Quem tem delegação popular, ou ocupa cargos de relevância, deve ser o primeiro a dar o bom exemplo.

Marcus Vinícius

Todo mundo um dia já escutou a frase de que “educação vem de berço”, ou que “caráter não se aprende na escola”. Isto é dito porque os seres humanos aprendem pelo exemplo. As primeiras autoridades que temos contato são nossos pais. O exemplo do pai ou da mãe, nos guiam no trato com as demais pessoas.

Homens e mulheres entram em contato com outras formas de aprendizado nas escolas, faculdade ou no trabalho, mas o exemplo que vem de casa tem um peso maior sobre os demais.

Esta natureza do homem, um animal gregário  que  precisa do coletivo para sobreviver. E neste ambiente coletivo líderes são identificados e seus exemplos são seguidos.

Nosso país tem uma tradição patriarcal, onde a figura do chefe da família é transportada para outros planos, inclusive o político. As novas gerações já discutem a revisão deste modelo, e muitas  famílias não tem mais chefes, apenas casais, pais e filhos que se respeitam.

Mas enquanto  não superamos o machismo e o caráter imperial das relações de poder, o exemplo dos governantes é ainda muito importante para o conjunto da sociedade. Aquilo que faz e diz um prefeito, um governador ou o presidente da República tem muita repercussão sobre toda a coletividade que ele representa.

Vamos a alguns exemplos.

Ontem (quarta-feira), o prefeito de Aparecida de Goiânia, Gustavo Mendanha (MDB) foi aos terminais de ônibus em Aparecida de Goiânia, onde participou da conscienticação da campanha “Fim da linha para a importunação sexual contra as mulheres”.  Foi um gesto singelo, mas de muito simbolismo o prefeito colar cartazes em ônibus, distribuir panfletos e conversar com usuários do transporte coletivo sobre a necessidade de respeitar a individualidade das mulheres que utilizam o ônibus no seu ir e vir.

Goiás ostetenta o desonroso terceiro lugar como Estado onde há mais violência contra a mulher. A região metropolitana de Goiânia exibe estatísticas horripilantes de esturpos, agressões, assédios físicos e morais. Quando Gustavo Mendanha se propõe a fazer este diálogo direto com a população, está desautorizando os homens de Aparecida de Goiânia a desrespeitarem as mulheres. E esta simbologia faz diferença.

Assim como também fez diferença a visita do senador Vanderlan Cardoso (PP) ao prefeito de Senador Canedo Divino Lemes (PSD). Ambos foram adversários políticos em várias eleições, inclusive a ultima. Vanderlan foi eleito ao Senado com uma votação consagradora no município, onde quase a totalidade dos 47 mil eleitores lhe confiaram o voto.

Vanderlan se colocou à disposição de Divino para buscar recursos em Brasília, seja através de emendas parlamentares, ou de projetos junto ao governo federal.

O gesto de grandeza de Vanderlan Cardoso e Divino Lemes contrasta com a troca de farpas entre o governador Ronaldo Caiado (DEM) e o ex-governador Ronaldo Caiado (DEM).  Um está iniciando o seu primeiro governo, o outro, já esteve por quatro mandato à frente dos destinos de Goiás. O que se espera de ambos é que sejam sensatos, e não criem problemas para a administração do Estado, que precisa do melhor de ambos para continuar seguindo nos trilhos do desenvolvimento.

Agora vejamos outro extremo, o caso do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ).

Desde a campanha, sua Excelência faz duras críticas às políticas de proteção ao meio ambiente e de proteção às reservas indígenas e terras quilombolas. Ao assumir o governo, Bolsonaro reduziu recursos no Ibama  e ICMBio, órgãos de fiscalização e proteção às florestas, parques e áreas de reserva legal no país. Foram autorizados a entrada no país de 266 agrotóxicos e liberadas autorizações para desmantamento. O resultado é o que se viu: as maiores queimadas no país nos últimos doze anos e ameças de retalização dos países europeus aos produtos agropecuários brasileiros devido ao descaso com a proteção ao meio ambiente e o excesso de agrotóxicos nos produtos.

Rio de Janeiro – Procurador do Ministério Público Federal e coordenador da força tarefa da Operação Lava Jato, Deltan Dallagnol, fala no Congresso da Associação Brasileira de Private Equity & Venture Capital (Fernando Frazão/Agência Brasil)

Apesar de não pertencer ao Executivo, o procurador chefe da Operação Lava Jato, Dentan Dallagnol deve ser repreendido pelo mal exemplo de suas ações. Ele emergiu como figura que renovaria os costumes no país, mas a cada diálogos revelado pela Vaza Jato Deltan se a pequena. Zombar das mortes de uma ex-primeira dama da República e de seu neto, não é brincadeira “que se faz entre família”, como disse Deltan em entrevista à BBC Brasil, tentando justificar o injustificável.

Quem lidera deve se preocupar com o que diz e, principalmente, se pratica aquilo que diz e ainda, se esta prática é condizente com a realidade ou a necessidade dos cidadãos.