Em Aparecida de Goiânia desafio é eleger a primeira vereadora, em Goiânia, representação na Câmara é mínima, no Executivo, disputa terá duas candidatas a prefeita e uma vice. Candidatas negras são destaque em todo o país.

Desde a redemocratização, e principalmente após a promulgação da Constituição Federal em 1988, a representação de mulheres e negros no Executivo e no Legislativo tem sido um desafio. Berenice Artiaga foi a primeira mulher eleita para o Legislativo Goiano. Mãe do ex-prefeito Índio do Brasil Artiaga, ela se elegeu deputada estadual pelo PTB em 1950, assumindo cadeira na Segunda Legislatura da Assembleia Legislativa em 1951. A Assembleia já teve como mais votadas as deputadas Raquel Azeredo (PMDB) e Flávia Morais (PSD). Mas a representação feminina na Casa ainda é baixa: dos 41 deputados, apenas duas mulheres – Delegada Adriana Accorsi (PT) e Leda Borges (PSDB).

Adriana Accorsi, Nega da Moda, Dra Cristina e Camila Rosa são destaques nestas eleições

Na Câmara de Goiânia, dos 35 vereadores, apenas quatro mulheres: Leia Klébia (PSC), Sabrina Garcêz (PSD), Tatiana Lemes (PC do B) e Priscila Tejota (PSD). Em Aparecida de Goiânia, jamais foi eleita uma vereadora. Na Câmara Federal, dos 17 deputados federais, apenas duas representantes do sexo feminino: Magda Moffato (PR) e Flávia Morais (PDT). No Senado, até a legislatura passada, Lúcia Vânia (PSB) era a única representante, tendo sida eleita em 2002 e reeleita em 2010. Nesta campanha, ele deve contar com o reforço do ex-prefeito Pedro Wilson, que governou Goiânia entre 2001 a 2004, para compor sua chapa como candidato a vice-prefeito.

Legislação

Por determinação do ministro Ricardo Lewandovski, do Supremo Tribunal Federal, nestas eleições o Fundo Partidário (recurso disponibilizado aos partidos pela Justiça Eleitoral), deverá ser dividido de maneira equitativa entre os candidatos, de maneira que as mulheres, indígenas e afrodescendentes recebam o mesmo recurso dos demais candidatos do partido. Nas últimas eleições esta regra tem sido descumprida, mas neste ano é possível que a fiscalização seja mais rigorosa, e a cobrança dentro dos partidos seja maior. Neste pleito foram próbidas as coligações proporcionais, ou seja, a formação de chapas com candidatos de vários partidos para eleição de vereadores. Pela atual regra eleitoral cada partido deve lançar chapa própria, e com isto a disputa pelo fundo partidário deve ser intensa entre os membros de cada partido.

Goiânia

O saudoso prefeito Darci Accorsi viu a filha Adriana Accorsi ser eleita deputada estadual

Na Capital do Estado a deputada estadual Adriana Accorsi (PT) tenta pela segunda vez chegar ao Paço Municipal, cuja construção foi iniciada em 1996 pelo seu pai, o saudoso prefeito Darci Accorsi (PT), falecido em 2014. Adriana foi a quinta mais votada nas eleições de 2018 (39.283 votos). Em 2016, obteve 10% dos votos, na eleição que teve Iris Rezende (MDB) e Vanderlan Cardoso (PSB) disputando o segundo turno, com vitória para o emedebista.

A vereadora Dra. Cristina (PL) pode confirmar ou não a sua candidatura. Ela ainda não confirmou o vice na chapa e não descarta compor com outra legenda uma aliança.

Wilder Morais (PSC) foi o único a anunciar uma vice, Valdelice, a “Nega da Moda”

O ex-senador Wilder Morais (PSC) confirmou como vice Valdelice Ribeiro (Avante), popularmente conhecida como “Nega na Moda. Valdelice é consultora de moda e desde 2008 presta consultoria aos lojistas da Avenida 44, no Setor Ferroviário, principal pólo de moda de Goiânia. A chapa Wilder-Nega tem o apoio do PSC, Avante e PMN.

Aparecida

Camila Rosa disputa uma cadeira na Cãmara de Aparecida

Em Aparecida de Goiânia a Assistente Social Camila Rosa (PSD) quer furar o “Clube do Bolinha” na Câmara Municipal, que tem  25 vereadores e nenhuma vereadora. Feirante e representante do setor, ela diz que é preciso romper este ciclo na cidade, que é o segundo maior colégio eleitoral do Estado, tendo mais de 50% de eleitoras do sexo feminino.

Em uma de suas lives o prefeito Gustavo Mendanha (MDB) estimulou o voto em candidatas femininas. Mendanha, que disputa a reeleição, conta até o momento com apoio de 17 partidos, do PP do deputado federal Professor Alcides ao PT do vereador Helvecino Moura.

 

Brasil

As mulheres negras correspondem a um quarto da população brasileira, ou 25,38% desse total, mas ocupam só 3% das cadeiras no parlamento. Nas últimas eleições municipais, apenas 32 mulheres negras foram eleitas vereadoras. E ainda fecharão o mandato com 31, após a execução política de Marielle.

Em Goiás há duas prefeitas negras: Zélia Camelo (PP) de Itapirapuã e Sirleide, a Leide (MDB), de Santo Antônio da Barra

Na disputa pela prefeitura, dos 5.570 municípios brasileiros, foram eleitas somente 640 prefeitas, destas, dez delas se declararam pretas, duas delas em Goiás: Zélia Camelo de Oliveira (PP) Itapirapuã e e Sirleide Ramos Pereira (MDB), Santo Antônio da Barra, as demais foram eleitas em Açucena (MG), Dois Irmãos (RS), Lagoa do Carro (PE), Maracanã (PA), Oiapoque (AP), Rio Acima (MG), Santa Inês (MA),  São Vicente Ferrer (MA). Exceto Santa Inês, todas as cidades com  menos de 50 mil habitantes.

Major Denice e Benedita da Silva são candidatas às prefeituras de Salvador e Rio de Janeiro

Nestas eleições, nas capitais, os destaques são as candidaturas de Major Denice e Benedita da Silva.

Em Salvador a Major Denice (PT) se afastou da Polícia Militar para disputar a prefeitura local. Negra, ela é uma das criadoras da Ronda Maria da Penha, e diz que quer fazer no Executivo a luta contra a violência ás mulheres e o racismo, na cidade que abriga a maior população negra do País, com quase 60% da população se declarando preta ou parda.

No Rio de Janeiro a deputada federal Benedita da Silva (PT) disputa a prefeitura da capital fluminense com o apoio do PC do B da deputada federal Jandira Feghali. Bené é ex-doméstica, evangélica, favelada. Ela foi governadora do Rio por nove meses (abril de 2002 a janeiro de 2003) e a primeira negra eleita senadora (1994). No governo do presidente Lula foi ministra do Trabalho e Assistência Social (2003-2007).