O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu nesta quinta-feira (19), no Maranhão, o título de Guardião dos Territórios Indígenas. Das mãos da coordenadora nacional da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Sonia Guajajara, e do cacique Pistola, ele recebeu uma lança, um capacete e um colar indígenas que simbolizam a honraria. Na companhia do governador Flávio Dino (PSB), Lula acompanhou a assinatura do projeto de lei do Estatuto Estadual dos Povos Indígenas, encaminhado para apreciação do deputados. Dino recebeu o título de Guardião da Soberania Alimentar.

“Assumimos esse compromisso. Talvez não tenhamos feito tudo que poderíamos, mas daqui pra frente nada será feito de um gabinete em Brasília, e sim com a participação dos povos de cada território”, disse o ex-presidente.

No encontro realizado na Área de Preservação Ambiental do Itapiracó, na capital maranhense, Lula criticou a atual política de devastação ambiental promovida pelo governo Bolsonaro. Disse que o atual presidente demonstra ignorância “total e absoluta” quando defende que é preciso desmatar a Floresta Amazônica para promover a criação de gado e o cultivo de soja. E defendeu que a riqueza da região amazônica está em sua “mega biodiversidade, praticamente inexplorada”.

“Uma árvore em pé hoje é mais importante do que 60 pés de cana. É muito mais lucrativo. para o Brasil, para os indígenas e para toda a humanidade do que qualquer quantidade de soja”, afirmou o ex-presidente.

Ele citou acordo firmado, em 2008, com a Alemanha e a Noruega, que criou o Fundo Amazônia. E destacou que nunca houve denúncias de “malversação” na aplicação desses recursos. No entanto, o fundo foi congelado, após o governo Bolsonaro tentar mudar suas regras de funcionamento. “Mas bastou entrar esse governo genocida para que tudo isso fosse destruído. E para que o mundo começasse a desacreditar no Brasil como o país mais importante para a preservação do planeta”, atacou Lula.

Chamado da Mãe Terra
“Não suportamos mais o Brasil à deriva, sem governo”, afirmou Sonia Guajajara. Ela afirmou que a Mãe Terra está convocando os indígenas a lutarem pela proteção da Floresta Amazônica e todos os demais biomas. “O Cerrado, a Mata Atlântica, o Pantanal, a Caatinga, estão todos pedindo socorro. Esse é o último chamado da Mãe Terra: protejam os nossos ecossistemas e busquem a reconexão com a sua ancestralidade. Somente a reconexão com a ancestralidade pode salvar o futuro da humanidade”, afirmou a líder indígena.

A presidenta da Federação dos Povos Indígenas do Pará, Puyr Tembé, saudou Lula, Dino e Sonia como “três grandes potências desse país”. Também sugeriu que o governador daquele estado, Helder Barbalho (MDB), siga o exemplo do Maranhão, e cobrou um estatuto de proteção aos povos indígenas. “Já provamos que somos resistência, e vamos continuar sendo. Mas precisamos estar neste meio para construir políticas públicas.”

No mesmo sentido, a presidenta do Instituto Indígena do Tocantins, Narubia Karajá, classificou Dino como “o governador mais indígena do país”. Ademais, segundo ela, Lula é o homem “que traz esperança e que significa justiça social nesse país”. Narubia também afirmou que os povos indígenas não são o passado, mas “presente e futuro”.

“Somos detentores de 80% da biodiversidade do planeta. Mas a humanidade virou um câncer, onde a onça pintada não tem descanso e a arara azul não está encontrando pouso. Nossos anciãos diziam que se continuássemos desse jeito, a água ia secar e o céu iria desabar. Agora é ONU que diz, em seus relatórios, que os povos indígenas somos fundamentais para a preservação ambiental do planeta.”

Vacina e máscara
Antes, Lula e Dino vistoriaram as obras do Hospital da Ilha, em São Luís. Com 32.000 metros quadrados e previsão para ser inaugurado até o fim do ano, a unidade contará com atendimentos de urgência e emergência, e será a primeira do estado especializada em vítimas de queimaduras. Logo após, os trabalhadores da construção civil que atuam na obra do hospital receberam a segunda dose da vacina contra a covid-19.

Lula aproveitou a ocasião para destacar a importância da imunização e do uso de máscaras para conter a pandemia. Para o ex-presidente, a vacinação deveria ser “obrigatória”. “É como a mãe que insiste para o filho tomar remédio e ele não quer. Ela insiste porque quer que o filho melhore. Eu já tomei duas doses, se falarem de terceira, tomo de novo. Acredito tanto na ciência que, se precisar, tomo vacina até na testa”, declarou.

Além disso, ele também afirmou que é preciso “aguentar” e continuar usando máscaras. “Vou sair daqui do Maranhão sem saber como é o rosto e o sorriso das pessoas que encontrei. A gente reclama, mas a máscara é imprescindível e pode salvar nossas vidas.”