Dez deputados e um senador, todos bolsonaristas, tiveram os sigilos fiscais quebrados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), no inquérito que apura a organização de financiamento de atos antidemocráticos. A decisão do ministro, que conduz as investigações, foi tomada no dia 27 de maio.

As diligências do inquérito, aberto a pedido da Procuradoria-Geral da República em abril, começaram a andar na segunda-feira (15), quando a Polícia Federal deu início ao cumprimento de seis mandatos de prisão contra integrantes do grupo bolsonarista ‘300 do Brasil’. Uma de suas lideranças, a extremista Sara Fernanda Giromini, foi presa.

Nesta terça-feira (16), uma força-tarefa voltou às ruas para cumprir 21 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Maranhão, Santa Catarina e no Distrito Federal. Entre os alvos da ação de hoje estão o deputado federal bolsonarista Daniel Silveira (PSL-RJ), que está na lista dos que tiveram sigilo fiscal quebrado, o blogueiro Allan dos Santos, o empresário e advogado Luís Felipe Belmonte, principal operador político do Aliança pelo Brasil, o publicitário Sérgio Lima, marqueteiro do partido que o presidente Jair Bolsonaro tenta criar, e o investidor Otavio Fakhoury, financiador do site Crítica Nacional. A ofensiva mira ainda youtubers bolsonaristas.

Quem são os parlamentares bolsonaristas invesgigados:

Deputado Daniel Silveira  aparece ao lado do então candidato ao governo do Rio, Wilson Witzel, destruindo placa em homenagem à vereadora Mariella Franco – foto Reprodução Folha

Daniel Silveira, deputado federal (PSL-RJ)

Junior do Amaral, deputado federal (PSL-MG)

Otoni de Paula, deputado federal (PSC-RJ)

Caroline de Toni, deputada federal (PSL-SC)

Carla Zambelli, deputada federal (PSL-SP)

Alessandra da Silva Ribeiro, deputada federal (PSL-MG)

Beatriz Kicis, deputada federal (PSL-DF)

Coronel Girão, deputado federal (PSL-RN)

José Guilherme Negrão Peixoto, deputado federal (PSL-SP)

Aline Sleutjes, deputada federal (PSL-PR)

Aroude de Oliveira, senador (PSC-RJ)

Quem são os blogueiros e empresários investigados:

O blogueiro Alan dos Santos é seguidor do astrólogo Olavo de Carvalho e faz críticas contra o STF, jornalistas e opositores de Bolsonaro

Quem foi alvo da operação:

Luís Felipe Belmonte: empresário, advogado e um dos principais financiadores e organizadores do Aliança, partido que Bolsonaro pretende criar. É o primeiro suplente do senador Izalci Lucas (PSDB-DF). Também é dono de um time de futebol em Brasília.

Sérgio Lima: publicitário que atua com Bolsonaro na construção do Aliança. Segundo o jornal “O Globo”, ele foi o responsável pelo logotipo, pelo site e pelo aplicativo de coleta de assinaturas da legenda.

Daniel Silveira (PSL-RJ): deputado federal ultrabolsonarista, um dos que destruiu placa em homenagem à vereadora Marielle Franco.

Allan Santos: blogueiro bolsonarista do “Terça Livre”

Alberto Silva: também é blogueiro ligado a Bolsonaro e atua no canal “Giro de Notícias”.

Adilson Dini: youtuber bolsonarista do canal Ravox Brasil. Os policiais fizeram busca em seu endereço em Poços de Caldas (MG)

Otavio Fakhoury: investidor do setor imobiliário, um dos fundadores do Aliança e colaborador do site bolsonarista “Crítica Nacional”.

 

Ministro Luiz Fux envia notícia crime contra Daniel Silveira

O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), encaminhou à Procuradoria-Geral da República (PGR), para as providências que entender cabíveis, os autos da Petição (PET) 8927, em que a deputada federal Gleisi Hoffmann (PT-PR) apresenta notícia-crime contra o deputado federal Daniel Silveira (PSL-RJ) pela suposta prática dos crimes de incitação e apologia ao crime.

Na PET, a parlamentar explica que o deputado teria gravado e publicado em suas redes sociais um vídeo proferindo ameaças, “com um alto grau de violência”, contra manifestantes antifascistas que estão organizando atos em todo o país em defesa da democracia.

 

STF mantem Weintraub no inquérito sobre as fake news

Em julgamento virtual, o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) formou maioria para rejeitar o habeas corpus, impetrado pelo ministro da Justiça, André Mendonça, que tentava retirar o ministro da Educação, Abraham Weintraub, do rol de investigados do inquérito das fake news, que investiga a divulgação de notícias falsas e ameaças a integrantes da corte.

Até a noite da segunda-feira, haviam votado para barrar o recurso os ministros Edson Fachin, relator do pedido, Cármen Lúcia, Rosa Weber, Gilmar Mendes, o decano Celso de Mello e o presidente do STF, Dias Toffoli.

Os ministros seguiram a linha do voto de Fachin, a favor de arquivar o pedido sem analisar o mérito, alegando questões processuais. Para ele, esse não era recurso adequado para questionar a decisão de Alexandre de Moraes, relator do inquérito das fake news.

Esse julgamento do STF ocorre no momento em que crescem especulações sobre uma eventual saída de Weintraub do governo, após ele ter comparecido fim de semana de um protesto de apoiadores do presidente Jair Bolsonaro em Brasília.

Em uma entrevista na segunda, Bolsonaro disse que Weintraub não foi muito prudente em participar do ato. Em vídeo nas redes sociais, o ministro voltou a falar em “vagabundos” ao comentar o inconformismo de quem disse pagar imposto e ver corruptos roubarem.

Weintraub havia usado a expressão “vagabundos na cadeia” em reunião ministerial de 22 de abril, quando defendeu a prisão de ministros do Supremo. Por esse comentário, Alexandre de Moraes determinou que o ministro fosse interrogado pela Polícia Federal, mas ele preferiu permanecer em silêncio durante o interrogatório.

Quanto à participação do ministro no dia seguinte, um grupamento de pessoas que não foi aquele grupo de pessoas que soltou os fogos para cima do STF, eu acho que ele não foi muito prudente em ele participar desta manifestação, apesar de nada de grave ele ter falado ali. Mas não foi um bom recado ali”, disse Bolsonaro, em entrevista.