Fernando Brito avalia que é preciso mais do que uma interação para o presidente cair nas graças da população.

por Fernando Brito no Tijolaco.net 

Aliviaram-se as pressões nos intestinos mas, na política, inevitável dizer que Jair Bolsonaro segue enfezado.

Provavelmente pelas mãos de Carluxo, seu filho vereador, nem mesmo durante a sedação de ontem, parou a metralhadora de ódio das redes sociais do presidente.

Se a ideia era de que o vitimismo presidencial iria desencadear-lhe uma onda de solidariedade, a impressão é a de que isso não funcionou.

Apresentar Bolsonaro de torso nu, a la Cristo, ok, pois ensina meu professor Nilson Lage, “sociopatas são capazes de tirar proveito político de suplício real ou encenado”.

Mas, afora, a movimentação piedosa foi, basicamente, produzida por fanáticos e robôs, não parece plausível dizer que há comoção nacional como na facada de Juiz de Fora, em 2018.

E muito menos com o alegado moribundo despejando ataques pelo Twitter, Facebook e Instagram.

Ontem, era a esquerda sendo o “braço” do Adélio da facada.

Hoje, são os ataques ao “circo da CPI Renan, Omar e Saltitante estão mais para três otários que três patetas”, em postagens que mostrariam que ele acompanhou em detalhes a descrição da aventura do homem da Davati junto ao coronelato.

Não seria preciso um medalhão da medicina, bastaria o farmacêutico da esquina para vetar que alguém, transferido às pressas de avião para um big hospital na noite anterior pudesse estar, já de manhã, acompanhando horas de depoimento vital para seu próprio mandato presidencial.

Ou não é grave a situação de saúde do presidente não é delicada – e recorro de novo a Nilson Lage, que diz que “o que se passa na barriga de Bolsonaro é segredo de Estado já há muito tempo” – e para isso corrobora seu “passeio pelo hospital e a entrevista ao vomitivo Sikêra Jr, para demonstrar isso ou ele entregou ao filho Carluxo a tarefa de ser a sua voz ao país, uma espécie de vice-presidente virtual, que assume as rédeas nos impedimentos presidenciais.

O que, afinal, parece já estar institucionalizado, do contrário o General Hamilton Mourão não manteria a viagem a Angola, até para não ficar fazendo papel de “dois de paus”, como diria a minha avó.

O fato é que não faz, hoje, muita diferença que Bolsonaro se expresse diretamente – com ou sem soluços – ou através do filho soturno. Seja por sua boca ou pelos dedos de Carluxo, só virão ameaças e ataques ao regime democrático.

É porque nele, afinal – e diga-se, para os imbecilizados não criarem caso- o bolsonarismo está condenado à morte eleitoral.