Nos duelos, onde o bandido e o mocinho  se enfrentam com as armas no coldre, analisando os movimentos um do outro, vence quem saca a arma primeiro. Na política,nem sempre é assim. Atirar num adversário que está alheio à luta é na maioria das vezes contraproducente.

Marcus Vinícius

Há vários ditos populares que ensinam que deixar o outro para lá, no seu canto, é melhor do que provocar uma encrenca:

“Se não aguenta a picada, não provoque a abelha”.

“Não mexa no meu silêncio se não puder lidar com o meu barulho”.

É até compreensível,que um governo novo queira fazer um balanço sobre o anterior, principalmente quando se trata de um adversário que mandou durante 20 anos no Estado. Mas isto deve ser feito ao seu tempo, com habilidade e estratégia. Não pode o mandatário mandar recados em tom de provocação, pois a resposta do adversário pode lhe colocar em maus lençois.

As bravatas entre o governador Ronaldo Caiado (DEM) e o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) não são de agora. Desde os primeiros anos do chamado “Tempo Novo”, ocorreram rusgas entre ambos. Caiado ajudou na eleição de Marconi em 1998. Em 2002, Caiado forçou a indicação do então secretário de Segurança Pública, Demóstenes Torres, como um dos candidatos ao Senado na chapa de Marconi. Em 2010, Demóstenes disputou novamente a reeleição na chapa marconista e em 2014, Caiado indicou José Eliton (DEM) como vice de Marconi. Em todos estes processos, ouve divergências entre ambos, mas em nome dos interesses de seus partidos, Caiado e Marconi fizeram composições políticas.

O fim do ciclo do tempo novo estava desenhado em 2018. Havia o chamado desgaste da máquina, e ele levou as derrotas de José Eliton, Marconi Perillo, Lúcia Vânia e dezenas de candidatos a deputado estadual e federal daquele bloco governista.  Caiado venceu, porque estava na hora certa, com os aliados certos, diante de um adversário fragilizado. Mas o vencedor poderia ter sido o ex-governador Maguito Vilela (MDB) ou o ex-prefeito de Senador Canedo Vanderlan Cardoso (PP), se ambos tivessem à frente da mesma articulação oposicionista que garantiu a vitória a Caiado.

Enquanto foi governador, Marconi Perillo trabalhou para desidratar a oposição, cooptando seus melhores quadros. Dedicou-se mais a isto  do que em fustigar adversários. Nos seus primeiros governos (1998-2002, 2003-2006),Marconi trouxe para o seu governo lideranças do PC do B, do PMDB, do PFL, do PP e com isto reforçou o seu partido, o PSDB. Ele também manteve boas relações com o PT nas administrações de Pedro Wilson, Paulo Garcia e  Dilma Roussef.

Marconi, no entanto, escolheu um nome para ser seu adversário nas eleições, o prefeito Iris Rezende. De posse de pesquisas quantitativas e qualitativas, o governante tucano tinha informações de que apesar de todo o prestígio que Iris tinha no Estado, a questão da idade ainda pesava a seu desfavor quando o embate era com Marconi. É por isto que apesar de terem sido refregas duras, os três duelos entre Marconi e Iris terminaram com a vitória do primeiro.

Não sei se o governador Ronaldo Caiado dispõe de pesquisas sobre a  imagem do ex-governador Marconi Perillo. Não tive acesso a nenhum levantamento que trouxesse a comparação entre o governo atual e o governo anterior. Mas é preciso dizer que o PSDB enquanto partido não está morto no Estado e que Marconi encontra-se com 56 anos e terá 59 a época da sucessão estadual em 2022 e Caiado chegará aos 72 anos.

Marconi ainda estará jovem para disputar o governo do Estado. E penso que a estragégia palaciana de tocar no seu nome, dia sim, dia não, tem sido mais útil para manter viva a sua memória do que desgastá-lo.

Ex-prefeito e ex-governador de São Paulo, Paulo Salim Maluf dizia: “falem mal, mas falem de mim”.  Um governo suplanta o outro com realizações. A verborragia, quanto muito pode desgastar um e vitimizar o outro, ou pior, destruir ambos, pois como também prega um antigo adágio: “Quando dois brigam é um terceiro que leva vantagem”.

Para ler mais sobre a troca de acusações entre Ronaldo Caiado e Marconi Perillo leia no Diário de Goiás

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