Jornalista faz campanha para arrecadar dinheiro para reconstrução de Kombi da artesã e também jornalista Nara De Los Angeles, que sofreu “queimaduras de terceiro grau” e necessita de reparos para voltar a rodar.

Leia o artigo, que foi publicado originalmente no blog do autor:

Nara está triste. Brigitte adoeceu

Por Yago Salles

Dois dias antes de não querer mais saber de sentir as coisas, Nara De los Angeles me chamou num canto. Falou dos percalços da própria vida. E encontrou sentido em coisas inanimadas para alguns, mas para ela mais do que vivas. Por dentro do metal, fios e tintura, corpo, alma e espírito. Aprendi.

Nara De los Angeles carrega um sorriso quando fala da Brigitte. Um dia me contou como comprou. Que ano ela é. Mas me esqueci. Não interessa. Como a própria Nara, a Brigitte não quer que toquemos em sua idade.

Pois bem. A Brigitte trabalha com a Nara numa firma em que as duas são sócias: uma loja de artesanatos. Objetos cortados, pregados, pintados, arremedados pela Nara. Brigitte entrou na sociedade como… espere. Ela entrou como a transportadora? Isso. Além de ter sido toda pintada com cor de ferrugem pela própria Nara, a Brigitte vira loja. Não tem um que não passe para olhar dentro da Brigitte onde for que a Nara estacione. Duas exibidas.

Em 2019, a Brigitte foi com a Nara para Ipameri, no interior de Goiás. Ficou ali, espiando esse fusca lindo. Foto: Nara Cunha de Los Angeles

Ah, a Brigitte também é uma espécie de carro de reportagem. Com vontade de contar histórias, Nara acorda, pega a câmera, bloco e caneta. Vai à garagem e convoca: “Brigitte, vamos por aí, por Goiás”. As duas voltam com muitas histórias, fotografias e poeira nos pneus.

Em tempos de pandemia, Brigitte, estou quase certo disso, ficou espantada com as ruas vazias. E talvez com medo. Um dia Nara chamou a Brigitte para um passeio. Mas era para ir fazer umas trocas dentro dela: mangueiras, essas coisas. E a Brigitte, primeiro, deu um grito de kombi. O motor pá, pá, pá. Início de infarto, deve ter pensado a Nara, que personifica tudo. O fogo apavorou Nara quando deu a partida. Bora lá, Brigitte, bora.

Desacordada, Brigitte não ouviu a sirene dos Bombeiros chegando. Logo o fogo foi controlado. Internação. UTI. Tudo muito caro. Mais de R$3 mil conto, me disse a Nara, que criou campanha na rede social para pedir ajuda.

Artesã-repórter-fotógrafa, Nara não tem como trabalhar sem a sócia, amiga, o carro mesmo. “Carro, não, kombi. Dizem que kombi não é carro”, corrige a Nara num vídeo no final deste texto.

Nara — que se eu fosse você procuraria nas redes sociais para conhecer melhor — precisa da nossa ajuda. Qualquer tostão para pagar a internação, o tratamento, alguns reparos na Brigitte, que já conheceu kombis em feiras muito mais antigas e saudáveis.

Abaixo, saiba como levar Brigitte de volta às ruas, rodovias e estradas de Goiás: