Futuro secretário de segurança aposta na integração das atividades policiais, defende parcerias entre Estado, União e prefeituras, informa que vai aumentar efetivo e prevê melhorias para a população

Em entrevista à Rádio Bons Ventos aos radialistas Altair Tavares e Alípio Nogueira, o futuro secretário de Segurança Pública do Estado de Goiás, Rodney Martins, contou um pouco de sua experiência. Delegado da polícia federal, ele já ocupou a pasta da Segurança nos dois mandatos do governador Paulo Hartung, no Espírito Santo, e também em Pernambuco, na gestão de Jarbas Vasconcelos e de seu sucessor,  Mendonça Filho. Ele revela que pretende implantar em Goiás experiências exitosas que teve nestes estados, como por exemplo, incentivar – mediante gratificação -, o retorno à ativa de policiais da reserva, que serão aproveitados em funções administrativas, liberando para ruas, policiais civis e militares que estejam em funções burocráticas.
Rodney diz mesmo antes de tomar posse, o que acontece oficialmente no dia 2 de janeiro, está recebendo informações dos serviços de inteligência das polícias, da secretaria de Segurança Pública (SSP) e também do sistema prisional. Ele informa que pretende até o dia 4 nomear todos os auxiliares de todas as forças policiais. o secretário ressalta que recebeu do governador eleito Ronaldo Caiado (DEM) autorização para montar toda sua equipe, e diz que isto tem sido feito, em concordância com o chefe do executivo, ouvindo também os comandantes militares e civis.
Investir cada vez mais nos serviços de inteligência, aderir ao Sistema Único de Seguraça Pública (SUSP – criado pelo governo Temer) e combater o crime organizado são as suas principais metas.
Confira abaixo a íntegra da entrevista:
O sr. foi secretário no Espírito Santo e no Pernambuco. Como se deu esta experiência?
Rodney Martins – A segurança pública é a pauta nacional, problema que impacta todos os estados brasileiros. Fui secretário de Segurança Pública por dois governos de Paulo Hartung e depois em Pernambuco no final do governo de Jarbas  Vasconcelos e também de Mendonça Filho. Fui prefeito de Vila Velha, por dois anos fui deputado estadual, e quero levar minha experiência, o que deu certo no Espírito Santo, o que deu certo no Pernambuco e o que foi feito também pela experiência de outros colegas em outros Estados. Vamos tentar levar estas experiências, estou muito motivado, muito animado em retomar esta trajetória na segurança pública. Neste ano eu também trabalhei na elaboração do texto do Sistema Único de Segurança Publica, o chamado SUPS que está sendo implantado no governo federal, e que queremos implantar em Goiás. Acredito que é o caminho. O presidente da Câmara Federal, Rodrigo Maia (DEM-RJ) me chamou para ajudar (na elaborção da Lei), pela nossa experiência.  Ele me perguntou sobre a pauta de legislação criminal, o que eu proporia que fosse  colocado em primeiro lugar? Eu respondi que era o SUSP, que, assim como o SUS, é o sistema único da saúde, a segurança também precisa de um sistema único. Há muitos anos o crime vem se organizando, e a gente com toda dificuldade que enfrentamos, que os números hoje refletem,mostram que o caminho é organizar as policiais através do SUSP.
Por quais critérios escolheu o Diretor da Polícia Civil, Valdir Soares?
Rodney Martins – A exemplo do que já tínhamos feito com o comando geral da PM e dos Bombeiros, usamos critérios eminentemente técnicos. Logicamente que temos um leque de opções muito bom na polícia civil. A trajetória profissional, o respeito que ele goza, o respeito perante o Ministério Publico e o Judiciário contaram a favor dele.Seguramos um pouquinho o anúncio, porque ele está em missão no Rio Grande do Norte, pelo governo federal, e durante esta missão teve um problema de saúde,mas já está se recuperando. Começaram a especular com força o nome dele e decidimos divulgar por telefone mesmo, e no dia 30 ele está aí, e poderemos conversar sobre os planos que temos também para a polícia civil.
O governador Ronaldo Caiado disse que dará liberdade para os secretários indicarem os seus assessores. É isto mesmo?
Rodney Martins – Sim, total. Logicamente que todos os nomes são submetidos ao governador Ronaldo Caiado, antes de anunciar ou até mesmo fazer contato. Ele tem dado total liberdade, e esta liberdade estamos dando também aos nossos comandantes, construindo juntos as nossas cúpulas, sem interferência política nenhuma. O que o governador me cobra é eficiência. E estamos montando uma equipe para buscar cada vez mais eficiência.
