Morreu aos 92 anos na madrugada deste domingo, vítima de Câncer pulmonar. Arquiteto também assina o designer do Jóquei Clube de Goiânia.

O capixaba Paulo Mendes da Rocha, era  considerado um dos  maiores arquitetos brasileiros.  Entre as suas principais obras, aparecem o Estádio Serra Dourada, em Goiânia, Ginásio do Clube Atlético Paulistano, o Edifício Guaimbê, a Casa do Butantã, as reformas da Pinacoteca e da Praça do Patriarca, e o Sesc 24 de Maio, todos localizados em São Paulo, e o Museu e Teatro Cais das Artes, em Vitória, no Espírito Santo.

Premiações

Mendes, ao lado de Oscar Niemeyer (1988), é um dos brasileiros premiados com o “Nobel da Arquitetura”, o Prêmio Pritzker, recebido em 2006.

Em 2016, Paulo Mendes foi o primeiro brasileiro da história a receber a honraria. Seu nome foi indicado pelo arquiteto chileno Alejandro Aravena, curador da 15ª edição da Bienal. A sugestão acabou acatada pelos diretores da mostra, que levaram em conta o conjunto de suas obras. Uma das características mais marcantes dos projetos assinados pelo brasileiro, conforme explicou a curadoria, é a atemporalidade.

“Muitas décadas após serem construídos, cada um de seus projetos resiste ao avanço do tempo, tanto estilisticamente e fisicamente. Essa consciência estarrecedora deve ser a consequência de sua integridade ideológica e sua genialidade estrutural. Ele é um desafiador inconformado e, ao mesmo tempo, um realista apaixonado”, disse Aravena ao jornal Folha de São Paulo.

Serra Dourada

A peculiaridade das obras de Paulo Mendes observadas pelo curador da mostra italiana é fielmente percebida no Serra Dourada. Mesmo sendo um “quarentão”, o estádio ainda preserva as suas características de quando foi inaugurado. Passa por reformas estruturais de conservação, mas mantém a geometria proposta pelo seu criador.

Jóquei Clube de Goiânia

Ex-secretário de Planejamento de Goiânia,  Sebastião Ferreira Leite, salien­ta ainda que o arquiteto, Paulo Mendes da Rocha, foi o mesmo que deu formas ao Jóquei Clube de Goiânia.

“O Jóquei, portanto, deve ser preservado pela memória da cidade,e por se tratar de uma obra que também repre­senta a genealidade de um arqui­teto de renome internacional”, frisa.

Primeiros carnavais da Capital

Fundado em 1938 com o nome de “Automóvel Clube”, o Jóquei Clu­be foi palco do primeiro baile de car­naval da nova capital de Goiás. O fundador de Goiânia, Pedro Ludo­vico Teixeira, e o primeiro prefeito da Capital, professor Venerando de Freitas, entraram no salão acompa­nhado de familiares e amigos, e se esbaldaram com confete, serpen­tina e lança-perfumes, ao som das marchinhas que animavam as fes­tas de momo na década de 1930.

Ao longo de sua história, o Jó­quei se notabilizou por bailes car­navalescos, com decorações feitas por artistas plásticos locais, como Siron Gomes, Amaury Menezes, Omar Souto e chargistas do cali­bre de Fróes, Pádua e Jorge Braga.

Em entrevista recente ao DM, o professor de História da Universidade Estadual de Goiás (UEG), Eliézer Cardoso, autor do livro “História cultural de Goiânia”, des­tacou a importância do lazer para a capital.

“As formas como as pessoas se divertem dizem muito sobre a história de uma cidade. No caso de Goiânia, o lazer é um importante documento sobre a cultura da cida­de”, afirma. Nos seus primeiros 30 anos, quando possuía cerca de 40 mil habitantes, Goiânia tinha uma sociabilidade provinciana.

Nesse período, os pobres se divertiam principalmente com ba­nhos nos córregos e rios da cida­de e com o futebol, famoso pela rivalidade entre Atlético e Goiânia. Já o lazer da elite constituía-se nas reuniões e eventos do Automóvel Clube, saraus no Palácio das Es­meraldas, espetáculos no Teatro Goiânia e o footing, uma espécie de passeio pela praça Cívica e Ave­nida Goiás”, explica Cardoso. Entre as décadas de 60 e 80, a capital experimenta um forte crescimento demográfico, chegando perto dos seus 1 milhão de habitantes.

Além de festejos, o Jóquei Clu­be também se destacou no espor­te, com grandes times de vólei, fut­sal e basquete, formando atletas para a seleção brasileira, como o ex-campeão brasileiro Cesar Seb­ba. Para Sebastão Ferreira, a loca­lização e os equipamentos do Jó­quei Clube são perfeitos para que a prefeitura venha a desenvolver atividades para a terceira idade, e escolas de formação esportivas, vi­sando a educação de crianças e jo­vens através do esporte, e também a revelação de talentos olímpicos.

“O Jóquei Clube é bem servido de transporte coletivo, com pontos de ônibus na Avenida Anhahgue­ra e também na Avenida B (rua 3). O prédio pode atender a pro­gramas de reabilização de idosos e para criar oportunidades para os jovens. É um patrimônio que a prefeitura deve abrir mão”, resume.