A juíza do Tribunal de Londres, Vanessa Baraitser, negou a extradição do fundador do WikiLeaks, Julian Assange, aos EUA. Tudo indica que os advogados do lado norte-americano vão recorrer da decisão

Os advogados do lado norte-americano haviam deixado claro que, em caso de recusa de extradição, eles apelariam da decisão.

De acordo com os advogados de Assange, a apreciação do caso se estenderá por anos, podendo ser levado ao Supremo Tribunal britânico ou Tribunal Europeu de Direitos Humanos. Desta forma, o atual veredito seria apenas a primeira parte do processo.

Tribunal britânico alegou que Assange não pode ser extraditado devido aos riscos a vida e saúde dele.

“O último argumento da defesa está ligado à saúde de Assange, e após analisar sua saúde e as conclusões de psiquiatras […]. Considerei que as medidas administrativas especiais podem ser aplicadas contra ele nos EUA, envolvendo um sério isolamento. Isto pode afetar negativamente sua saúde psicológica”, afirmou Baraitser.

Para o Tribunal britânico, Assange, que sofre de diversas doenças mentais, pode ter uma recaída e ter pensamentos suicidas. Ela declarou que Assange sofre de um “transtorno depressivo recorrente”. Ele também sofre de autismo.

Acusação

Representantes norte-americanos confirmaram que recorrerão da decisão do Tribunal de Londres, que negou a extradição de Assange aos EUA.

Os promotores dizem que Assange ajudou o analista de defesa dos EUA, Chelsea Manning, a violar a Lei de Espionagem dos EUA, foi cúmplice de hackers por terceiros e publicou informações confidenciais que colocavam informantes em perigo.

Assange nega conspirar com Manning para quebrar uma senha criptografada em computadores dos EUA e diz que não há evidências de que a segurança foi comprometida.

A decisão sobre liberação de Assange ocorrerá na quarta-feira (6), segundo a juíza britânica.

Julian Assange foi preso em Londres em abril de 2019, depois de viver sete anos na embaixada equatoriana, onde se refugiou após violar as condições da sua liberdade condicional por receio de ser extraditado para os EUA.

Acusado de violar a Lei de Espionagem dos EUA, Julian Assange enfrenta possível sentença de prisão de 175 anos nos Estados Unidos, motivo pelo qual diversas personalidades, em defesa da liberdade de imprensa e de expressão, estão se mobilizando em apoio ao jornalista australiano.

Com informações do Sputnik News e DCM