A médica cardiologista Ludhmila Hajjar não aceitou o convite para ser ministra da Saúde do governo Bolsonaro. Ela recebeu ameaças de morte de bolsomínions, por defender a ciência,  e diz que sua postura profissional é incompatível com o modo que o governo age no combate à pandemia.

A informação foi publicada nesta segunda-feira (15) pela jornalista Andréia Sadi, do G1. “Não aceitei”, disse Hajjar em mensagem de texto, segundo Sadi.

O presidente Jair Bolsonaro se reuniu com Ludhmila Hajjar no domingo (14) para tratar da possibilidade de a médica assumir o Ministério da Saúde no lugar do general Eduardo Pazuello. O nome da médica contava com o apoio de apoiadores de Bolsonaro no governo e também com o respaldo dos ministros do Supremo Tribunal Federal.

Hajjar defende o isolamento social e já afirmou que não existe tratamento precoce contra a COVID-19. Em entrevista à CNN ela criticou o uso de cloroquina e ivermectina.

Sob pressão no cargo, Pazuello dará entrevista coletiva para apresentar um balanço sobre o combate à pandemia no Brasil nesta segunda-feira (15).

Neste domingo (14), o general negou especulações de que estivesse doente e saindo do governo. “Não estou doente, o presidente não pediu o meu cargo, mas o entregarei assim que o presidente pedir. Sigo como ministro da Saúde no combate ao coronavírus e salvando mais vidas”, afirmou o general.

A cardiologista Ludhmila Hajjar também afirmou à CNN que sofreu ataques e ameaças de morte depois de ser convidada para assumir o Ministério da Saúde pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Ela recusou a oferta, nesta segunda-feira (15), por ‘motivos técnicos’.

“Recebi ataques, ameaças de morte que duraram a noite, tentativas de invasão em hotel que eu estava, fui agredida, [enviaram] áudio e vídeo falsos com perfis, mas estou firme aqui e vou voltar para São Paulo para continuar minha missão, que é ser médica”, disse Hajjar, em entrevista.

“Vou continuar atendendo pessoas de esquerda e de direita. Isso, talvez, para algumas pessoas muito radicais – e que estão defendendo o discurso da polarização – é algo que me diminui. Pelo contrário. Se eu fizesse isso, não seria médica, não estaria exercendo a profissão, negaria o juramento que fiz no dia que me formei na universidade de Brasília.”

Para a cardiologista, “essa polarização, esse radicalismo, essa maldade utilizada em redes sociais, isso hoje é um atraso para o Brasil e vidas estão indo embora por causa disso, porque se criou uma narrativa baseada em algo que não tem lógica, não tem fundamento,”crítica.