Desgaste do prefeito Roberto Naves e cansaço da briga AdibxSebba cria oportunidades para emedebistas nestes municípios.

Marcus Vinícius

Elder Galdino, candidato do MDB em Catalão, entra na disputa como terceira via entre o prefeito Adib Elias (Podemos) – ex-MDB -, e o deputado estadual Gustavo Sebba (PSDB), filho do ex-prefeito Jardel Sebba (PSDB). Galdino tem o apoio do ex-deputado federal e presidente regional do MDB Leonardo Vilela. O partido tem forte inserção na política local desde os tempos da ditadura, quando emedebistas encamparam a luta contra o regime dos quartéis com a histórica candidatura de Halley Margon Vaz em 1972 contra o médico Sylvio Paschoal (Arena). Halley perdeu em 1972 mas foi eleito prefeito em 1982, contribuindo também para a vitória de Iris Rezende ao governo, naquelas que foram eleições casadas (prefeito e governo do Estado).

O prefeito Adib Elias deve ter no marketing de sua campanha o ex-secretário de Fazenda do Estado Jorcelino Braga, enquanto Gustavo Sebba contará com a experiência do jornalista José Luiz Bittencourt, que já fez campanha tanto para Adib Elias quanto para Jardel Sebba. O ex-secretário de Comunicação do Estado Gean Carvalho deve dar a orientação estratégica para  Elder Galdino.

Márcio Corrêa costura apoios no PSDB, Elder Galdino se apoia na tradição do MDB em Catalão

Em Anápolis, por razões de saúde, o deputado estadual Antônio Roberto Gomide (PT) , favorito para a disputa retirou-se do páreo.  Gomide foi o prefeito com maior aprovação popular na história recente do município e seu apoio é disputado tanto pelo empresário Márcio Correa, quanto pela vereadora Geli Sanches que é do seu partido, o PT. Ela tem no currículo o fato de ter vencido o ex-governador Marconi Perillo (PSDB) em Anápolis, na campanha para o Senado em 2028. Professora Geli obteve 6,17% dos votos válidos, enquanto Marconi Perillo, que sempre foi o mais votado no município nas suas quatro vitórias para o governo do Estado,  ficou com 4,83%.

O MDB governou Anápolis por várias oportunidades e as administrações mais exitosas do partido no município foram dos prefeitos Henrique Santillo (1970-1973) e Anapolino de Faria (1983-1985 – 1989-1992). Adhemar Santillo,  governou por duas vezes (1986-1988) sendo elogiada a primeira gestão e criticada a segunda (1997-2000). Apesar deste histórico, desde a eleição do governador Marconi Perillo (PSDB) em 1998, o PMDB/MDB encolheu no cenário político local, e não conseguiu eleger mais prefeitos nestes últimos 22 anos. Marcio Corrêa pode quebrar este tabu.

Discurso

O jornalista Mamede Leão, que assina blog com o mesmo nome, entrevistou Elder Galdino no seu programa na Rádio Top FM. Sua impressão é que o emedebista pode surpreender. A qualidade da gestão da saúde pública no município, foi o seu principal alvo. Este é um setor que sofreu críticas no mandato de Jardel Sebba e que continua sendo sensível aos catalanos. Com a pandemia de coronavírus este é um tema sensível aos prefeitos, comerciantes e população em geral.

Acordos

Em Anápolis Marcio Correia angariou apoios. O presidente do PSDB local, Samuel Gemus, que é médico, deixou a legenda e se filiou ao MDB. Pedro Paulo, filho do ex-deputado Pedro Canedo, também se filiou ao MDB, respaldando a candidatura de Correa.

O prefeito Roberto Naves (PTB) tem como trunfo o apoio do governador Ronaldo Caiado (DEM0, que também é anapolino. Mas as eleições no município nem sempre são favoráveis a quem começa na frente. Adhemar Santillo estava com a eleição ganha em 1992, quando no último debate transmitido pela TV perdeu a eleição para Wolney Martins (PPR), que havia sido prefeito biônico (nomeado pela ditadura) em 1980. Em 2000 o empresário Ernani de Paula, filiado ao PPS, derrotou os favoritos  José Lopes (PSDB), a época deputado estadual, e o ex-prefeito Adhemar Santillo. Em 2004, o deputado Rubens Otoni (PT) iniciou na dianteira, mas foi surpreendido na última semana pela ascensão do professor Pedro Saihum (PSB). Em 2008, o vereador Antônio Gomide derrotou a deputada estadual Onaide Santillo (MDB) com 75,6% dos votos no 2° turno. Em 2012, foi reeleito em 1° turno com quase 90% dos votos, fato inédito em Anápolis e a maior votação proporcional do Brasil.

Antônio Gomide continua sendo o grande eleitor. Seu apoio pode ser decisivo neste pleito. Seu legado está na disputa tanto do MDB quanto do PT locais. Quem tiver mais competência poderá fazer a diferença nestas eleições.