Eleição favoreceu o DEM de ACM Neto, o PP de “Ciro Bolsonaro” e o PSDB de João Dória.

Marcus Vinicius de Faria Felipe

Nenhum dos presidenciais de esquerda se deu bem nas eleições municipais. O PT de Lula não elegeu nenhum prefeito de Capital. O PC do B do governador Flávio Dino perdeu em São Luís e Porto Alegre. E o PDT de Ciro Gomes quase foi derrotado em Fortaleza pelo bolsonarista Capitão Wagner (PROS). Sem o apoio do PT de Luzianne Martins, terceira colocada na disputa, Sarto Nogueira seria derrotado.

Quem venceu foi o Centrão, bloco capitaneado pelo PP (685) Republicanos (211) e PTB (212), PL (345) e PSD (654),  que elegeram 2.107 prefeitos.

O Centrão, cujo líder é o senador Ciro Nogueira (PP), sonha com a filiação do presidente Jair Bolsonaro ao Progressistas (PP), e se cacifa para o jogo de 2022.

O DEM do prefeito de Salvador ACM Neto também se robusteceu: de 266 passou para 464 prefeitos e passa a ter cacife para  ter um candidato a presidência da República, talvez o próprio ACM Neto, após a eleição de Paes de Andrade na prefeitura do Rio de Janeiro, a reeleição de Rafael Greca em Curitiba e as vitórias de Bruno Reis (Salvador) e Gean Loureiro (Florianópolis).

O Democratas tem as presidências da Câmara Federal, com Rodrigo Maia e do Senado, com Davi Alcalumbre, e quer continuar controlando as duas Casas, o que coloca o partido em pé-de-guerra com o Centrão.

A reeleição de Bruno Covas à prefeitura de São Paulo, reascendeu as esperanças do governador João Dória ser competitivo para disputa da presidência da República.

Além da capital paulista os tucanos vão governar  em Natal (RN) com Álvaro Dias; Porto Velho (RO), com  Hildon Chaves e Palmas (TO), com Cinthia Ribeiro, totalizando 520 municípios, além dos governos de São Paulo, Rio Grande do Sul e Mato Grosso do Sul.

O MDB ainda é o partido com maior número de prefeitos (784), embora tenha diminuído em relação a 2016, quando elegeu 1.035. Mas os emedebistas foram os mais vitoriosos nas capitais com as eleições de Arthur Henrique (MDB – RR), em Boa Vista, Emanuel Pinheiro (MDB – MT), em Cuiabá, Maguito Vilela (MDB – GO), em Goiânia, Sebastião Melo (MDB – RS), em Porto Alegre e Doutor Pessoa (MDB – PI), em Teresina.

Uma composição entre PSDB e MDB cria a possibilidade real de um segundo turno entre extrema-direita (Bolsonaro) e centro-direita (Dória) nas eleições presidenciais de 2022.

Se os partidos de esquerda (PSOL, PC do B, PCB, UP) e centro-esquerda (PDT, PSB, PT) quiserem participar do segundo turno só terão chance se estiverem sob um mesmo guarda-chuva. Dividos, serão presa fácil, e só poderão participar com coadjuvantes do PSDB ou do DEM.

A pergunta de R$ 1 milhão é: Quem vai botar o guizo no pescoço do Ciro e do Lula?