O prefeito enfrenta agora o dilema de ficar ou indicar o sucessor para administração não parar.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

O mundo político goianiense ainda não assimilou a decisão do prefeito Iris Rezende Machado (MDB) de trocar o terno e paletó de prefeito pelos trajes de aposentado.

O impacto maior é na sua equipe. Secretários, assessores, diretores, superintendentes e todo o corpo de colaboradores do prefeito tem a esperança de que ele “desista de desistir”. A simples ideia de que Iris deixará o comando deixa os comandados desalentados. E isto tem impacto direto na continuidade da administração.

Até o dia 25, quando Iris anunciou sua aposentadoria da politica, as máquinas da prefeitura trabalhavam a pleno vapor recapeando ruas e avenidas, construindo viadutos, reformando escolas, unidades de saúde, trocando lâmpadas e cuidando do urbanismo e ajardinamento da Capital.

Periga tudo isto se perder.

Na política há duas situações que são o dínamo que coloca em movimento uma administração: a primeira é a posse do Chefe do Executivo, quando ele está com a “caneta cheia”, ou seja, pode determinar contratações de obras, serviços e de pessoas. A outra é quando ele define sua reeleição ou o seu sucessor, sinalizando que vai encher outra vez de tinta a caneta, que se esvaziou ao longo dos quatro primeiros anos de administração.

Com a emenda da reeleição, aprovada a peso de ouro no Congresso Nacional pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB-SP), os mandatos “passaram” a ser de oito anos. Quando um governante vai bem costuma ultrapassar a barreira dos primeiros quatro anos, reelegendo-se. Esta é a expectativa que tinham até então os apoiadores de Iris.

É direito de Iris encerrar quando quiser a sua carreira politica. Mas é temerário encerrá-la sem indicar o sucessor, pois se a candidatura à reeleição reafirma compromissos, enquadra secretários e gera nova expectativa de poder, o contrário disso, ou seja, a falta de perspectiva sobre o próximo quadriênio tende a desestabilizar governos.

Não é uma boa aposta para Iris ficar alheio à própria sucessão.

Num cenário, por exemplo, onde o prefeito se abstrai totalmente da política e deixa correr ao deus dará a escolha do seu sucessor, a tendência é que sua gestão sofra descontinuidade. Cria-se um clima de final de governo, onde a copeira some, o café é frio e nem os puxa-sacos mais “fieis” dão bom dia para o gestor.

O pior dos mundos é Iris ficar mudo e calado, não lançar obras, não participar de inaugurações e aparecer para o público só no dia da convenção para dizer que realmente não é candidato. Iris não pode ficar omisso durante este hiato entre os dias 31 agosto e 16 de setembro, onde os partidos podem fazer convenção e apresentar suas chapas de prefeito, vice e vereadores.

Se não é de fato candidato, basta aparecer numa inauguração, pois a lei veta a participação de candidatos em atos que possam configurar uso da máquina pública para angariar reconhecimento popular.

Em bom goianês “ou Iris é ou deixa de é”.

Cozinhar o MDB e aliados em banho-maria é contraproducente até para ele próprio.

Se ele é, está tudo certo. Se não é, que seja este “é” Maguito Vilela, Daniel Vilela, Bruno Peixoto, Vanderlan Cardoso, Wilder Morais ou quem quer que seja.

Há um ensinamento de São Francisco que diz: “É preciso começar bem, para continuar bem, para terminar bem”.

Continuar ou terminar bem. Este é o dilema de Iris.