Matéria publicada no portal UOL, da Folha de S.Paulo pelo repórter  Vinícios Konchinski revela que  a Polícia Federal do Rio de Janeiro obteve conversas do doleiro Dário Messer com a sua namorada, Myra Athayde, na qual revela que pagava propina para o procurador Januário Paludo, um dos coordenadores da Operação Lava Jato em Curiiba (PR).

Dário Messer é conhecido como “doleiro dos doleiros”.  Na conversa interceptada pela PF ele fala sobre o andamento dos processos que responde na Justiça do Paraná. Messer diz que uma das testemunhas de acusação contra ele teria uma reunião com Januário Paludo. Depois, afirma à namorada: “Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês”.

Os diálogos de Messer sobre a propina a Paludo ocorreram em agosto de 2018 e foram obtidos pela PF (Polícia Federal) do Rio de Janeiro durante as investigações que basearam a operação Patrón, última fase da Lava Jato do Rio”, conforme reportagem especial do jornalista Vinícios Konchinski, produzida para o portal Uol.

Reação
Pelo twitter o líder do PT na Câmara Federal, deputado Paulo Pimenta afirmou que “se o doleiro dos doleiros fizer uma delação essa turma da Lava Jato e os advogados de estimação de Moro e Dallagnol serão todos presos. Paludo é a ponta podre do iceberg da Farsa Jato”, escreveu o parlamentar.

Para Pimenta, “o lado oculto da Lava Jato envolvia muito mais coisas que as palestras do DD (Deltan Dallagnol) e o conluio entre Moro e os Golden Boys de Curitiba”. “Por menos no que a delação do doleiro revelou tem gente presa no Brasil”, disse.

“Em 2018 quando surgiram as denúncias da indústria das delações da Lava Jato eu pedi uma CPI. Consegui as assinaturas mas a pressão de Moro, Dallagnol e cia conseguiram impedir. Será que eu estava errado ?? Covardes, moralistas sem moral serão desmascarados”, acrescentou Pimenta.

 

PF investiga os “meninos de Januário”

Em relatório a respeito do conteúdo das mensagens foi elaborado pelo órgão em outubro. Nele, a PF diz que o assunto é grave e pede providências sobre o caso.

De acordo com a reportagem do UOL, nas conversas obtidas pela PF, Messer fala a Myra sobre o andamento dos processos que responde. Ele diz que uma das testemunhas de acusação contra ele teria uma reunião com Januário Paludo. Depois, afirma a namorada: “Sendo que esse Paludo é destinatário de pelo menos parte da propina paga pelos meninos todo mês.”

Os meninos seriam os também doleiros Claudio Fernando Barbosa de Souza, o Tony, e Vinicius Claret Vieira Barreto, o Juca. Ambos trabalharam com Messer em operações de lavagem de dinheiro investigadas pela Lava Jato do Rio. Depois que foram presos, viraram delatores.

“Em depoimentos prestados em 2018 à Lava Jato no MPF-RJ (Ministério Público Federal do Rio de Janeiro), Juca e Tony afirmaram ter pago US$ 50 mil (cerca de R$ 200 mil) por mês ao advogado Antonio Figueiredo Basto em troca de proteção a Messer na PF e no Ministério Público. Basto já advogou para o doleiro”, revela a reportagem. Basto sempre foi um dos advogados mais próximos à força-tarefa da Lava Jato.

Paludo inspirou o grupo “filhos de Januário” e fez vários ataques ao ex-presidente Lula – inclusive após as mortes de seus familiares. No dia 24 de janeiro de 2017, a mulher de Lula, Marisa Letícia, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC) e foi internada no hospital Sírio Libanês, em São Paulo. “Um amigo de um amigo de uma prima disse que Marisa chegou ao atendimento sem resposta, como vegetal”, disse Deltan Dallagnol, às 22h24. Dez minutos depois, Paludo escreveu: “Estão eliminando testemunhas”.

Dois anos depois, com Lula já na prisão, Paludo afirmou que “o safado só queria viajar”, referindo-se ao pedido da defesa do ex-presidente para que ele saísse do cárcere para acompanhar o enterro do irmão Genival Inácio da Silva, o Vavá.

Em nota, a  Lava Jato do Paraná rebateu as acusações:

Em relação à matéria do UOL divulgada nesta madrugada, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato informam que:

1. A ação penal que tramitou contra Dario Messer em Curitiba foi de responsabilidade de outro procurador que atua na procuradoria da República no Paraná, o qual trabalhou no caso com completa independência. Nem o procurador Januário Paludo nem a força-tarefa atuaram nesse processo.

2. O doleiro Dario Messer é alvo alvo de investigação na Lava Jato do Rio de Janeiro, razão pela qual não faz sequer sentido a suposição de que um procurador da força-tarefa do Paraná poderia oferecer qualquer tipo de proteção.

3. As ilações mencionadas pela reportagem de supostas propinas pagas a PF e ao MP já foram alvo de matérias publicadas na imprensa no passado e, pelo que foi divulgado, há investigação sobre possível exploração de prestígio por parte de advogado do investigado, fato que acontece quando o nome de uma autoridade é utilizado sem o seu conhecimento.

4. Em todos os acordos de colaboração premiada feitos pela força-tarefa, sem exceção, os colaboradores têm a obrigação de revelar todos os fatos criminosos, sob pena de rescisão do acordo.

5. Os procuradores da força-tarefa reiteram a plena confiança no trabalho do procurador Januário Paludo, pessoa com extenso rol de serviços prestados à sociedade e respeitada no Ministério Público pela seriedade, profissionalismo e experiência.