A Itália superou nesta quinta-feira a China em número de mortes pelo novo coronavírus, com 427 novos óbitos em 24 horas, o que leva a um total de 3.405 mortes. A China registra, ao todo, 3.245. A Itália tem 60,48 milhões de habitantes, contra 1,386 bilhão de chineses. Ou seja, a taxa de mortalidade no país europeu é bem mais elevada.

Em terceiro lugar, vem o Irã, com 1.284 óbitos, e Espanha, com 767. Os primeiros registros de morte por Covid-19 na Itália foram em 22 de fevereiro.

Com uma quantidade notável de doentes e uma taxa de mortalidade extremamente baixa, a Alemanha representa uma exceção diante da epidemia do novo coronavírus.

O país registrou oficialmente 10.999 casos nesta quinta-feira (19) e 20 mortos, o que fez a taxa de letalidade no país ficar em 0,18%, um número muito baixo em comparação com cerca de 4% da China ou Espanha, 2,9% na França ou 8,3% na Itália.

“É algo difícil de desvendar [?] Não temos resposta e é provavelmente uma combinação de vários fatores”, admitiu esta semana Richard Pebody, responsável da Organização Mundial da Saúde (OMS).

Essas são algumas das hipóteses dos especialistas:

Melhor equipamento médico

Com 25.000 leitos de cuidados intensivos com assistência respiratória, a Alemanha está particularmente bem equipada, em comparação com seus vizinhos europeus. A França possui cerca de 7 mil e a Itália em torno de 5 mil.

Além disso, Berlim anunciou deseja duplicar esse número nos hospitais nas próximas semanas.

No momento, os pacientes doentes têm recebido uma atenção médica adequada e o país não teme que seus hospitais fiquem saturados a curto prazo, como aconteceu na Itália ou no leste da França.

No entanto, isso não parece explicar a diferença no número de mortos nas primeiras semanas, pois os outros países europeus também mobilizaram seus hospitais.

Testes precoces

“Reconhecemos rápido a doença no país, estamos adiantados em questão de diagnóstico, de detecção”, afirma Christian Drosten, diretor do Instituto de virologia do hospital da Caridade, em Berlim.

Esse critério, junto com a importante rede de laboratórios independentes que existe no país, que desde janeiro começou a examinar as pessoas, permitiu diagnosticar melhor a doença e colocar em quarentena os casos que apresentavam maior risco.

Para submeter-se ao teste na Alemanha, basta apresentar os sintomas e ter estado em contato com algum caso confirmado ou ter voltado de uma área de risco.

População jovem afetada

“Na Alemanha, mais de 70% das pessoas identificadas como infectadas até o momento possuem entre 20 e 50 anos”, explicou o presidente do Instituto Robert Koch (IRK), que dirige a luta contra a epidemia.

Em um primeiro momento, a doença se propagou entre uma população relativamente jovem e em boa saúde. Os primeiros infectados eram pessoas que haviam ido esquiar na Itália ou Áustria.

Ainda assim, resta saber se a epidemia não está apenas começando na Alemanha. O país teme que o número de casos dispare, já que 25% de sua população tem mais de 60 anos, segundo o instituto Statistica.

Ausência de testes pós-morte

Outra hipótese para explicar a baixa taxa de mortalidade é que na Alemanha não são realizados testes de coronavírus pós-morte.

Isso significa que quando uma pessoa morre em quarentena em casa e não no hospital, há muitas chances de que seu caso não entre nas estatísticas.

Contudo, o IRK minimizou este fator: “Partimos do pressuposto de que os pacientes são diagnosticados antes de morrer”, se defendeu o instituto.

Brasil

Presente em todos os continentes, o novo coronavírus avança também no Brasil, com registro de mortes. A primeira aconteceu em 17 de março, seguida por outras três confirmadas nessa quarta-feira (18), todas no estado de São Paulo. No Rio, dois óbitos foram registrados. De acordo com o boletim mais recente do Ministério da Saúde, o país tem 428 casos confirmados, distribuídos por 16 estados e o Distrito Federal. O número de casos suspeitos sobe a cada dia e já são 11.278.

Diante do cenário de pandemia, países anunciam o fechamento das fronteiras, cancelam aulas e determinam quarentena a milhões de pessoas. Os impactos também são sentidos na economia mundial, com cancelamento de voos, oscilações nas Bolsas e no dólar e empresas colocando funcionários em home office. De acordo com a OMS, já são mais de 200 mil casos em todo o mundo, com mais de 8 mil mortes.

Fonte: Dom Total