Partido não se deixou cooptar pelo Palácio das Esmeraldas e segue como maior legenda de oposição com a eleição de Gustavo Mendanha em Aparecida e a vitória de Maguito, a ser confirmada no próximo domingo.

Marcus Vinícius de Faria Felipe

Nas eleições de 2018, o senador Ronaldo Caiado (DEM) conseguiu um feito: rachou o MDB e com esta cizânia garantiu sua eleição ainda no primeiro turno. Mas nas eleições de 2020 esta tática não está dando certo.

O Palácio das Esmeraldas tentou sem êxito rachar o partido nas principais cidades sob o seu comando, Goiânia e Aparecida de Goiânia. As urnas e as pesquisas mostram que esta tática não deu certo.

A desistência do prefeito Iris Rezende Machado (MDB) em não concorrer à reeleição levou a Casa Verde a pensar na possibilidade de fazer o seu sucessor. Iris foi um dos artífices da vitória da Caiado em 2018, pois foi responsável direto por sua eleição ao Senado, de onde se projetou para o Governo do Estado.  A candidatura do senador Vanderlan Cardoso (PSD) era vista como uma barbada, uma vez que em 2016 ele fez boa performance na disputa com o próprio Iris.

Os primeiros movimentos foram no sentido de cooptar os iristas. O governador e o senador visitaram o prefeito minutos depois de oficializada a candidatura. Na mídia a estratégia palaciana era de criminalizar a candidatura do ex-prefeito Maguito Vilela, como se não fosse legítimo o MDB apresentar um candidato para defender o mandato que foi conquistado pela legenda através de Iris Rezende.

Mas cada campanha tem uma história.

E Maguito Vilela foi às ruas, e pouco a pouco o eleitorado identificou nele – e não em Vanderlan -, o sucessor de Iris. É o que ficou evidente no resultado do primeiro turno, e é esta história que continua sendo contada nas pesquisas deste segundo turno.

Antes do final da primeira etapa da campanha Maguito foi internado, vítima do coronavírus (a gripezinha que hoje Bolsonaro nega ter menosprezado).

Maguito luta pela vida. O MDB luta pelo legado do partido em Goiânia.

 

Aparecida disse não

Gustavo Mendanha e o vice, Vilmarzinho conquistaram quase 96% dos votos em Aparecida de Goânia

Em Aparecida de Goiânia os articuladores políticos do governador tentaram cooptar o vice-prefeito Veter Martins (PSD) para uma candidatura que rivalizasse com o prefeito Gustavo Mendanha (MDB). O objetivo era casar a campanha de Veter com a do senador Vanderlan Cardoso (PSD) em Goiânia. No papel a ideia era boa, mas “não combinaram com os russos”, como dizia Garrincha, e a estratégia fracassou.

Veter não havia se preparado para ser candidato a prefeito, e por isto mesmo, os vereadores de seu partido, o PSD, já estavam compromissados com a reeleição de Gustavo Mendanha.  Outros partidos da base governista como o PP e o PV, também já haviam firmado aliança com o prefeito, e ao final a Justiça Eleitoral levou em conta as atas das convenções, o que levou ao desmonte da coligação que se formou de última hora, levando Veter Martins a desistir de uma candidatura, que aliás, ele próprio não tinha convicção, uma vez que nunca escondeu os laços de amizade e companheirismo com Gustavo Mendanha.

O resultado: Gustavo eleito com quase 96% dos votos.

 

Em 1998 o governo tinha 209 prefeitos e perdeu

Marconi, “o moço da camisa azul” em 1998

Em números, o DEM do governador Ronaldo Caiado é o partido vencedor nestas eleições, com o maior número de prefeitos, 63 contra 29 do MDB e 20 do PSDB. Mas em 1998, quando o “Tempo Novo” lançou Marconi Perillo (PSDB) candidato ao governo, os partidos de oposição (PSDB-PFL/DEM, PPB/PP e  PTB) reuniam somente 33 prefeitos contra 209 (naquela época eram 242 municípios).

Em 1998 a oposição perigava ficar sem candidato a governador. O deputado federal Roberto Balestra (PPB) não conseguiu aglutinar todos partidos, e renunciou à candidatura em busca de um nome de consenso. No PSDB chegou-se a discutir a indicação do candidato a vice na chapa de Iris Rezende (PMDB), mas os peemedebistas declinaram da oferta e ofereceram a segunda suplência de Maguito Vilela, que era candidato ao Senado.

Quando tudo parecia perdido, quatorze prefeitos lançaram o apelo por uma chapa de oposição. O movimento foi encampado por Nelci Spadoni (PPB), de Rio Verde; Flávio Lomeu (PPB), de Santa Helena; Hermes Traldi (PTB), de Goiatuba;  Luis Otávio (PPB), de Inhumas;  Luiz Moura (PSDB), de Itumbiara;  Aderaldo Barcelos (PSDB), de Mineiros; João Caixeta (PPB), de Silvânia; Hélio Sousa (PFL), de Goianésia; Jair de Paiva (PPB), de Formosa; Valcenor Braz (PFL), de Luziânia; Carlos Vital (PSB), Nerópolis; Cícero Romão (PPB), Luiz Armando Pompeo de Pina (PFL), de Pirenópolis, Minaçu; Odair Rezende (PFL), de Quirinópolis, Sebastião Lima (PPB), Indiara e depois teve adesão de Nion Albernaz (PSDB), de Goiânia, confirmando a chapa com Marconi Perillo (PSDB), candidato a governador e Alcides Rodrigues (PPB) na vice.

Ronaldo Caiado a época no PFL (atual DEM) era candidato a deputado federal , assim como Lúcia Vânia (PP). Ambos haviam disputado o governo do Estado nas eleições anteriores (1994). E foram eles que percorrem Goiás, apresentando a população “o moço da camisa azul” (Marcoi Perillo), como candidato a governador.

A campanha que começou com 14 prefeitos, empolgou os outros 19 da oposição, e ao final arrastaria a maioria deles para o palanque da oposição que venceu o PMDB, pela primeira vez, após 16 anos de mandatos ininterruptos do partido em Goiás.

Oposição existe e resiste

A história mostra que é  ilusão palaciana pensar que número de prefeitos mantém governador na cadeira. O próprio PSDB, que chegou a ter 140 prefeitos, participou da dança das cadeiras, quando José Éliton (PSDB) foi superado pelo próprio Ronaldo Caiado, cujo DEM tinha apenas uma dúzia de prefeitos no Estado.

Não há dúvida de que a oposição ganhou em cidades importantes, que concentram um terço do eleitorado.

O MDB resistiu bravamente a tentativa de implosão, e sai do pleito com a certeza de que não é e nem será satélite do Palácio das Esmeraldas.

O irismo e o marconismo permaneceram no poder por 36 anos dividindo e enfraquecendo a oposição. O caiadismo tenta o mesmo caminho, mas não foi nesta eleição que ele se impôs.