Em sua coluna no UOL, o jornalista Kennedy Alencar diz que procuradores da “República de Curitiba” ajudaram a quebrar as empresas brasileiras de engenharia para atender interesses dos Estados Unidos. Procuradoria Geral da República deve centralizar investigações da Lava Jato em Brasília e apurar as irregularidades cometidas por Deltan Dallagnol e demais procuradores. TCU investiga “sumiço” de dois aparelhos “Guardião”, usados para grampear investigados, e há suspeita de que teriam sido usados para espionar ilegalmente conversas dos presidentes da Câmara Federal, Rodrigo Maia e do Senado, David Alcolumbre, ambos do DEM e ministros do STF.

Jornalista do UOL e comentarista da Rádio CBN, Kennedy Alencar critica o alinhamento automático dos procuradores de Curitiba aos interesses do Departamento de Justiça dos Estados Unidos. Deltan Dallagnol e seus pares infringiram a Lei Brasileira e compartilharam investigações com o FBI (a polícia federal norte-americana), atentando contra os interesses da economia nacional. Esta prática levou à falência grandes empresas de engenharia nacional, entre elas a Odebrecht.

Veja os comentários de Alencar:

“Mensagens do Telegram mostram mais evidências da sabida disposição de Deltan Dallagnol para ignorar a lei brasileira na cooperação internacional com o FBI, a Polícia Federal dos EUA. O procurador precisou ser alertado por um colega, Vladimir Aras, que usar canal direto com o FBI para comunicar decisões do então juiz Sergio Moro seria ilegal e colocaria em risco medidas da Operação Lava Jato e até a “política externa” da Procuradoria Geral da República”.

É óbvio que combater a corrupção é fundamental para o avanço civilizatório dos países. Nesse tabuleiro, os EUA conseguiram transformar o seu modelo em parâmetro internacional. Os americanos não titubeiam em usar essa arma na defesa dos seus interesses nacionais.

“Advogados envolvidos nas tratativas entre autoridades americanas e a Lava Jato sempre se disseram surpresos com a facilidade com que os interesses de cidadãos e empresas do Brasil foram colocados em segundo plano na hora de fechar acordos. Esse é um fato corroborado pelo desastre econômico que a Lava Jato causou no Brasil ao contribuir para enfraquecer empresas que geravam milhares de empregos, como a Petrobras e a Odebrecht. Ora, quebrar a lei para combater a corrupção é uma forma de corrupção. Como mostrou a série de reportagens do Intercept Brasil em parceria com outros veículos de imprensa no ano passado, a Lava Jato é useira e vezeira desse modus operandi parecido com o das o das organizações criminosas que pretendeu combater”.

Grampo ilegal de parlamentares e ministros do STF

A Procuradoria-Geral da República discute internamente nesta quarta-feira (1º/7) a possibilidade de agrupar as forças-tarefa da “lava jato” em Curitiba, Rio de Janeiro e São Paulo sob um mesmo guarda-chuva. A proposta é criar uma “Unidade Nacional de Combate à Corrupção” (Unac), que contaria também com integrantes da “greenfield“, referente a desvios em fundos de pensão em Brasília.

Segundo a minuta de elaboração da Unac, datada de abril deste ano e enviada para deliberação do Conselho Superior do Ministério Público Federal (CSMPF), a atuação concentrada por meio de um grupo único e permanente traria inúmeras vantagens quando comparada ao trabalho fracionado e realizado de forma pontual pelo MPF.

A Procuradoria-Geral da República viu investigação “camuflada” da autodenominada “força-tarefa da lava jato” em Curitiba sobre os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, David Alcolumbre (DEM-AP). Isto explica o “piti” de Dallangol quando o Procurador Geral da República Augusto Aras pediu acesso às investigações do grupo. Entre as irregularidades a Lava Jato de Curitiba pediu quebra de sigilo de altas autoridades da República pelas partes menos conhecidas de seus nomes, mas com o CPF certeiro do alvo, como por exemplo, “Rodrigo Felinto”, que vem a ser Rodrigo Felinto Ibarra Epitácio Maia, presidente da Câmara Federal ou “Davi Samuel”, que é na verdade, David Samuel Alcolumbre Tobelem., presidente do Senado.

A PGR em Brasília encontrou vários casos semelhantes. Haveria até nomes incompletos de ministros do STF, que podem ter tido seus sigilos quebrados de maneira irregular. Até agora, não há provas de que de fato os nomes camuflados em denúncias possam ter sido todos investigados. É isso que a PGR em Brasília agora tenta descobrir.

MPF e TCU investigam sumiço de aparelhos de espionagem pela Lava Jato

O Ministério Público Federal junto ao TCU (Tribunal de Contas da União) solicitou a investigação de “irregularidades na condução da Operação Lava-Jato no Paraná”. O procurador Lucas Furtado pede que se apure o desaparecimento de aparelhos de interceptação telefônica adquiridos pela força-tarefa.

A força-tarefa da Lava Jato do Paraná será investigada por irregularidades no processo de manutenção de equipamentos de escuta. Lucas Furtado, procurador federal, solicitou a apuração do sumiço de aparelhos de interceptação telefônica.

A reportagem do jornal Folha de S. Paulo destaca que “Furtado cita reportagem da revista eletrônica Conjur (Consultor Jurídico). Ela afirma que a força-tarefa do Paraná adquiriu três sistemas de interceptação conhecidos como Guardiões – e diz que dois deles “sumiram”. Parte das gravações colhidas nos sistemas teria sido apagadas.”

A matéria ainda informa que “os procuradores, em nota, classificaram as informações como fake news, negando ter adquirido o sistema Guardião ou qualquer outro equipamento de interceptação. Segundo eles, todos os grampos foram feitos de forma legal e realizados exclusivamente pela Polícia Federal.”