O sr. citou o crime organizado, e como o sr. avalia o que tem sido feito pela SSP sobre o crime organizado e qual será o seu ponto de partida?
Rodney Martins – Nós temos, pelo que eu entendi (não estamos lá dentro ainda para ter uma percepção real), mas nós temos  um setor de inteligência bem organizado na SSP,nas polícias e no sistema prisional, que é talvez uma das maiores vulnerabilidades que temos hoje e vamos atacar imediatamente. Tivemos uma reunião com representantes do Ministério Publico, do Judiciário, e há uma sinergia, uma integração muito boa entre o Poder Judiciário, SSP, Polícias e MP. Isto é importantíssimo, principalmente se falando der crime organizado. Há uma expectativa boa, é lógico que é um desafio que vai ser enfrentado como outros também: a reestruturação das polícias, a melhoria da eficiência, a melhoria da presença da polícia militar nas ruas, dando maior visibilidade, uma maior eficiência no caso da polícia civil  – no caso de resolução de inquéritos, de crimes-, isto vai ser perseguido também o tempo todo. Esta integração é fundamental, e vamos acelerar a integração entre as polícias e os poderes públicos municipais (prefeituras, guardas municipais), que é também um ponto muito importante. Pude exercitar isto quando fui prefeito de Vila Velha com ótimos resultados.
Tudo isto depende de recursos humanos e também de recursos técnicos, como o sr. pretende implantar isto num estado, que segundo as últimas informações está completamente falido?
Rodney Martins – Primeiro vamos aproveitar os recursos humanos disponíveis. Vamos tentar colocar o máximo de policiais na rua, tirando policiais de funções administrativas, substituindo por aposentados, policiais da reserva, por terceirizados quando for o caso, e trabalhando com toda a austeridade, aguardando a recuperação do estado, para pensarmos em reposição. Na parte técnica teremos que nos socorrer junto ao governo federal, que pelo nosso pacto federativo detém 80% dos recursos. Em que pese o governo federal estar também numa situação econômica difícil, mas tem obrigação com aqueles que pagam impostos nos Estados e municípios. Vamos apresentar projetos viáveis e nos integrar o mais rápido possível ao Sistema Único de Segurança, que prevê repasses de recursos fundo a fundo, em cima de cumprimento de metas e exibição de resultados, como é hoje na Saúde e na Educação.
Quem irá dirigir a Diretoria de Administração Penitenciária?
Rodney Martins – Estamos definindo, temos algumas opções, no dia dois iremos definir. Tenho que conversar ainda com algumas pessoas, temos bons profissionais, e vai ficar vinculada à SSP, ainda como departamento, com autonomia financeira, mas dentro da hierarquia subordinada à SSP e ao secretário.
As indicações para a Diretoria de Polícia Técnica e o Procon ficarão também a cargo do secretário de Segurança?
Rodney Martins – São cargos da Secretaria de Segurança e vamos analisar tudo isto também. Eu tomo posse oficialmente na manhã do dia 2 de janeiro, à tarde já tenho uma série de reuniões agendas na SSP com profissionais de todas as áreas e até no dia 3 ou 4 quero ter todos estes nomes. Por enquanto permanecem os que estão, são bons profissionais, e estamos fazendo de tudo para dar uma boa respostas para a sociedade, e dentro de um perfil que  traçamos, vamos indicar os nossos profissionais, dentro desta nova fase politica e administrativa do Estado de Goiás.
Como o sr. disse, maiores definições somente após a sua posse?
Rodney Martins –  Sim,  a partir do dia 2 apresentamos tudo, até porque o sistema prisional, por exemplo, é muito sensível. Não pode ter lapso. O atual diretor e a equipe dele já vem fazendo acompanhamento de movimentos e é uma coisa que não pode ter disfunção de continuidade. E a gente não vai arriscar. Tenho conversado com ele, com a inteligência do sistema prisional, com a inteligência da secretaria e sou informado praticamente on line de tudo que tem acontecido, e orientando os futuros gestores, e chefes de polícia para irem se preparando para as contingências que podem vir a ocorrer a partir do dia 1 de janeiro
 Quem dá a certeza de que estes policiais da reserva poderão voltar a funções administrativas para aumentar a sensação de segurança?
Rodney Martins – Eu já tive duas experiências exitosas neste sentido. O retorno (da reserva) é facultativo, até por que temos que oferecer alguma coisa. No Estado do Espírito Santo oferecemos para os praças uma gratificação de R$ 2 mil para que eles concordaram em voltar a ativa neste trabalho administrativo.