Segundo matéria do portal Uol, o Ministério da Justiça, comandado por André Mendonça, iniciou em junho uma investigação sigilosa sobre um grupo de 579 servidores federais e estaduais de segurança identificados como integrantes do “movimento antifascismo” e três professores universitários, todos críticos de Jair Bolsonaro.

De acordo com a reportagem de Rubens Valente no UOL, a pasta produziu um dossiê com nomes, fotografias e até endereços de redes sociais das pessoas monitoradas. O órgão responsável pela caça às bruxas é a Secretaria de Operações Integradas (Seopi), subordinada à Justiça.

A secretária ganhou atribuições de serviço de “inteligência” por um decreto de Jair Bolsonaro e não submete todos os seus relatórios a acompanhamento judicial. Além da Polícia Federal e do Centro de Inteligência do Exército (CIE), o Ministério da Justiça enviou o dossiê a vários órgãos públicos, como Polícia Rodoviária Federal, Casa Civil da Presidência da República, Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e Força Nacional.

Como lembra Valente, “o dossiê do Ministério da Justiça se espalhou pelas administrações públicas federal e estaduais e não se sabe a consequência dessa disseminação. Pode ser usado, por exemplo, como subsídio para perseguições políticas dentro dos órgãos públicos”.

 

Fichas iguais a ditadura

O professor aposentado da USP e ex-secretário de Direitos Humanos Paulo Sérgio Pinheiro, de 76 anos, se disse “absolutamente perplexo” com a informação de que teve o seu nome incluso num dossiê feito pelo Ministério da Justiça em junho sobre o movimento antifascismo entre servidores.

“Numa democracia como a que vivemos, uma investigação tendo alvos precisos como essa é algo totalmente inaceitável. De uma certa maneira seria recuarmos às práticas da ditadura militar. Os governos da ditadura militar também tinham fichas pessoais no mesmo formato”, disse o professor.

Doutor em ciência política pela Universidade de Paris, na França, Pinheiro foi conselheiro e presidente da CNV (Comissão Nacional da Verdade), que investigou crimes cometidos contra os direitos humanos durante a ditadura, foi secretário nacional dos direitos humanos durante o governo Fernando Henrique Cardoso e desde 2011 é o presidente da comissão independente internacional da ONU (Organização das Nações Unidas) sobre a República Árabe da Síria, com sede em Genebra, nomeado pelo conselho de direitos humanos da ONU. Ele também é membro Comissão de Defesa dos Direitos Humanos ‘Dom Paulo Evaristo Arns’, criada no ano passado.

Com informações do Uol, Conversa Afiada e Brasil 247.