Ex-governador pode ser a opção do partido para a sucessão do prefeito Iris Rezende em 2020
O ex-governador, ex-senador e ex-prefeito de Aparecida de Goiânia Maguito Vilela  pode ser o coringa do baralho do MDB para sucessão municipal de Goiânia em 2020.  Maguito tem uma passagem exitosa pelo governo do Estado (1995-1998) e com duas gestões consagradoras em Aparecida de Goiânia (2009-2012; 2013-2016). Ele foi o governador melhor avaliado do país em 1998 e deixou Aparecida de Goiânia com altos índices de aprovação. Este histórico o credencia como potencial candidato, mexendo no equilíbrio de forças da Capital.
O prefeito Iris Rezende ainda não definiu se é candidato à reeleição. Neste ano Iris prepara uma grande frente de obras, que tem como objetivo acelerar construção do BRT Norte-Sul, no sentido Rodoviária-Região Noroeste;  o recapeamento das principais ruas e avenidas de Goiânia; a retomada da Marginal Cascavel e o lançamento de cerca de cinco mil habitações populares, em parceria com o governo federal e estadual, dentro do programa Minha Casa Minha Vida.
Iris completou no ano passado 60 anos de vida pública, iniciada em 1958 quando foi eleito o vereador mais votado de Goiânia naquelas eleições. Aos 85 anos ele goza de boa saúde e mantém o ritmo de trabalho que o consagrou nas administrações anteriores: acorda cedo, inspeciona pessoalmente as obras e serviços da prefeitura e depois despacha na prefeitura recebendo lideranças populares, vereadores e secretários. Principal liderança do MDB, Iris é o senhor de seu próprio destino e pode escolher entre caminhar para o segundo mandato ou eleger o seu sucessor. E é aí que o nome de Maguito Vilela aparece como uma, senão a principal opção para esta missão.
Maguito é querido pelos goianienses, que receberam benefícios de sua passagem pelo governo do Estado, principalmente as famílias de baixa renda. Quando assumiu o governo em 1 de janeiro de 1995, o Brasil enfrentava o drama da fome e da ausência de uma política habitacional. O BNH (Banco Nacional da Habitação) havia sido extinto, e os governos anterioes não colocaram nada no seu lugar.
O sociólogo Hebert de Sousa, o Betinho – irmão do cartunista Henfil -, havia lançado em 1992 a ONG Ação da Cidadania, que se dedicou ao combate à fome e miséria no país.  Maguito se sensibilizou com a causa e durante a campanha em 1994 se comprometeu em criar um programa para distribuição de cestas de alimentos. Ao assumir o governo lançou a Secretaria da Solidariedade e o programa de distribuição de cestas básicas, que seria complementado posteriormente com a entrega de pão e leite às famílias com crianças até os seis anos de idade. Somada a ação social, o governo de Maguito Vilela também investiu na moradia popular, com o programa de doação de lotes urbanizados, que levaria a criação do Bairro da Vitória.
Oposição
O xadrez da sucessão municipal já está em jogo. A primeira peça foi movida na eleição da Câmara de Goiânia, quando um grupo formado por vereadores de oposição, independentes e governistas se uniram na eleição de Romário Policarpo (PTC). O movimento que levou Policarpo à presidência impediu a reeleição de Andrey Azeredo (MDB), aliado do prefeito. Por trás de Policarpo estão os senadores Vanderlan Cardoso (PP) e Jorge Kajuru (PRP), o deputado federal Elias Vaz e os deputados estaduais Alysson Oliveira (PRB) e Vinicius Cirqueira (Pros). Este grupo – a excessão de Kajuru -, estava reunido na candidatura de Vanderlan à prefeitura em 2016. Para 2020, um dos nomes deste agrupamento para sucessão de Iris é Elias Vaz, que foi o terceiro deputado federal com maior votação em Goiânia: 52.282 dos seus 74.877 votos.
Pelo PT a deputada estadual Adriana Accorsi garantiu a reeleição como a quinta mais votada no Estado com 39.283 votos, sendo a mais votada na Capital: 23.099 votos. A vereadora Dra. Cristina (PSDB) não garantiu cadeira na Assembleia Legislativa, embora tenha recebido 20.811 votos dos goianienses dentre os 27.864 que contabilizou em todo o Estado.
Governo
Do lado do governo do Estado, os parlamentares mais bem votados em Goiânia foram o Delegado Waldir (PSL), que foi reeleito com 274.406 votos, sendo 93.287 na Capital e o Dr. Zacharias Callil, que recebeu 87.99, dos seus 151.508  votos dos goianienses. O governador Ronaldo Caiado (DEM) dificilmente irá incentivar uma candidatura em Goiânia se o prefeito Iris Rezende  for candidato à reeleição, mas esta posição pode mudar se Maguito for indicado pelo MDB para esta disputa.
O ex-deputado federal Daniel Vilela manteve o comando do Diretório Estadual do MDB, garantindo no dia 19/01 sua reeleição por 138 votos. Na ocasião ele reafirmou a independência do MDB em relação ao governo do Estado, reafirmando o racha na legenda, que nas eleições de 2018 ficou dividido entre a candidatura do senador Ronaldo Caiado e a do candidato do partido, Daniel Vilela, que terminou o pleito em segundo lugar, com 479.180 votos (16,14%), à frente do governador Zé Eliton (PSDB), que obteve 407.507 votos (13,73%).
Tradição
O eleitor goianiense tem por tradição eleger prefeitos que fazem oposição ao governo do Estado. Foi assim em 1985, quando Darci Accorsi (PT) ganhou e não levou, mas venceria de novo em 1992. Pedro Wilson (PT) levaria em 2000, Iris Rezende em 2004 e 2008; Paulo Garcia (PT) em 2012 e Iris novamente em 2016. A única excessão foi a eleição de Nion Albernaz em 1988, pelo PMDB, vencendo um pleito onde não havia ainda segundo turno com 31% dos votos, contra 28% de Pedro Wilson e 24% de Maria Valadão. Em 1996, pelo PSDB (em oposição ao PMDB do governador  Maguito Vilela), Nion voltaria ao Paço Municipal.
Maguito tem uma posição privilegiada neste moment.  É aliado do prefeito Iris Rezende e oficialmente, faz oposição a Ronaldo Caiado. Pode ser o fato novo para garantir a hegemonia do MDB na Capital e pavimentar um novo caminho para o partido na sucessão estadual em 2022.