Celebrar a democracia e denunciar o retrocesso: esta é a proposta civilizatória do professor Ângelo Cavalcante neste artigo, onde convoca para ato público nesta segunda-feira(01/04), na Praça da Catedral Metropolitana em Goiânia.

O tempo e suas lutas
Ângelo Cavalcante

Hoje, dia primeiro de abril, a partir das 16h, em frente a Catedral Metropolitana de Goiânia, na Rua 10, haverá aquilo que irei denominar de “a-temporalidade”.

A “a-temporalidade” será oportuna e devida manifestação contra, no dizer de Milton Pinheiro (BA), a ditadura burgo-militar imposta em 1964 e violentamente apetecida contra o Brasil, seu povo e o melhor das nossas tradições.

Na verdade, erro… Não será mera “manifestação”; é um “tempo” dentro deste tempo contemporâneo, vivido, sentido e presente.

Tempo, observem, notadamente posto nos falares, nas expressões, na cultura, na sociabilidade e nos cursos e intercursos acidentados de nosso cotidiano. O tempo é o que afeta, que mobiliza e conforma as multi-formas do viver.

E um tempo assíncronico, desritmado e adensado de hiatos e lacunas chega aos domínios do Estado brasileiro; mas reparem, não me refiro somente ao Estado como esse clássico conjunto orgânico e articulado de institucionalidades operantes em favor de um ordenamento sócio econômico específico mas Estado, de acordo com a filosofia de Hegel, como HISTÓRIA.

E desta maneira, estes citados afetos escorrem fluidamente para o mundo cotidiano, às dimensões essenciais do trabalho, às quadras sociais e a todas às instituições da vida comum, singular, individual ou coletiva.

É justamente por isso que o essencial dos humanistas alemães combateram abertamente nos anos de 1930 a ascensão do nazismo porque identificaram, é claro, que “ele”, tal qual toda serpente de esgoto, iria escorrer fluida e célere às universidades, aos sindicatos, a vida familiar, às igrejas e comunidades e às alcovas dos amantes.

Não deu outra…

…Todo, mas todo o pensamento crítico ao nazismo, fora integralmente erradicado, exterminado pelas maltas do “Reich” hitlerista.

Desta feita, é tempo não porque se expressa nos dígitos ou ponteiros do seu relógio mas porque, sobretudo, move, se move, nos move.

Não é o tempo como ‘cronologia’ é tempo como ‘tendência’; que não admite isenção, neutralidade, apatia ou indiferença posto que impregna toda a existência com suas cores, humores, fragrâncias e lástimas.

O “contra-tempo” do que irá acontecer no hoje, 01/04, defronte aos pórticos da Catedral Metropolitana, na capital dos goianos, é uma dimensionalidade alternativa, resistente e simultaneamente, ofensiva ao bloco neo-fascista que se apoderou do Estado brasileiro e que tal qual uma espécie de “Prometeu moderno” ou ainda, conforme o sugestivo romance de Mary Shelley (1818), ‘Dr. Frankenstein’, um algo como um brilhante cientista e que se atreve a dar forma para um monstro e que por seguinte, passará a existir sem qualquer regra, controle ou limite.

A boa sabedoria dos nossos ancestrais ensina que “deixemos que os cadáveres descansem em paz”.

Aos amantes da vida, do amor e do bom futuro; aquele que é comum, social, coletivo; de festas e prazeres, convido-os ao bom augúrio da verdadeira politica, aquela que denuncia, que luta por causas definitivas como povo e democracia; venham… Participem deste rico e valoroso ‘tempo’ sabiamente explicitado e pronunciado pela ensanguentada, torturada, desfigurada e ainda assim, muito rebelde insígnia “Ditadura Nunca Mais.

É hoje… Eis nosso tempo!

Ângelo Cavalcante – Economista, professor da Universidade Estadual de Goiás (UEG), campus Itumbiara.