Deputados de dez partidos – PSL, PT, PSDB, DEM, Podemos, PSOL, PSB, Rede, PCdoB e PV – já assinaram pedido para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro pelos supostos crimes de prevaricação, obstrução a investigações, advocacia administrativa e outros. PRG investiga denúncias contra a sua atuação na Lava Jato.

Quando foi o todo-poderoso juiz da 13 Vara Criminal de Curitiba, onde comandou a Lava Jato, Sérgio Moro foi dezenas de vezes acusado por passar por cima da lei. Abusou do uso de conduções coercitivas – instrumento que só pode ser usado quando o intimado se recusa a comparecer a uma audiência. Moro levou muitos acusados a “depor debaixo de vara”, jargão da advocacia que quer dizer que a pessoa foi levada pela polícia à frente do juiz ou do promotor. Moro grampeou advogados de investigados, como os que representavam o ex-presidente Lula; vazou ilegalmente audio de conversa da então presidenta Dilma Roussef para a TV Globo – no qual poderia ter sido enquadrado na Lei de Segurança Nacional. Mais: fez centenas de empresários e políticos presos mofarem nos porões da prisão em Curitiba, abusando do instrumento da prisão preventiva, de onde estes só saíam se fizessem uma delação premiada.

No governo do presidente Jair Bolsonaro, como ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro negligenciou as denúncias de que Fabrício Queiroz, ex-assessor do deputado estadual (hoje senador) Flávio Bolsonaro, operava uma quadrilha no gabinete do filho 01 na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. Mais:  Moro se postou ao lado dos milicianos que se infiltraram na greve das polícias no Ceará e na Bahia, maculando o cargo de ministro, afrontando a Constituição e colocando em risco a vida da população. Após 147 mortes no Ceará por conta da greve, teve a pachorra de dizer que “a situação está sob controle”.

Por tudo isto e muito mais, o ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, definiu Sérgio Moro numa entrevista para a CNN como um ministro medíocre.

“Eu acho que Moro fez uma opção errada ao ter atuado de maneira tão enfática nos processos do PT, especialmente do presidente Lula, e depois aceitar o convite para integrar o governo do adversário do PT, do Bolsonaro. Acho que foi uma trajetória errada. Como ministro da Justiça, nós não vamos lembrar dele. Vamos lembrar dele como esse personagem que brigou com o Bolsonaro no final. Não deixou nenhuma marca na segurança pública, não deixou nenhuma marca no que diz respeito às funções do Ministério da Justiça. Eu diria que foi uma passagem média ou medíocre. Tentou ser político e não se saiu bem. Me parece que de fato ele veio para uma Champions League mas na verdade estava qualificado para disputar um campeonato lá do interior do Paraná”.

CPI do Moro

Ontem deputados de dez partidos partidos – PSL, PT, PSDB, DEM, Podemos, PSOL, PSB, Rede, PCdoB e PV – já assinaram pedido para instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) com o objetivo de investigar o ex-ministro da Justiça e Segurança Pública Sergio Moro pelos supostos crimes de prevaricação, obstrução a investigações, advocacia administrativa e outros.

De acordo com o documento, protocolado em abril pelo deputado Rogério Correia (PT-MG) a intenção é apurar “os indícios de supostos crimes do Sr. Sergio Moro quando ministro, como prevaricação, obstrução a investigações, advocacia administrativa, dentre outros, tudo em proveito próprio ou alheio”.

Proposto pelo deputado Rogério Correia, o pedido de CPI visa a apurar “os indícios de supostos crimes do Sr. Sergio Moro quando ministro, como prevaricação, obstrução a investigações, advocacia administrativa, dentre outros, tudo em proveito próprio ou alheio”.

Entre os signatários da CPI estão os deputados Kim Kataguiri, do DEM, Carlos Sampaio, Alexandre Frota e Samuel Moreira, do PSDB, e Marcelo Freixo, Luiza Erundina, David Miranda, do PSOL.

Ao todo, para instalação da CPI, são necessárias 171 assinaturas. Até agora, o documento conta com 83. Segundo Correia, há um trabalho para ampliar o número de apoios.

PGR negocia delação  de Taca Duran, advogado que acusa Moro e Lava Jato de “maus-feitos”

A cúpula da PGR (Procuradoria-Geral da República) já recebeu documentos e perícias do advogado Rodrigo Tacla Duran no pré-acordo de delação premiada que envolve a atuação de um dos melhores amigos de Sergio Moro na Lava Jato.

Em 2017, Duran disse à Folha que fez pagamentos a um advogado amigo de Moro que prometeu suavizar sua situação na Lava Jato.

Os procuradores estão impressionados com o fato de Duran ter conseguido vitórias importantes nos EUA e na Espanha em relação à Lava Jato, informa a jornalista Mônica Bergamo em sua coluna na Folha de S.Paulo.

O fato de os dois países terem sistemas jurídicos sólidos reforça a credibilidade de Duran. Preocupado com a reabertura do caso, Moro reage dizendo que Duran é um criminoso sem credibilidade.

Entenda mais sobre o caso vendo o vídeo abaixo:

 

 

Com informações da Folha, Brasil247, Conversa Afiada, Blog do Esmael, Correio Braziliense e TVT.