Vai chegando ao fim o primeiro mês de 2019 e o balanço é surpreendente. Em 31 dias de governo do presidente Jair Bolsonaro(PSL-RJ) o país presenciou o fiasco de sua ida em Davos(Suíça),  descobriu ligações do filho, o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), com as milícias e grupos de extermínio no Rio de Janeiro; a Vale do Rio Doce cometeu mais um crime em Minas Gerais, um deputado federal renunciou ao mandato acossado por ameaças de morte, e o ex-presidente Lula teve mais um direito negado.

 

A renúncia do combativo deputado federal Jean Wyllis (PSOL-RJ) do seu mandato, não mereceu um gesto sequer do governo brasileiro. O repeteco do mar de lama da Vale do Rio Doce em Minas Gerais, põe por terra o discurso de extinção do Ibama, ICMBio e da legislação ambiental do presidente Bolsonaro.  Da mesma forma, a negativa ao direito do ex-presidente Lula de prestar suas homenagens ao irmão morto expõe aquilo que o mundo já sabe: Lula é um preso político.

Diante de todos estes fatos, não se ouviu uma única palavra do ministro da Justiça (?), Sérgio Moro.

Nenhum diretor da Vale do Rio Doce foi preso, embora a empresa seja reincidente. As vítimas de Mariana (MG) e o Rio Doce ainda esperam da Vale as medidas para reparar o mal que lhes foi feito. Mariana e Brumadinho não foram desastres. Foram crimes perpetrados pela Vale, a única das grandes mineradoras do mundo a utilizar barragens de dejetos, enquanto noutros países, como Canadá, Austrália e EUA, as mineradoras fazem o tratamento dos rejeitos.

O ministro da Justiça (?) está calado diante do crime da Vale do Rio Doce, não se move sobre das acusações que pesam contra o filho do presidente e não se abala com a renúncia de um Parlamentar, que não confia na proteção à sua vida. O único gesto de Moro foi negar ao ex-presidente Lula a escolta da Polícia Federal para que pudesse velar e enterrar o irmão Vavá, no dia de hoje (30/01) em São Bernardo do Campo (SP).

Dois pesos
Nos últimos anos, o ex-juiz federal Sérgio Moro, através de sua atuação na 13 Vara da Justiça Federal em Curitiba-PR, se comportou como campeão da moralidade, ícone da luta contra a corrupção, portador da verdade e da chama da indignação diante do escândalo de corrupção promovido por diretores da Petrobrás indicados pelo PSDB, PMDB e nos governos FHC (1995-2002), Lula (2003-2010) e Dilma (2011-2015).
É preciso dizer que os diretores da Petrobrás que foram presos, já estão em liberdade ou prisão domiciliar, e pelo acordo de delação premiada voltaram para suas casas com algemas eletrônicas nos tornozelos e com milhões depositados nas contas.
Nenhum tesoureiro do PSDB, MDB ou PP foi preso. Na cadeia mofam apenas os petistas responsáveis pela arrecadação de fundos do partido e o ex-presidente Lula, que diga-se de passagem, foi condenado sem provas por “fatos indeterminados”, seja lá o que seja isto no ordenamento jurídico brasileiro.

Duas medidas
Sérgio Moro não deu um pio quando o vice-presidente da República, o general Hamilton Mourão (PRTB) acabou com a Lei da Transparência promulgada pela presidenta Dilma Roussef em 2011.

O ministro da Justiça não se moveu para dar garantias a um parlamentar brasileiro que é vítima de ameaças de morte e que preferiu renunciar ao mandato e exilar-se na Espanha, a ter que sofrer o mesmo destino da sua colega de partido, a vereadora Mariela Franco, metralhada em março de 2018 por milicianos, que segundo as investigações do Ministério Público do Rio de Janeiro, tem ligações políticas com o deputado estadual senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL-RJ).

Milícias no Alvorada
A Operação Os Intocáveis”, deflagrada pelo MP-RJ no dia 22 de janeiro chegou ao milicianos que operam em Rio das Pedras o Escritório do Crime, grupo de extermínio que é apontado como suspeito da morte da vereadora Mariele Franco. Dois milicianos foram homenageados na Assembleia Legislativa do Rio (Alerj) pelo deputado e senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) com a mais alta honraria do Poder Legislativo do Estado, a Medalha Tiradentes.

Segundo a revista Veja desta semana, quando recebeu a homenagem, o major Adriano Magalhães da Nóbrega estava preso  por participação em uma chacina na Baixada Fluminense.

De acordo com o MP-RJ, a mãe e a mulher do miliciano e ex-capitão do Bope Adriano Magalhães trabalharam até novembro passado no gabinete de Flávio Bolsonaro. A mãe, Raimunda Veras Magalhães, tinha salário de R$ 6.490,35 e repassava parte dele para Fabrício Queiroz, o ex-motorista de Flávio que vem sendo apontado como possível “laranja”, termo dado a quem empresta seu nome para ocultar o nome de outro em crimes de lavagem de dinheiro e corrupção.

Segundo o jornal O Globo, Queiroz se escondeu durante duas semanas em Rio das Pedras, quartel-general dos milicianos, quando explodiu em dezembro do ano passado o escândalo dos R$ 7 milhões em movimentações bancárias entre 2014 e 2017, das dezenas de envelopes depositados religiosamente na conta de Flávio e de um cheque de R$ 24 mil destinado à primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Amigo do rei
Moro colocou na cadeia em 2018, o único político que poderia derrotar Jair Bolsonaro. As pesquisas eleitorais de 2018 feitas pelo Ibope, Datafolha e Vox Populi davam como certa a eleição do ex-presidente Lula no primeiro turno. Em janeiro, com a vitória de Bolsonaro, assumiu incontinenti o Ministério da Justiça.
Lula está preso sem provas. A ele foram negados habeas corpus, pedidos de revisão nas instâncias superiores e até mesmo o direito de velar e enterrar o próprio irmão, conforme garante a Lei de Execução Penal.
O artigo 120 da lei prevê que os condenados poderão obter permissão para sair do estabelecimento onde estão presos, sob escolta, em razão de “falecimento ou doença grave do cônjuge, companheira, ascendente, descendente ou irmão”. O pedido deve ser encaminhado ao diretor do estabelecimento onde se encontra preso.

O ex-juiz e hoje ministro Sérgio Moro criou empecilhos para que Lula exercesse o seu direito. A Polícia Federal, que está sob o seu comando emitiu nota dizendo que não tinha agentes em número suficientes para dar segurança a ida de Lula ao velório do ,de seu irmão mais velho, Genival Inácio da Silva, conhecido como “Vavá”, que morreu aos 79 anos, em decorrência de um câncer no sistema sanguíneo.

Lula não pode ir ao enterro que foi realizado nesta quarta-feira, em São Bernardo do Campo (SP), no cemitério Pauliceia. Moro, porém, compareceu de corpo presente ao enterro de sua biografia.