General-vice-presidente descartou que Brasil seja utilizado pelo exército norte-americano para atacar a Venezuela, disse que América do Sul não precisa retornar à Guerra Fria e defendeu diálogo para resolver o problema no país vizinho.

Ao contrário do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ), o seu vice, o general Hamilton Mourão (PRTB-SP) não bate continência quando vê a bandeira dos Estados Unidos. Em entrevista concedida à GloboNews, durante sua participação no Grupo de Lima, ele declarou que o Brasil “o Brasil não considera em hipótese alguma”, deixar os EUA usar o Brasil como base para atacar a Venezuela.

O grupo de Lima reuniu hoje em Bogotá, Colômbia, os chanceleres da Argentina, Brasil, Canadá, Chile, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, Paraguai e Peru para discutir a crise na Venezuela.
A fala de Mourão é um cala-boca no aloprado chanceler brasileiro, Ernesto Araújo, que defende que a Venezuela seja tratada pelo Brasil como os EUA tratam a Coréia do Norte. O pronunciamento do general também foi um choque de realidade no senador Eduardo Bolsonaro (PSL-RJ) que defende a invasão da Venezuela e o assassinato do presidente Nicolás Maduro.

Na entrevista, Mourão também afirmou que o Brasil trabalha para evitar que a crise venezuelana gere um conflito na região e disse que seria “muito ruim” trazer para a América do Sul um clima similar ao que existia na época da Guerra Fria, numa declaração que remete ao apoio da Rússia e China à Venezuela.

“O Brasil não considera isso em hipótese alguma”, disse Mourão ao ser indagado se o país permitiria que os EUA usassem seu território numa eventual intervenção.

“Você tem que lembrar sempre que qualquer presença de força estrangeira no nosso país tem que ter autorização do Congresso Nacional, o governo não pode pura e simplesmente fazer isso”, explicou o vice. “A maioria” do governo do presidente Jair Bolsonaro é contra permitir que os EUA usem o território brasileiro para uma intervenção no país vizinho”, informa Mourão.

O general Mourão declarou na reunião do Grupo de Lima, que o Brasil crê que é possível encontrar uma solução “sem qualquer medida extrema” para “devolver a Venezuela ao convívio democrático das Américas”. (Fonte: GloboNews e informações dos sites Brasil247 e DCM).