Decisão da punição foi tomada pelo comandante-geral do Exército, Paulo Sérgio Nogueira.

Por Redação RBA

O general e ex-ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, foi enviado a reserva, após participar de uma manifestação a favor do presidente Jair Bolsonaro, no Rio de Janeiro, no último domingo (23).

Matéria do site Jornalistas Livres informa que o  Diário Oficial da União circula nesta segunda-feira (24) com a notícia da reforma do general Eduardo Pazuello. Além da sua postura durante o depoimento da CPI, totalmente contra os princípios caros para o Exército Brasileiro de honradez e lisura – Pazuello mentiu 15 vezes, segundo as contas do relator, Renan Calheiros -, o general desrespeitou o regimento disciplinar, que proíbe esse tipo de manifestações aos militares da ativa. O ato, porém, saiu com data retroativa à sexta-feira, (21/05), uma forma de livrá-lo da prisão, punição correspondente à infração.

A decisão da punição foi tomada pelo comandante-geral do Exército, Paulo Sérgio Nogueira. Pazuello infringiu o artigo 45 do Estatuto Militar, que proíbe a participação de oficiais da ativa em atos políticos. A decisão, segundo as informações, é delicada, pois Bolsonaro poderia reverter a punição de Nogueira e criar uma crise com os militares.

Motociata De Bolsonaro, Covid-19 No Rj – Presidente Jair Messias Bolsonaro e ex Ministro da saude Pazuello se juntou em ato organizado por motoqueiros e a concentracao e saida foi do Parque Olimpico na Barra da Tijuca zona oeste do RJ. – (Foto: Jorge Hely/FramePhoto/Folhapress)

A Folha de S.Paulo também noticiou, ontem, que generais da cúpula da Força conversaram por telefone sobre o que ocorreu no Rio de Janeiro e dizem, em conversas reservadas, que Pazuello tomou uma “decisão descabida” e “enxergaram uma transgressão a normas básicas do Exército”.

A transferência de Eduardo Pazuello a reserva é dada como certa, já que os integrantes do Alto Comando avaliam que a ida do general da ativa ao palanque político do presidente passa uma “mensagem negativa a patentes inferiores”.

CPI da Covid

Os senadores que integram o grupo majoritário da CPI da Covid também questionaram a participação do ex-ministro da Saúde, sem máscara, durante a aglomeração promovida por Bolsonaro. Para eles, o general, que prestou depoimento na última semana, fez uma “afronta à comissão“.

Na próxima quarta-feira (26), o presidente da CPI, o senador Omar Aziz (MDB-AM) vai votar novos requerimentos de convocações e a expectativa é que Eduardo Pazuello seja reconvocado a prestar depoimento.
Na semana passada, ao responder ao relator da CPI, Renan Calheiros (MDB-AL), Pazuello mentiu em diversos momentos, omitiu informações para blindar Bolsonaro e, indiretamente, trouxe a tona fatos que incriminam o presidente da República.

O senador Humberto Costa (PT-PE), membro da CPI, classificou como um “deboche” à população e um ato para tentar desmoralizar a CPI a aglomeração realizada no Rio de Janeiro. Já o o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), afirmou que o ex-ministro da Saúde disse que o depoimento será somado ao ato de ontem.

“O general Eduardo Pazuello fez hoje uma escolha de ser o primeiro personagem declaradamente indiciado da CPI.”