Análise do respeitado advogado criminalista Antonio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, cobra explicações à República de Curitiba sobre irregularidades na Lava Jato.

Kakay fez a análise no DCM, após ler o mais novo capítulo da série Vaza Jato – clique aqui e leia o post “Vaza Jato detalha conluio entre Lava Jato e FBI (e o descaso de Deltan com as leis)”.

Confira:

Para ser coerente com toda a minha formação como advogado e com toda a minha pregação garantista pelo Brasil nos últimos tempos, tenho, sempre, defendido que ao Juiz Sergio Moro e aos membros da Força Tarefa de Curitiba devem ser garantidos todos os direitos constitucionais que eles sempre negaram aos que tiveram o infortúnio de serem julgados por eles.

Nesse último episódio, registrei que não entendia muito o motivo da maneira contundente, nervosa, quase descontrolada com que reagiram à visita de uma Subprocuradora e a certos questionamentos. Reafirmei que, em nenhuma hipótese, e sob nenhum pretexto, pode haver ofensa à completa independência funcional dos membros do Ministério Público.

Questionei, ainda, que a mim não me parecia que os atos do Procurador Geral tinham o contorno de uma investigação sobre o juiz que coordenava a Força Tarefa e os Procuradores membros desta Força Tarefa. Me parecia, sem conhecer os detalhes, que era uma tratativa absolutamente republicana dentro do próprio Ministério Público.

No entanto, a cada dia esse grupo de Curitiba surpreende mais. Fazendo uma análise, neste momento, de todo o quadro, me parece que o Procurador Geral, Dr. Aras, errou. E afirmo isto depois de conversar com vários membros do Ministério Público. A grande maioria, esmagadora maioria, gente séria, dedicada, competente. Gente que não aceitaria o diálogo:

“Obrigado, Vlad, mas entendemos com a PF que neste caso não é conveniente passar algo pelo Executivo.”

Vladimir foi mais direto: “A questão não é de conveniência. É de legalidade, Delta. O tratado tem força de lei federal ordinária e atribui ao MJ a intermediação.”

Dentre outros trechos preocupantes do diálogo consta : “Nosso parceiro preferencial para monitorar pessoas tem sido o DHS, mas podemos trabalhar com o FBI também. Quanto antes tivermos os dados, melhor.”

Ou seja, o Procurador Geral errou ao não abrir uma investigação direta e definida. Voltemos ao bordão da Lavajato: “ninguém está acima da lei!”. A sociedade brasileira, o Poder Judiciário e especialmente o Ministério Público Federal merecem uma investigação séria e o esclarecimento cabal de tudo o ocorreu e ocorre no seio dessa Força Tarefa de Curitiba. Com a palavra o Dr Aras.

Kakay