O Ministério Público do Peru abriu, na última segunda-feira (05), uma nova investigação contra a direitista Keiko Fujimori e seu partido Força Popular por suposta lavagem de dinheiro durante a campanha presidencial de 2021. Candidata presidencial também é investigada por delitos durante campanha nas eleições de 2011 e 2016.

A investigação parte da revelação de áudios que mostram o ex-homem forte da ditadura de Alberto Fujimori (1990-2000), Vladimiro Montesinos, propondo subornar três juízes membros do Júri Eleitoral Nacional (JNE) para reverter os resultados das eleições que dão vitória a Pedro Castillo, do Peru Libre, e lavar dinheiro supostamente em nome de Keiko.

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O procurador José Domingo Pérez, que lida com casos de corrupção e também da Lava Jato no país, aponta que os áudios trazem “comunicações telefônicas entre Vladimiro Montesinos, o ex-militar Pedro Rejas e o advogado Guillermo Sendón” sobre o “financiamento da campanha presidencial do partido Força Popular”. A investigação ocorrerá no prazo de 36 meses.

No final de junho, o Ministério Público do Peru já havia anunciado uma investigação sobre tais áudios de Montesinos para permitir que Keiko tivesse seus recursos aceitos e fosse declarada vencedora das eleições presidenciais do país.

O fato levou a Marinha de Guerra peruana a anunciar que também investigaria o caso. Segundo o órgão, o ex-assessor de Fujimori tinha autorização para fazer ligações à esposa. Montesinos está preso na Base Naval de Callao após ser condenado a 25 anos de prisão por violações de direitos humanos.


Filha do ex-ditador Alberto Fujimori também está sendo investigada por financiamento irregular em suas campanhas presidenciais em 2011 e 2016 / Luka GONZALES / AFP

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As conversas de Montesinos de dentro da prisão também apontam que o ex-homem do fujimorismo tentou conseguir uma intervenção dos Estados Unidos no país. Segundo o jornal La República, o militar da reserva pediu à equipe de campanha de Keiko que apresentasse à embaixada norte-americana no Peru as alegações de supostas fraudes eleitorais.

O periódico afirma que a intenção seria “atrapalhar o processo eleitoral em favor de Keiko”. Nos áudios, Montesinos fala que, com essa medida, a Casa Branca poderia emitir uma nota “para impedir que Cuba, Venezuela e Nicarágua se imponham no Peru” e que tal declaração “teria um peso grande”.

No dia 23 de junho, no entanto, até os EUA reconheceram que as eleições que deram vitória a Pedro Castillo foram “livres, justas, acessíveis e pacíficas” e um “modelo de democracia”.

A filha do ex-ditador Alberto Fujimori também está sendo investigada por financiamento irregular em suas campanhas presidenciais em 2011 e 2016.

Pelo Twitter, Keiko se defendeu e afirmou que os procedimentos do promotor Pérez são como “um show”. “O promotor, que já pediu minha prisão quatro vezes, volta ao ataque abrindo uma investigação sobre os áudios armados por Montesinos e seus amigos, me acusando de lavagem de dinheiro. Ele me envolve em conversas com pessoas que não têm relação comigo”, disse.

O procurador José Pérez já apresentou outra acusação contra a direitista por um caso no qual ela é suspeita de receber 1,2 milhão de dólares (cerca de R$ 6 milhões) da construtora brasileira Odebrecht para suas campanhas políticas entre 2011 e 2016.

Com informações do Opera Mundi