Ferramenta de operadoras de telefonia móvel é mais um recurso para auxiliar o Comitê de Enfrentamento ao novo Coronavírus nas tomadas de decisões na cidade. Escalonamento regional assegura previsibilidade e recebe adesão de 98% dos comerciantes.

Aparecida de Goiânia registra índice de isolamento social de 48% no meio de semana e picos de 51% aos fins de semana. Os dados são da Plataforma Big Data Telcos Covid-19. Desde que iniciou o isolamento social intermitente por escalonamento regional, em 8 de junho, até 6 de julho a cidade oscilou entre 43,9% (26/06) e 51,8% (05/07). Na maioria dos dias, foi registrado taxa de isolamento social de 48%. No dia 07/07 o índice estava em 49,2%.

O fenômeno se repete em nível estadual. Conforme a plataforma Telcos Covid-19, entre 18 de março e 6 de julho o maior pico de isolamento social em Goiás ocorreu no dia 29 de março, quando foi registrado 56%, e o menor, em 18 de março, com 40,5%. Nos dias de semana, em nível estadual a taxa de isolamento social é semelhante a realidade de Aparecida.

No dia 16 de junho, uma semana após o início do escalonamento regional, a plataforma registrava 49% de isolamento social em Aparecida. Os números mantiveram uma média, tendo o menor índice registrado no dia 26 de junho, com 43,9%, e subindo para 51,8% no último domingo, data em que foi iniciado o escalonamento no cenário laranja, de risco alto.

A plataforma de monitoramento do isolamento social foi lançada pelas cinco maiores operadoras de telefonia móvel do país e está disponível para prefeituras e governos estaduais.

A gestão do prefeito Gustavo Mendanha é uma das primeiras a aderir a plataforma no país. É mais uma ferramenta para auxiliar o Comitê de Enfrentamento ao novo Coronavírus nas tomadas de decisões em Aparecida.

A plataforma oferecida pelas empresas de telecomunicações apresenta dados desde 26 de fevereiro, quando foi confirmado o primeiro caso de novo coronavírus no país. Naquela quarta-feira de cinzas, o índice de isolamento social era de 35,8%. Em todo este período, o menor índice de isolamento foi em 13 de março, quando registrou 31,7%.

Aparecida fez inicialmente 30 dias direto de isolamento social para conter o avanço da Covid-19. O isolamento social horizontal começou em 19 de março e durou até 19 de abril. Neste período, o dia que registrou a maior taxa de isolamento social foi em 21 de abril, com 54,7%, e o menor índice foi em 19 de março, com 37,9%.

Em 22 de abril, o Comitê publica a Portaria 028 adotando a Matriz de Risco do Ministério da Saúde e aponta que, considerando nota técnica da Secretaria de Saúde e a taxa de ocupação dos leitos de UTIs, a cidade encontrava-se no cenário estável/verde e, por isso, apresenta um plano de retomada responsável de 82% das atividades econômicas, a partir de 28 de abril. Entre 28 de abril e 11 de maio – os primeiros 14 dias de retomada das atividades econômicas – a taxa de isolamento social, em média, foi de 48%.

Em 5 de junho, quando o Comitê publica a Portaria 035 adotando o isolamento social intermitente por meio do escalonamento regional, Aparecida registrou 48,6% de isolamento social. De 8 a 30 de junho, quando a cidade já vivia a regra do isolamento social intermitente, a média de isolamento social foi de 48%, atingindo picos de 51%.

Escalonamento regional 

A Prefeitura de Aparecida acredita que a alta no fator isolamento social é um resultado prático do funcionamento das escalas de abertura e fechamento do comércio por região (macrozona). Esse regime de isolamento social intermitente foi implementado com o intuito de diminuir a movimentação de pessoas nas ruas e, ao mesmo tempo, aumentar o distanciamento social.

Aparecida foi dividida em 10 macrozonas e, no dia de fechamento de cada região, entre segunda e sexta, fecham-se até supermercados, padarias e postos de combustíveis.

“Essa estratégia tem se mostrado muito assertiva para que a gente continue fazendo uso dela no enfrentamento à pandemia com o maior equilíbrio possível, preservando vidas e o cenário socioeconômico de Aparecida”, avalia o secretário municipal de Saúde, Alessandro Magalhães – que preside o Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Novo Coronavírus Covid-19.

Na avaliação da Prefeitura de Aparecida, o escalonamento regional tem alcançando seus objetivos por oferecer vantagens para a população e para a administração municipal.

A primeira vantagem é a previsibilidade. Seguindo a matriz de risco do Ministério de Saúde, a Prefeitura de Aparecida já traçou seu plano de ações considerando restrições e concessões de acordo com quatro cenários diferentes (verde, amarelo, laranja e vermelho). Assim, o empresário pode se programar para o abre e fecha necessário nesta pandemia.

Outra vantagem é que, com as regiões fechadas em dias diferentes, a Prefeitura de Aparecida pode concentrar as equipes de fiscalização naquela macrozona que está sob restrições. Assim, a administração municipal garante o cumprimento integral do isolamento social intermitente.

Nas quatro primeiras semanas do escalonamento regional, as equipes de fiscalização registraram adesão de 98% das 53 mil atividades econômicas de Aparecida. É um fator possivelmente ligado ao diálogo do prefeito Gustavo Mendanha com os comerciantes locais. Duas semanas antes das medidas restritivas, o prefeito reuniu empresários de diferentes segmentos em videoconferências para ouvir suas sugestões e tomar decisões.

Avenida Vitorino Melo, Setor Madre Germana. O bairro está na macrozona Garavelo, que no cenário laranja fecha às terças, quartas e também aos sábados, depois das 13h, e aos domingos, o dia todo – Foto: Enio Medeiros