A frente ampla dos partidos de esquerda, que vem sendo por várias lideranças como o único caminho para enfrentar a direita e a extrema-direita, finalmente começou a ser viabilizada no segundo turno da disputa municipal em São Paulo, com a união entre o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, do PT, Ciro Gomes, do PDT, o governador Flávio Dino, do Maranhão, e Marina Silva, da Rede, em torno de Guilherme Boulos. Os quatro gravaram apoios ao candidato do Psol, que disputa a prefeitura com Bruno Covas, do PSDB. Os partidos também formalizaram a Frente Democrática por SP em reunião com as direções do PT, PC do B, PDT, Rede e PSOL.

“Todos por democracia e contra o atraso!” Assim foi lançada nesta sexta-feira, 20, na capital paulista, a “Frente Democrática por SP” em apoio ao candidato Guilherme Boulos (PSOL) e à vice Luiza Erundina. O evento contou com a participação de representantes do PTPDTPSBRede e PCdoB, além dos dirigentes da coligação da candidatura psolista formada por PCB e UP. “Aqui está quem teve e tem lado e quem sabia quem eram e quem são os adversários”, disse Boulos, saudando os partidos presentes. “É com muita unidade que vamos virar esse jogo!”, sintetizou, traduzindo o espírito do encontro. Boulos dedicou o evento à memória do trabalhador negro João Alberto Silveira Freitas, assassinado em Porto Alegre, na noite desta quinta-feira, 19 de novembro.

“Essa mesa é o caminho da vitória”, afirmou Jilmar Tatto, candidato do Partido dos Trabalhadores no primeiro turno da eleição em São Paulo. Rebatendo a acusão de “radical” contra Boulos, Tatto destacou a amplitude da aliança e da capacidade de diálogo em defesa de São Paulo e do povo. “Vamos transformar São Paulo na capital da resistência a esse governo genocida!”, reforçou Boulos ao final do evento, numa clara referência ao governo de Jair Bolsonaro.

Partidos de esquerda (UP, PCB) e centro esquerda (PT, PDT, PC do B, Rede) fecham apoio a Boulos, do PSOL em São Paulo

Para Boulos, a Frente tem de levar a palavra democracia às últimas consequências. “Não existe democracia quando há um abismo social e um racismo estrutural”, afirmou. Advertindo que o candidato do PSDBBruno Covas, tentou esconder o apoio do governador João Dória (PSDB) – recordista de rejeição na capital –, Boulos convocou a mobilização para derrotar a reedição do “Bolsodória”, alertando para o vírus do bolsonarismo presente na chapa adversária.

Tatto reafirmou o compromisso do PT para enfrentar a desigualdade e o racismo em São Paulo, denunciando a indiferença do atual prefeito frente à realidade de violência na periferia da cidade. Segundo o petista, após derrotar o facismo no primeiro turno, é preciso derrotar o neoliberalismo no segundo turno, aqueles “que não gostam de povo”. “Vamos fazer de São Paulo o centro de resistência, da igualdade e da solidariedade”, completou.

Além de Jilmar Tatto, do PT, e do presidente nacional do Psol, Juliano Medeiros, participaramm do evento Antônio Neto, do PDT; Orlando Silva, do PCdoB; Fernando Guimarães, do PSB; Duda Alcântara, da Rede; Vivian Mendes, da Unidade Popular; e Edmilson Costa, do PCB. O candidato a vice na chapa do PT, o deputado federal Ricardo Zaratini (SP), também participou do evento, junto com vereadores eleitos pela legenda.