A eleição de Arthur Lira (PP-AL) para a presidência da Câmara dos Deputados gerou crise dentro do DEM, com o deputado Rodrigo Maia (RJ) fazendo críticas abertas ao partido e trocando acusações com o presidente da sigla, ACM Neto, e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado.

Do Jornal GGN

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, Maia afirma que o partido voltou a ser o que era na década de 1980, “quando o presidente do partido aceita inclusive apoiar o Bolsonaro”, ressaltando que “o DEM decidiu majoritariamente por um caminho, voltando a ser de direita ou extrema-direita, que é ser um aliado de Bolsonaro”. Nos anos 1980 o DEM anda se chamava Arena, partido que dava sustentação ao regime militar. Somente em 1984, quando a Arena já se chamava PDS, foi criado o PFL, um racha na antiga Arena que apoiou a eleição do ex-governador de Minas Gerais, Tancredo Neves (PMDB), no colégio eleitoral, derrotando o candidato da ditadura, o ex-governador de São Paulo, Paulo Maluf (PDS).

Maia também afirma na entrevista que vai fazer o pedido de desfiliação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). “Hoje posso dizer que sou oposição ao presidente Bolsonaro. Quando era presidente da Câmara, não podia dizer. Mas agora quero um partido que eu possa dormir tranquilo de que não apoiará [o presidente]”, disse.

O ex-presidente da Câmara responsabiliza o DEM pela derrota de Baleia Rossi (MDB-SP) na eleição na Câmara – o partido abandonou o bloco criado por Maia em torno da candidatura de Rossi e optou pela neutralidade, mas a maioria dos deputados do partido votou no candidato apoiado por Bolsonaro, que venceu a disputa.

“No empenho em transferir as responsabilidades pelo seu fracasso, Rodrigo Maia tenta negar que insistiu, até o último momento, na possibilidade de conseguir o aval do Supremo Tribunal Federal (STF) para se perpetuar no cargo de presidente da Câmara”, acrescenta o comunicado.