O presidente da CPI, Omar Aziz (PSD-AM), disse que o pai de Alexandre Marques, Ricardo Silva Marques, enviou ao presidente da República o documento privado que questiona o número de mortes por covid para “bajular” Jair Bolsonaro.

Em nome da CPI, Omar Aziz (PSD-AM) manifestou solidariedade às famílias que perderam entes queridos vítimas de covid-19. O senador criticou o auditor Alexandre Marques por colocar na plataforma de trabalho um documento equivocado e disse que em nada serviu para o Brasil.

— Em nada serviu para contribuir com a dor das pessoas. Pelo contrário, você estava procurando uma justificativa pra o presidente da República — disse o presidente da CPI.

O  vice-presidente da CÌ, senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) mencionou campanhas da Secom no sentido de subestimar o número de mortos pela covid-19 no país. Randolfe exibiu vídeo em que o presidente da República, Jair Bolsonaro, em live no dia 1.º de julho, reconhece que editou a tabela do documento feito pelo auditor do TCU, o que demonstra o “modus operandi” por parte do governo, no sentido de minimizar o número de mortes causadas pela pandemia. “Uma obsessão macabra”, disse o senador.

O vice-presidente da CPI pediu a Alexandre Marques que disponibilize à CPI os arquivos de compartilhamento do documento no Word entre o auditor e seu pai, e dele para o presidente da República, o que foi acatado pelo depoente.

Bolsonaro.

Discurso negacionista

Humberto Costa (PT-PE) lembrou que o Código de Ética do TCU prevê a obrigação de neutralidade dos servidores em relação a influência político-partidária. Alexandre Marques afirmou não considerar ter violado esse código. O senador lamentou que o depoente contribuiu para “reforçar o discurso negacionista do presidente, que dizia ‘não está morrendo tanta gente assim’.”

Apesar de negar que tenha qualquer relação com a família Bolsonaro, Alexandre Marques reconheceu que seu pai, Ricardo Silva Marques, foi colega do presidente Jair Bolsonaro na Academia Militar das Agulhas Negras e que trabalharam juntos no Exército.

Segundo o auditor, seu pai trabalha hoje na Petrobras. Alexandre explicou ainda que foi indicado para a diretoria do BNDES em 2019, mas o TCU não autorizou sua cessão.

Fonte: Agência Senado