Analista político avalia que democratas de esquerda e direita devem manter a pressão pelo impeachment do presidente, pois ele não desistiu de dar o golpe final na democracia brasileira
O entusiasmo do capital, do Centrão e de grande parte da mídia com a “solução” da crise só comprova que o que eles querem é que Bolsonaro lhes dê uma desculpa, por mais fajuta que seja, para continuarem juntos.
Não importa que já existam experiências de sobra para provar que os acenos de Bolsonaro à moderação não valem um tostão furado.
Não importa que um par de horas depois ele já estivesse com as ameaças, insinuações e grosserias de sempre, na famosa laive.
Muito menos importa que os fatos sejam graves demais para que um mero pedido de “escusas”, como diria Sérgio Moro, resolva a situação.
Aliás, se fosse para Bolsonaro pedir desculpas por todos os crimes que cometeu no exercício da Presidência, a notinha de Temer não teria apenas dez itens. Seria mais parecida com um daqueles antigos catálogos telefônicos.
Ainda não é possível saber exatamente qual era o plano do capitão e precisamente onde e porquê se instalou a fissura entre ele e sua base radicalizada. Tenho visto muitas especulações, algumas razoáveis, outras nem tanto, e também narrativas detalhadas que, na ausência de outras evidências, só posso considerar que são, ao menos em parte, fantasiosas.
Mas uma coisa é evidente: Bolsonaro está apostando na ampliação das tensões, em gerar as condições para melar as eleições, na intimidação de seus adversários. Este é seu plano A.
Por isso é necessário atingir novamente Bolsonaro, com força, agora que ele está mais fragilizado, e avançar na direção da sua destituição. Cabe ao Supremo agir como Supremo, não fazer cartas de repúdio…