Presidente da Força Sindical diz que se Bolsonaro não pode fazer nada, deve pedir demissão

Para centrais sindicais, recuperar economia depende de vacina, mas governo atua contra a vida, a saúde e os empregos. Sociedade tem de pressionar

Da RBA

Na primeira reunião de 2021, nesta terça-feira (5), as centrais sindicais definiram prioridades e querem envolver Congresso e instituições contra a falta de ações do governo Bolsonaro. Os dirigentes avaliam que não haverá retomada de economia sem vacinação. Enquanto isso, é preciso manter medidas de proteção, como o auxílio emergencial e o programa que preservou empregos e renda, via suspensão dos contratos. Mas as práticas do governo, consideradas “estarrecedoras”, só pioram a crise. E o cenário que se apresenta no curto prazo é visto como desolador.

Na avaliação das centrais, o país está atrasado na implementação da vacina por irresponsabilidade do presidente da República.

“Sem essa preocupação (vacinas), como é que você vai colocar o pessoal para trabalhar abertamente? Hoje, Bolsonaro demonstrou sua incapacidade”, afirma o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna.

O sindicalista se refere à declaração feita hoje pelo presidente, de que ele não pode fazer nada porque o país está “quebrado”. “Aquela frase deveria ser acompanhada de outra: peça demissão.”

“Vai ser bem pior do que a gente observou no ano passado”, afirma o sociólogo Clemente Ganz Lúcio, ex-diretor técnico do Dieese, um dos coordenadores do Fórum das Centrais.

Segundo ele, a agilização de uma campanha de vacinação em massa é questão diretamente ligada à economia. Além disso, o fim do auxílio emergencial e do programa de proteção do emprego e da renda, além de aumentar a pobreza e a desigualdade, levará mais gente de volta ao mercado, elevando o desemprego. “Vai aumentar a pressão da procura (por trabalho). Tudo isso combinado com o risco de não ter imunização, o que vai pressionar o sistema de saúde.”

O presidente, que esteve no litoral de Santa Catarina, em São Francisco do Sul, e de São Paulo, em Guarujá, passou o recesso promovendo aglomerações. Em seu primeiro dia de trabalho no novo ano, lavou as mãos.
“O Brasil está quebrado, chefe. Eu não consigo fazer nada. Eu queria mexer na tabela do imposto de renda, tá, teve esse vírus, potencializado pela mídia que nós temos, essa mídia sem caráter”, afirmou o ocupante do mais alto cargo da República, como se em 2019 a economia estivesse bombando. No primeiro ano de governo, pré-pandemia, a gestão Bolsonaro entregou um ‘pibinho’ de 1,4%.

Orçamento de guerra

Enquanto isso, emenda Clemente, o governo faz o contrário do que se espera do poder público em um momento como este: pratica a desproteção. “Das pessoas, da produção, dos postos de trabalho”, afirma, apontando contrassensos.

“Para a própria concepção dele (ministro Paulo Guedes), de que é a economia que importa, a vacinação é uma condição para a atividade econômica voltar”, observa o ex-diretor do Dieese.

Mas não houve planejamento sequer para compra de seringas, acrescenta.
As atitudes de Jair Bolsonaro mostram despreparo e irresponsabilidade, diz Juruna. Segundo ele, as centrais vão procurar os candidatos à presidência no Congresso, instituição que tem papel central para definir o que ele chamou de “orçamento de guerra” e pressionar o governo Bolsonaro. E também governadores, prefeitos, empresários e entidades, para uma campanha nacional em defesa da vida, da saúde, do trabalho e de direitos. “Estamos correndo contra o tempo.”