Miguel Reale Jr. jurista que propôs o impeachment da presidenta Dilma Roussef, diz que Bolsonaro apresenta graus de insanidade e deve ser alvo de interdição, ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello condenou a fala de Bolsonaro sobre a morte do pai do presidente da OAB e afirma que falta uma mordaça mandatário do país.

Tem sido duras as reações à fala do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) contra o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil, Felipe Santa Cruz. Ontem, o Bolsonaro provocou Santa Cruz dizendo: “Se o presidente da OAB quiser saber como o pai desapareceu no período militar, eu conto para ele”. O presidente também sugeriu que Fernando Santa Cruz, pai do presidente da OAB, teria sido morto por militantes de esquerda em 1974.
Antes de falar sobre o pai de Santa Cruz, Bolsonaro criticou a atuação da OAB no caso de Adélio Bispo e perguntou qual era a intenção da entidade. Segundo o presidente, a ordem teria impedido o acesso da Polícia Federal ao telefone de um dos advogados do autor da facada.

STF
Ao ser perguntado sobre o que achou da fala do presidente Jair Bolsonaro (PSL-RJ) o ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), disse, nesta terça-feira (30) ao blog de Tales Faria, no UOL:

“No mais, apenas criando um aparelho de mordaça”.

Marco Aurélio disse ainda: “Tempos estranhos. Aonde vamos parar?”

Um outro ministro do STF ouvido pelo blog sob a condição de anonimato argumentou:

“O pior de tudo é o mau exemplo, a associação do sucesso político ou qualquer outro à incivilidade e à grosseria. Por outro lado, acho que pode ser um marco de como as pessoas não devem ser. A repugnância tem sido geral.”

Morte
O documento secreto RPB 655, elaborado pelo Comando Costeiro da Aeronáutica, mostra que Jair Bolsonaro mentiu, ao dizer, nesta segunda-feira, que Fernando Santa Cruz foi morto por militantes de esquerda. O relatório militar comprova que o pai do presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, foi preso pelo regime em 22 de fevereiro de 1974, por agentes do Doi-Codi, no Rio de Janeiro e posteriormente assassinado nas dependências da Aeronáutica.
O documento, anexado ao relatório da Comissão Nacional da Verdade (CNV), comprova que Santa Cruz estava sob custódia do Estado quando foi assassinado. Em depoimento à CNV, o ex-delegado Cláudio Guerra disse que o corpo teria sido incinerado na Usina Cambahyba, em Campos.

Interdição
Miguel Realle Júnior, jurista que foi um dos autores do impeachment da presidenta Dilma Roussef (PT), disse em entrevista à Rádio Guaíba, de Porto Alegre, que as atitudes intempestivas do presidente endossam as teses que questionam a sua sanidade mental. “É caso de interdição”, considera Miguel Reale Jr., sobre Bolsonaro
Para jurista, atitudes do capitão da reserva podem ser associadas ao imperador romano Nero, associado à tirania. Ex-ministro da Justiça no governo de Fernando Henrique Cardoso, Reale disse que o chefe do Executivo federal quer destruir a sociedade civil ao desmerecer todo o corpo científico do país e ainda reverenciar o período ditatorial.

“Nós estamos, realmente, dentro de um quadro de insanidade, a mais absoluta. Não é mais caso de impeachment, é caso de interdição”, reiterou;

Fascismo cultural
Em entrevista para ao programa Esfera Pública, da Rádio Guaíba, Miguel Reale Jr. classificou o presidente como “BolsoNero”, em alusão ao imperador romano, associado à tirania.
“Isso é fascismo cultural. O que não estiver de acordo, com sua rasa compreensão, tem que ser queimado por isso que eu digo, ele é um ‘Bolsonero’”, disparou. O jurista ainda condenou a iniciativa do governo federal de limitar a atuação dos conselhos profissionais Brasil afora ao definir que a filiação a essas entidades deva ser opcional, e não obrigatória, para o exercício da profissão.
O projeto visa impactar diretamente nas regras de conduta de categorias como médicos, advogados e engenheiros, por exemplo.
“Bolsonaro está decompondo todo arcabouço de inteligência, crítica e pensamento situado na sociedade civil. Ele desmerece os organismos científicos. Ele acaba de propor um projeto de lei que elimina a necessidade de inscrição na OAB, CRM ou no Conselho Federal de Economia, ou seja, não sei se é um plano, ou algo alucinado de querer desconstituir tudo aquilo que compõe a inteligência, o pensamento e a sensibilidade brasileira”, alertou.
Miguel Reale Jr. também se solidarizou ao presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, em função das declarações de Bolsonaro. “Eu queria expressar minha solidariedade ao presidente da OAB, que foi ferido de forma inadmissível. É um fato gravíssimo”, repudiou.

Com informações da Rádio Guaíba e UOL.