Comitê Nobel da Noruega elegeu o Programa Mundial de Alimentos para o prêmio pela “necessidade de solidariedade internacional” ante a pandemia de covid-19.

Por Redação RBA – São Paulo – O Programa Mundial de Alimentos (PMA) da Organização das Nações Unidas (ONU) ganhou o Prêmio Nobel da Paz de 2020, por sua atuação no combate à fome em diversos países do mundo.

Entre 2017 e 2018, de 68,9 milhões de domicílios no Brasil, 25,3 milhões tinham algum grau de insegurança alimentar

Segundo o anúncio do Comitê Nobel da Noruega, nesta sexta-feira (9), a escolha da organização se deu pela “necessidade de solidariedade internacional e cooperação multilateral mais evidente do que nunca”, no contexto da pandemia da covid-19, que já matou mais de 1 milhão de pessoas no mundo.

No Brasil, os infectados passam de 5 milhões e os óbitos se aproximam de 150 mil.
Segundo o comitê, o novo coronavírus provocou o “drástico recrudescimento” no número de vítimas da fome. “O mundo corre o risco de sofrer uma crise de fome de proporções inconcebíveis se o Programa Mundial de Alimentos e outras organizações de assistência alimentar não receberem o apoio econômico do qual necessitam”, afirmou, em nota.

O PMA mostrou “impressionante capacidade” de se manter ativo mesmo durante a crise sanitária mundial, completou.

A deputada federal e presidenta do PT, Gleisi Hoffmann, lembrou, em suas redes sociais, o trabalho conjunto entre os governos petistas de Lula e Dilma (2003-2016) e a organização que ganhou o Nobel.

“O Programa Mundial de Alimentação, Nobel da Paz 2020, foi parceiro dos governos do PT no combate à fome. Em 2010, o PMA nomeou o presidente Lula ‘campeão mundial do combate à fome’.

Em 2015, homenageado pela FAO em Roma, Lula afirmou: ‘Não existe paz onde existe fome’”, escreveu a parlamentar.

Esperança

Lula recebeu o título citado por Gleisi em maio de 2010.

“Lula, você deu o que há de mais importante ao povo: esperança. O Brasil alcançou todos os objetivos do milênio”, afirmou, na ocasião, a diretora-executiva do PMA, Josette Sheeram, antes de entregar o prêmio, referindo-se às metas estabelecidas pela ONU, em 2000, que, com o apoio de 191 nações, firmava o compromisso de eliminar a fome e a pobreza extrema de todo o planeta até aquele ano de 2015.

Na cerimônia, foi ressaltada a importância de programas como o Fome Zero como indutor do crescimento econômico do Brasil à época.

Também no Twitter, o deputado federal Paulo Teixeira (PT-SP) comentou o Nobel, chamando a atenção para as consequências da pandemia, que “pode levar 130 milhões de pessoas a passar fome no mundo”. “No Brasil, 4 de cada 10 pessoas voltaram a passar fome”.

Entre 2017 e 2018, após o impeachment de Dilma Rousseff, de 68,9 milhões de domicílios no país, 25,3 milhões (36,7%) estavam com algum grau de insegurança alimentar, segundo o IBGE. Eram quase 85 milhões de pessoas nessa situação.

Os casos mais graves têm predominância de mulheres e negros. Até então, o indicador vinha melhorando desde 2004. Leia aqui.