De acordo com a Da Revista Fórum, o ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega, Ola Elvestuen, anunciou nesta quinta-feira que a Noruega também irá suspender o repasse de cerca de R$ 133 milhões para o Fundo Amazônia. A decisão vem após diversas críticas sobre a condução da política ambiental do governo Bolsonaro e segue o mesmo caminho da Alemanha. Na tarde desta quinta-feira (15), deputados pediram explicações ao ministro Ricardo Salles sobre a gestão do Fundo. No Pará, num protesto chamado “Dia do Fogo”, ao logo da BR-163, no Sudoeste do Pará, conforme registrou o jornal local Folha do Progresso.

Desde a criação do Fundo a Noruega já doou cerca de R$ 3,69 bilhões e decidiu paralisar as doações após o Brasil modificar o comité técnico do Fundo. “O Brasil rompeu o acordo com a Noruega e a Alemanha desde que o país fechou a diretoria do Fundo Amazônia e o Comitê Técnico. Eles não podem fazer isso sem acordo com a Noruega e a Alemanha”, declarou Elvestuen.

O ministro destaca também que o Brasil não parece ter mais como compromisso a contenção do desmatamento. “Houve um aumento significativo em julho em relação ao visto no início passado, há motivos para preocupação. O que o Brasil fez mostra que ele não quer mais conter o desmatamento. Um motivo extra para preocupação com o aumento do desmatamento na Amazônia é o chamado ponto de inflexão. Isso significa que, se você cortar muito da floresta, o resto será capaz de se autodestruir, porque o sistema depende da chuva gerada”, avaliou.

Elvestuen ainda disse que o que acontece na Amazônia “é muito sério para toda a luta pelo clima”. “A Amazônia é o pulmão do mundo e todos nós dependemos inteiramente da proteção da floresta tropical lá. Não há cenários para atingir as metas climáticas sem a Amazônia”, disse.

A decisão da Noruega foi anunciada um dia depois do presidente Jair Bolsonaro debochar do corte anunciado pela Alemanha e ter mandado a chanceler Angela Merkel usar o dinheiro para “reflorestar” o país.

Pedido de explicações

Também nesta quarta-feira, congressistas de três partidos da Frente Parlamentar Ambientalista pediram explicações ao ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, sobre a gestão do Fundo Amazônia. Eles solicitam, entre outras informações, a relação dos contratos financiados pelo fundo para o governo federal, governos estaduais e prefeituras, contratos que, segundo o ministro, teriam irregularidades, além da lista dos doadores do fundo amazônico nos últimos 5 anos, por doador, valor e ano da doação.

Carlos Minc, ex-ministro do Meio Ambiente e um dos idealizadores do Fundo Amazônia, concedeu entrevista ao programa Fórum 21 em que falou sobre o desmonte da proteção ambiental no Brasil.

Fazendeiros põe fogo na floresta no Pará para incentivar desmatamento


Os reiterados ataques do presidente Jair Bolsonaro (PSL) às políticas ambientais, aos ambientalistas e aos órgãos de fiscalização estimularam fazendeiros da região amazônica a promoverem no último fim de semana um “dia do fogo” ao longo da BR-163, no sudoeste do Pará. Várias cidades foram cobertas por densas nuvens de fumaça.

A ideia, segundo o jornal local Folha do Progresso, era chamar a atenção do governo.

“Precisamos mostrar para o presidente que queremos trabalhar e único jeito é derrubando. E para formar e limpar nossas pastagens, é com fogo”, afirmou ao jornal um dos organizadores da manifestação.

Na quarta-feira (13), dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostraram o tamanho do estrago feito pelos fazendeiros. No sábado (10) a principal cidade da região, Novo Progresso, teve 124 registros de focos de incêndio, aumento em 300% em relação ao dia anterior. No domingo, foram 203 casos. Outra cidade bastante atingida foi Altamira, com 194 casos no sábado e e 237 no dia seguinte.

Segundo reportagem da Folha de S.Paulo, o Ministério Público Estadual investiga o caso.

O jornal lembra que, após a posse de Bolsonaro, o Ibama parou de fiscalizar as queimadas em Novo Progresso porque suas ações perderam apoio da Força Nacional, ligada ao Ministério da Justiça, e da Polícia Militar.

 

Para saber mais:

Folha do Progresso: Em dia de fogo Sul do Pará regisrta disparo no número de queimadas