No Morro da Providência e na zona portuária da capital é o comitê SOS Providência que vem dando suporte aos moradores para reduzir os casos da doença.

RBA – São Paulo – Mais um exemplo de auto-organização das favelas, nesse momento de crise sanitária e abandono do estado, vem do Morro da Providência, na área central da cidade do Rio de Janeiro. Moradores e projetos sociais que atuam no território vêm realizando ações de mapeamento das principais demandas da comunidade, além de monitorar os casos de covid-19 na região.

Chamado de SOS Providência, o comitê de emergências atua também na região portuária da cidade fluminense. E tem contribuído com a distribuição de cestas básicas, de alimentos orgânicos, na produção de máscaras e instalação de bicas. Mais recentemente, o comitê deu início ao trabalho do Morador Monitor. Uma “estratégia de comunicação”, de acordo com o integrante do SOS Providência Hugo Oliveira, “para fazer um levantamento e diagnóstico de como está o território diante de toda a ausência do Estado, com os devidos cuidados que deveriam ter conosco”.

E é só no ‘nós por nós’ mesmo. Essa tecnologia, que a gente chama e brinca, que vem dando condições para continuarmos enfrentando (a pandemia)”, explica Hugo Oliveira

Oliveira explica que, com os Moradores Monitores, a orientação para os casos de suspeitas e grupos de risco da doença tem se mostrado mais eficiente. Além de fornecer dados confiáveis para a elaboração de ações mais direcionadas e eficientes no controle da doença e de seus efeitos sobre a comunidade.

Nós por Nós

É desse modo que o comitê vem conseguindo mapear as famílias em situação de urgência para recebimentos das cestas básicas, e de outras demandas. Como a instalação de torneiras públicas ou mesmo de orientações para o recebimento do auxílio emergencial. O SOS Providência agora nota uma alta na procura da comunidade por atendimento psicológico.

Até o início de junho, o Morador Monitor já havia cadastrado mais de 2.600 domicílios, contemplando 8.525 moradores. O levantamento também identificou que 31% das pessoas estão no grupo de risco da covid-19 e que 49% tiveram o auxílio emergencial reprovado. A imensa maioria dos moradores (81%) está sobrevivendo com renda equivalente a até um salário mínimo (R$ 1.045).

“A quantidade de pessoas e famílias que demandam hoje por alimentos e cuidados é enorme”, conta Oliveira à repórter Viviane Nascimento do Seu Jornal, da TVT. “E é só no ‘nós por nós’ mesmo. É essa tecnologia, que a gente chama e brinca, que vem dando condições para continuarmos enfrentando (a pandemia) de forma minimamente possível. Porque se a gente for esperar por algum tipo de atuação do governo, já vimos o que vai acontecer. Vamos ficar à míngua. Os nossos parentes vão morrer e eles vão contabilizar isso como dado, são só números”, lamenta o integrante do SOS Providência.

Assista à reportagem da TVT: