Ontem o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) emitiu mais uma frase prá lá de infeliz sobre a pandemia de coronavírus que já matou mais de 162 mil brasileiros e contaminou outros 5 milhões. O Portal Terra reuniu as principais delas, e o contexto em que foram ditas.

Do Portal TERRA – O presidente Jair Bolsonaro coleciona diversos termos infelizes ditos a respeito da pandemia do novo coronavírus no Brasil, que já matou mais de 162 mil pessoas e infectou 5,6 milhões. As frases minimizam a crise sanitária e em alguns casos são consideradas desrespeitosas com as famílias que perderam parentes devido à covid-19. Acusações contra a imprensa, que está fazendo “alarmismo”, também são frequentes em seus discursos.

Na terça-feira, 10, ele disse que “tudo agora é pandemia, tem que acabar com esse negócio, pô”. Ao repetir que “todos nós vamos morrer um dia”, o que reduz a importância dada à pandemia, o chefe de Estado afirmou que o Brasil “tem que deixar de ser um País de maricas” ao lidar com a situação.

Essa é mais uma das muitas vezes em que Bolsonaro diminuiu a seriedade da crise de saúde e o impacto delas na vida das pessoas. Relembre outros momentos abaixo:

9 de março – “Superdimensionado”
“Tem a questão do coronavírus também que, no meu entender, está sendo superdimensionado o poder destruidor desse vírus”, afirmou Bolsonaro ao falar pela primeira vez sobre o coronavírus em uma viagem oficial aos Estados Unidos. No dia 16 daquele mês, o presidente usou o mesmo termo: “Foi surpreendente o que aconteceu na rua até com esse superdimensionamento. Que vai ter problema vai ter, quem é idoso, (quem) está com problema, (quem tem) alguma deficiência, mas não é tudo isso que dizem. Até que na China já praticamente está acabando”.

10 de março – “Fantasia”
“Obviamente, temos no momento uma crise, uma pequena crise, né, no meu entender muito mais fantasia a questão do coronavírus, que não é isso tudo que a grande mídia propaga pelo mundo todo”, disse durante evento em Miami.

17 de março – “Histeria”
“O que está errado é a histeria, como se fosse o fim do mundo”, afirmou dois dias após se reunir com manifestantes de um ato pró-governo no Palácio do Planalto. “Esse vírus trouxe uma certa histeria e alguns governadores, no meu entender, eu posso até estar errado, estão tomando medidas que vão prejudicar e muito a nossa economia.”

20 de março – “Gripezinha”
“Depois da facada, não vai ser uma gripezinha que vai me derrubar, não, tá ok?”, declarou no fim de uma coletiva de imprensa do Ministério da Saúde. Quatro dias depois, em pronunciamento nas redes de TV e rádio, ele voltou a usar o termo: “No meu caso particular, pelo meu histórico de atleta, caso fosse contaminado pelo vírus, não precisaria me preocupar, nada sentiria ou seria, quando muito, acometido de uma gripezinha ou resfriadinho”.

22 de março – “Alarmismo”
“Há um alarmismo muito grande por grande parte da mídia. Alguns dizem que estou na contramão. Eu estou naquilo que acho que tem que ser feito. Posso estar errado, mas acho que deve ser tratado dessa maneira”, afirmou durante reunião com prefeitos de capitais.

26 de março – “Brasileiro não pega nada”
“Acho que não vai chegar a esse ponto, até porque o brasileiro tem que ser estudado, ele não pega nada. Vê o cara pulando em esgoto ali, sai, mergulha e não acontece nada com ele”, disse ao considerar que o Brasil não chegaria a uma situação crítica como a dos EUA e Itália.

27 de março – “Paciência, acontece”
“Vamos enfrentar o vírus. Vai chegar, vai passar. Infelizmente algumas mortes terão. Paciência, acontece, e vamos tocar o barco. As consequências, depois dessas medidas equivocadas, vão ser muito mais danosas do que o próprio vírus”, afirmou em entrevista ao apresentador José Luiz Datena. “Alguns vão morrer? Vão morrer, lamento, essa é a vida. Não podemos parar fábricas de automóveis porque têm 60 mil mortes no trânsito por ano”, completou.

29 de março – “Enfrentar como homem”
“O vírus tá aí, vamos ter que enfrentá-lo, mas enfrentar como homem, pô, não como moleque, vamos enfrentar o vírus com a realidade, é a vida, todos nós iremos morrer um dia”, voltou a dizer o presidente.

3 de abril – “Terrorismo”
“Terrorismo”, classificou Bolsonaro uma imagem que mostra mais de 150 covas rasas abertas no cemitério da Vila Formosa, na zona leste de São Paulo.

20 de abril – “Não sou coveiro”
“Eu não sou coveiro, tá?”, afirmou o presidente ao responder um jornalista que começava a perguntar sobre as 300 mortes registradas naquele dia.

28 de abril – “E daí?”
“E daí, lamento. Quer que faça o quê? Eu sou Messias, mas não faço milagre”, disse diante do comentário de uma jornalista sobre o Brasil ter passado a China em número total de mortes pela covid-19.

19 de maio – “Cloroquina” e “Tubaína”
“Quem é de direita toma cloroquina, quem é de esquerda, Tubaína”, brincou o presidente ao defender o medicamento para tratar a covid-19, mesmo que diversos estudos tenham mostrado que a substância não traz benefícios no tratamento à doença.

2 de junho – “É o destino de todo mundo”
“A gente lamenta todos os mortos, mas é o destino de todo mundo”, disse Bolsonaro após uma apoiadora pedir uma palavra de conforto para os “enlutados, que são inúmeros”.

10 de novembro – “País de maricas”
“Tudo agora é pandemia. Tem que acabar com esse negócio. Lamento os mortos. Todos nós vamos morrer um dia, não adianta fugir disso. Tem que deixar de ser um País de maricas”, afirmou o presidente.