Neste 9 de agosto, quando o mundo relembra os mortos nos bombardeios atômicos a Hiroshima  (6) e Nagasaki (9), o ex- presidente ressalta que a falta de coordenação do governo federal no enfrentamento da pandemia cefeifou 100 mil vidas de brasileiros.

O ataque nuclear norte-americano em Hiroshima no dia 6 de agosto de 1945 matou 90 mil japoneses. Três dias depois, neste mesmo 9 de agosto, outro bombareiro B-29 lançou mais uma bomba, desta vez em Nagasaki, matando 40 mil civis.

Relembrando estes episódios o ex-presidente Lula comparou estas tragédias da Segunda Guerra ao drama de 100 mil famílias brasileiras que perderam entes queridos para o coronavírus.

Bombardeio em Hiroshima e depois em Nagasaki

Em entrevista a Gustavo Conde, no Brasil247 neste domingo (9), o ex-presidente Lula analisou a má gestão do governo Jair Bolsonaro desde o início da pandemia de coronavírus, que culminou na morte de mais de 100 mil pessoas pela Covid-19.

Lula comparou o desgoverno Bolsonaro a bomba de Hiroshima, que vitimou 90 mil pessoas no Japão. No Brasil, Bolsonaro explodiu a “bomba da ignorância”, segundo o ex-presidente.

“É uma doença que já tinha previsão, porque ela aconteceu na China, depois passou por alguns países ricos, todo mundo já estava dizendo que a melhor solução era preparar a sociedade para um isolamento. Aqui, o nosso presidente, que estudou para ser tenente do Exército brasileiro e que, portanto, não é um especialista em medicina, em pesquisa, poderia ter montado uma equipe técnica com as pessoas mais extraordinárias do Instituto Buntantã, da Fiocruz e de outros institutos que existem no Brasil, pegar os médicos mais importantes que entendem dessa questão, fazer um coletivo de especialistas para que orientassem o comportamento do governo no dia a dia. Ele não fez porque não acreditava no coronavírus, achava que era uma gripezinha, ele achava que nós nascemos mesmo para morrer e que, portanto, se morrer a gente lamenta, mas deixe morrer. Ele tratou assim, com certo desdém, com certo descaso. Resolveu brigar com a ciência, desafiar a OMS, seguir os passos do presidente Trump”, disse.

E continuou: “ele desafiou todas as pessoas que poderiam ajudá-lo, ele foi ofender os governadores, que tentaram criar um consórcio no nordeste e fazer o trabalho por contra própria. Ele ofendeu gente aliada a ele, gente que era oposição, porque ele não tinha na cabeça dele a ideia de que era preciso ouvir a ciência para pudéssemos acertar mais e errar menos no combate ao Covid-19. Ele ofendeu jornalistas, ofendeu intelectuais, médicos, ofendeu quem pensasse diferente dele. E nós chegamos a isso, chegamos a marca de 100 mil mortes”, observa.

Se você for analisar, a bomba atômica de Hiroshima matou 90 mil pessoas. O senhor Bolsonaro já é responsável pela morte de mais gente do que morreu… sabe? Sem soltar nenhuma bomba atômica, soltou a bomba da ignorância”.