Prefeito Sebastião Melo (MDB), que é goiano de Piracanjuba, ignorou alerta de especialistas, sabotou lockdown e agora a cidade colhe a explosão de casos e o colapso das UTI

Da RBA

Em reportagem publicada no sábado (27) – “Um colapso previsto: como o surto de covid-19 no Brasil sobrecarregou os hospitais”, o jornal The New York Times destaca que atitudes políticas como a do prefeito de Porto Alegre, Sebastião Melo (MDB), que falava em “salvar a economia”, levaram as cidades do país a este que é pior momento da pandemia, com falta de leitos, oxigênio e até medicamentos para intubação.

De acordo com os correspondentes do maior jornal do mundo, que foram conferir o colapso em Porto Alegre – e viram de perto os impactos da crise sanitária –, a capital gaúcha é atualmente o “coração de uma crise monumental no sistema de saúde” brasileiro. E a postura do município explica o porquê da cidade ter se tornado epicentro do colapso. Há mais de um mês, Porto Alegre tem 100% das UTIs ocupadas com pacientes infectados pelo coronavírus.

Durante coletiva, Sebastiao Mello se colocou contra o isolamento e pediu o sacrifício da vida para salvar a economia: “Tivemos uma profunda discussão, de fechar parques, praças e orlas. Queremos fazer um apelo à população. Não ocupem os espaços públicos. Nós não vamos, em um primeiro momento, fechar a Orla, mas se a população não atender o pedido do governo, nós vamos fechar. Não gostamos de fazer nada por decreto. Contribua com sua família, sua cidade, sua vida, para que a gente salve a economia do município de Porto Alegre”, disse Mello.

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Reportagem de Guilheme Oliveira, do Seu Jornal, da TVT, mostra que nesta segunda-feira (29), a taxa de ocupação era de 112,5%. Ainda assim, o prefeito vem travando uma batalha jurídica para descumprir as restrições de circulação, decretadas pelo governo estadual. O objetivo de Melo é abrir comércios, bares e restaurantes aos finais de semana e feriados. A Justiça, no entanto, vem mantendo a liminar do Ministério Público.

“Melo vem com o discurso de que sempre cabe mais um, o que não é verdade. A rede (de saúde) está completamente lotada. Ele também justifica para a população que é preciso dar sua vida pela economia. A gente vê a maneira como os nossos governos estão trabalhando a questão da covid”, critica o técnico de enfermagem Valdionor Freitas. Entre os empresários, há também aqueles que acreditam que não é o momento de abertura, mas sim do Estado ampliar o alcance de auxílios sociais e econômicos.