O governo (?) do presidente (?) Jair Bolsonaro (PSL-RJ) não se cansa de arrumar problemas com os maiores compradores de produtos brasileiros. Depois de provocar suspensão de importações de carne brasileiras pelo mundo árabe, pelas suas declarações favoráveis a instalar a embaixada do Brasil em Jerusalém,  e ainda, depois do anúncio da China em importar dos Estados Unidos, US$  20 bilhões em soja e outros grãos- devido às suas declarações contra o regime chinês -, o presidente agora quer tirar a Huawei do Brasil. Trata-se apenas da maior fabricantes de celulares do mundo. A revelação foi feita pelo ministro (e astronauta) Marcos Pontes. Nada mais irônico a declaração vir dele. Mostra que todo mundo neste governo (?) está mesmo no mundo da Lua.

O Jornal GGN, do jornalista Luis Nassif deu a notícia em primeira mão: “O Ministério da Ciência e Tecnologia não tem como fazer qualquer interferência geopolítica. A nossa posição é mais técnica. A decisão sobre a fabricante chinesa Huawei caberá ao presidente Bolsonaro”, disse o astronauta e ministro da Ciência, Tecnologia, Inovação e Comunicação (MCTIC), Marcos Pontes ao portal Mobile Time.

De acordo com matéria feita pelo UOL, “das mais de 86 mil estações rádio base (ERBs) em operação no Brasil, segundo a Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações), cerca de 70 mil foram fabricados pela Huawei. Isso quer dizer que 81% das antenas de celular têm o DNA da chinesa. Esses equipamentos são os responsáveis por transmitir sinal 2G, 3G e 4G a smartphones, modens, maquininhas de celular e todo tipo de aparelho que usa rede móvel”.

Ainda segundo a reportagem do UOL, a Huawei está instalada há 20 anos no Brasil. A empresa chinesa ganhou espaço por aqui e no mundo cobrando preços mais competitivos que as rivais Ericsson, da Suécia, e Nokia, da Finlândia. Sua fábrica de 34 mil m² da Flex, em Sorocaba (SP). “Lá, a chinesa mantém ainda um laboratório de “internet das coisas”. Ainda que não informe seu faturamento no país, a companhia dá uma ideia de seu volume de negócios no país: calcula ter vendido R$ 1,9 bilhão em equipamentos nos últimos três anos”, revela.

Guerra comercial EUA-China

O governo Bolsonaro está tomando partido dos EUA na guerra do governo de Donald Trump contra o governo chinês. Segundo Luis Nassif, “no final do ano passado, os Estados Unidos iniciaram uma perseguição à maior fornecedora de equipamentos para redes de telecomunicações do mundo. A primeira ação foi deflagrada em dezembro, quando a diretora financeira da companhia chinesa, Meng Wanzhou, foi detida no Canadá a pedido dos norte-americanos que acusam a executiva e a Huawei da prática de lavagem de dinheiro, fraude bancária e roubo de segredos tecnológicos. A executiva foi libertada logo em seguida, mas encontra-se sob vigilância no Canadá enquanto tramita um processo de extradição para os EUA”, comenta.

O Jornal GGN  mostra declarações do CEO e fundador da Huawei Ren Zhengfei que acusa os Estados Unidos de tentar destruir a companhia. Os norte-americanos trabalham juntos aos países aliados para convencê-los de que o uso de equipamentos da chinesa em redes 5G trará implicações militares, levando Austrália e Nova Zelândia a proibirem a compra de equipamentos da Huawei. Por outro lado, um relatório produzido pela inteligência britânica e divulgado pelo “Financial Times” no dia 17 de fevereiro concluiu que é possível mitigar o risco de usar equipamentos da chinesa em redes 5G.

A fala do ministro Marcos Pontes, divulgada durante o Mobile World Congress 2019 (MWC19), um dos congressos de tecnologia móvel mais importantes do mundo que acontece todos os anos em Barcelona, na Espanha, coloca o Brasil no debate geopolítico. Isso porque a Huawei mantém uma série de parcerias no país ligados à implementação de programas de telecomunicações e novas tecnologias.

A empresa chinesa também é detentora do projeto Nexans de conectividade intercontinental via fibra óptica entre a África e o Brasil, pelo Atlântico Sul, concluído em setembro de 2018. A companhia mantém ainda, desde 2013, uma parceria com o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), na condução de um laboratório em Campinas (SP) onde são realizados testes para a avaliação de conformidade e certificação de tecnologias como redes ópticas para transmissão de alta velocidade (GPON) e núcleo de rede de alta velocidade.

Em âmbito mundial, a Huawei está em dois projetos mundiais de telecomunicações de alta velocidade. Em novembro passado, a companhia anunciou, durante o 9º Fórum Global de Banda Larga Móvel, a entrega das primeiras 10.000 estações rádio base 5G pelo mundo, a assinatura de novos contratos comerciais e fez demonstrações de banda larga doméstica de 5G.

Recentemente, a alemã Deutsche Telecom disse que se os equipamentos e o know howda chinesa forem banidos do território, a Alemanha irá sofrer um atraso de pelo menos 3 anos na implementação da tecnologia 5G. (Com informações do Jornal GGN e UOL).