Recém eleito presidente do diretório estadual do PSDB o prefeito de Trindade, Jânio Darrot demonstra que quer entrar de vez no jogo da política de Goiás.
MG, SP, RR e elegeram empresários. Darrot pode fazer o mesmo em Goiás?
Marcus Vinicius
Recém eleito presidente estadual do PSDB, o prefeito de Trindade, Jânio Darrot, pode corrigir os rumos do partido no Estado. Na campanha de 2018, o então secretário de Meio Ambiente e Recursos Hídricos, Vilmar Rocha, alertava para a necessidade de renovação. Vilmar é um dos fiadores do  “tempo novo”, a aliança formada por PSDB, PFL, PTB e PPB,  que em 1998 levaria Marconi Perillo ao poder e o PSDB a 20 anos de mando em Goiás. Como presidente estadual do PSD ele advogava que o candidato à sucessão do governador Marconi Perillo deveria ser alguém de fora dos quadros do governo, de preferência um nome novo, um empresário ou profissional liberal.
Ninguém ouviu Vilmar Rocha.
Deu no que deu.
Após duas décadas de poder, o governo do “tempo novo”, e principalmente o seu principal partido, o PSDB, sofria o que se convencionou chamar de “desgaste da máquina”. A opção de um candidato ligado a Perillo se mostrou infrutífera e o governador José Éliton (PSDB) terminou em terceiro lugar, atrás do candidato do MDB, o deputado federal Daniel Vilela.
Pesquisa indicava Otavinho
Vilmar não verbalizou à época, mas em conversas miúdas, ou no “petit comité”, avalizava que o melhor nome para representar a aliança governista era o empresário e ex-prefeito Otávio Lage Filho, o Otavinho. Ele havia feito duas gestões exitosas à frente da prefeitura de Goianésia, cidade fundada pelo seu avó, o empresário Jalles Fontoura. Seu pai, Otávio Lage de Siqueira, havia governado Goiás, eleito pela UDN pelo voto direto em 1965, contra Peixoto da Silveira (PSD), candidato do icônico Pedro Ludovico Teixeira (PSD), fundador de Goiânia e principal liderança política de Goiás àquela época.
Pesquisa encomendada pela Acieg (Associação Comercial e Industrial de Goiás) junto ao Serpes, e publicada pelo jornal Diário da Manhã em 6 de dezembro de 2017 demonstrava o potencial de Otavinho.
A pesquisa foi realizada nos dias 11 e 16 de novembro e ouviu 1.200 eleitores. Caiado liderava em todos os cenários, tendo o deputado federal Daniel Vilela (PMDB) em segundo e o vice-governador José Eliton (PSDB)  empatado com o ex-prefeito de Goianésia Otávio Lage Filho (PSDB).
Foram feitos quatro cenários na estimulada. No primeiro, o senador Ronaldo Caiado (DEM)  somava 39%, Daniel Vilela, 9%,  José Eliton 4,8%, e Otávio Lage, 3%. Na segunda estimulada, Caiado chegava a 42,5%, Daniel a 10,7%, Éliton e Otávio  empatados, com 5,8%  para Eliton e 4,5% para Otavinho. Na terceira simulação, José Eliton foi  substituído por Otávio Lage, que subiu  para 6,5%, Caiado registrou 43% e Daniel oscila a 10,9%. Na última estimulada, apenas três nomes são colocados: Caiado (44%), Daniel (12,1%) e José Eliton (6,2%).
Três empresários eleitos
Os principais colégios eleitorais do país – São Paulo e Minas Gerais -, elegeram empresários para ao governo. João Dória (PSDB),  venceu a queda de braço contra o seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin (PSDB) e derrotou o candidato deste, o governador Márcio França (PSB) por 51,25% dos votos válidos contra 48,25%.
Em Minas Gerais, o empresário Romeu Zema (Novo), deu um capote nos senadores Aécio Neves e Antônio Anastacia, do PSDB, e venceu a eleição no segundo turno por 71,80% dos votos válidos. Seu oponente, o tucano Antonio Anastasia alcançou 28,20% do eleitorado.
Um goiano de Anápolis (conterrâneo de Ronaldo Caiado) também levou à melhor em Roraima: o empresário do ramo da agropecuária Antônio Denarium (até no nome tem dinheiro!). Ele foi eleito pelo PSL, partido do presidente Bolsonaro com 53,58%.  Denaruim atua com criação de gado e plantação de soja e milho. Mudou-se para Boa Vista como diretor do extinto Banco Bamerindus. Na capital, ele criou a Denarium Fomento Mercantil. Esse é o primeiro cargo público do político do PSL.
Desafios de Darrot
Jânio Darrot tem uma história de sucesso no ramo do vestuário, onde criou uma marca que é referência na fabricação de jeans e moda masculina e feminina. O setor de confecção é um dos que mais empregam em Goiás. Na década de 1980, quando iniciou as atividades da Jean Darrot, Goiás era o terceiro pólo de confecções do país, tendo a avenida 85 em Goiânia como principal passarela de produtos de alta qualidade, e cidades como Trindade e Jaraguá se destacando na produção de jeans.
Hoje o setor de confecções continua sendo forte empregador, gerando em torno de 170 mil empregos diretos e indiretos no Estado.
Para se tornar um player no jogo político de 2022, Jânio Darrot primeiro tem que fazer a lição de casa: eleger o seu sucessor. O nome ainda não foi definido, mas seja quem for tem um páreo duro pela frente: o ex-prefeito George Morais (PDT), que tem a esposa e deputada federal Flávia Morais (PDT) como principal apoiadora e o deputado estadual Dr. Antônio (DEM), que deve cobrar a fatura do governador Ronaldo Caiado (DEM). Dr. Antônio foi o primeiro deputado a deixar a base do governo de Goiás e anunciar apoio a Caiado, candidato que fazia oposição frontal ao marconismo.
Além de garantir o sucessor, Jânio tem que se fazer conhecido no Estado. Seu nome por enquanto povoa a mente apenas de eleitores na região metropolitana. Tem muito chão até 2022 e muito trabalho pela frente para os partidos que fazem oposição ao governador Ronaldo Caiado (DEM). O governo está no início e ainda não tem uma marca. Poderá ter, ou não. Mas não é só Caiado que vai ocupar os pensamentos de Darrot. Outro empresário também pode querer alçar vôos mais altos. Trata-se do senador Vanderlan Cardoso (PP).
Goiás pode repetir Minas Gerais e São Paulo?
O legado do marconismo ajuda ou atrapalha?
É esta equação que Darrot terá que resolver.