pandemia. E a gente sabe que vários estudos demonstram que a qualidade do ar é uma variável que interfere nas estatísticas de internações por casos respiratórios. E essa doença se agrava exatamente por essa via, o sistema respiratório das pessoas. Então você tem aí uma tragédia anunciada”.

Quem afirma é Antônio Oviedo, técnico ambiental do Instituto Socioambiental (ISA), que atua há mais de 15 anos na Amazônia com manejo de recursos naturais. Para ele o aumento de mata derrubada significa, na prática, mais combustível para as queimadas e mais fumaça tóxica na atmosfera.

 “Então, você tem um caldeirão pronto para ser incendiado, num período de pandemia. Tem muita biomassa a ser queimada. Por isso, é muito importante que os órgãos fiquem atentos. Órgãos de saúde precisam trabalhar de forma articulada com órgãos de fiscalização. Essas atividades Ilegais, principalmente na Amazônia, elas também têm que ser vistas como questão de saúde pública nesse momento.” alerta Oviedo.

As políticas do governo Bolsonaro, entretanto não tem apontado grande preocupação nem com a saúde pública, nem a preservação do meio ambiente.

Com políticas de devastação de órgãos públicos como a Fundação Nacional do Índio (Funai) e o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), quem tem defendido na prática a vida das matas, têm sido as populações indígenas, aqueles que historicamente mais preservam e sofrem com o desmatamento,

Habitantes da região ao sul do Amazonas, os Apurinã vivem há mais de 300 anos às margens do rio Purus. A região é chamada de última fronteira, por serem terras com acesso apenas aéreo e fluvial. Makupanari Apurinã, de 33 anos, conta que mesmo ali já é possível notar o avanço da destruição.

“Semana passada nós tivemos um grupo de indígenas que foram na parte sul da terra Peneri/Tacaquiri e já trouxeram a informação de que o desmatamento está grande lá. Eles contaram mais ou menos 6 motosserras trabalhando.” afirma Makupanari que também é engenheiro ambiental.

Makupanari acredita que o desmatamento tem sido e será ainda maior, já que as rondas de vigilância dos indígenas e dos órgãos não estão acontecendo devido à pandemia do novo coronavírus.

“Sabe aquela queimada do ano passado aquela queimada ela pode triplicar esse ano porque já tem as ofertas e já tem as novas áreas que eles vão lá ver então a gente pode ter de fumaça e esse ano espalhado aí para cima na atmosfera aí que vai chegar com muito peso aí.” conclui.

Edição: Leandro Melito

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