Relatório mensal divulgado pelo Banco Central o crédito e juro no país aponta aumento de algumas taxas importantes, como o juro do cartão de crédito rotativo para pessoas físicas, mesmo com o declínio acentuado da taxa Selic, que são os juros básicos do país.

O jornalista Miguel do Rosário, do site O Cafezinho, analisou os números e chegou à conclusão que os bancos brasileiros são os principais responsáveis pelo endividamento das famílias. O cartão de crédito é a forma de pagamento mais usada pelo comércio eletrônico. Ele tem sido o carro-chefe das vendas em todo mundo.

Segundo o Banco Central do Brasil, os juros do cartão de crédito rotativo para pessoa física terminaram novembro perto de 320% ao ano. A título de comparação, o jornal Valor Econômico trouxe matéria revelando que , a taxa de juros do cartão de crédito nos Estados Unidos era de pouco mais  de 17% ao ano, ou seja, 300 vezes mais barato do que no Brasil. Dois candidatos democratas à presidência dos EUA – o senador Bernie Sanders e a deputada federal Alexandra Ocásio-Cortez, encaminham projetos determinando que a taxa máxima a ser cobrada não poderá ultrapassar os 15%.

No Brasil apenas o  cheque especial terá juros limitados. Conforme notícia publicada na Agência Brasil  a partir da próxima 2ª feira (6.jan.2019) os bancos não poderão cobrar taxas superiores a 8% ao mês, o equivalente a 151,8% ao ano.

A limitação dos juros do cheque especial foi decidida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN) no fim de novembro. Os juros do cheque especial encerraram novembro em 12,4% ao mês, o que equivale a 306,6% ao ano.

Para financiar em parte a queda dos juros do cheque especial, o CMN autorizou as instituições financeiras a cobrar, a partir de 1º de junho, tarifa de quem tem limite do cheque especial maior que R$ 500 por mês. Equivalente a 0,25% do limite que exceder R$ 500, a tarifa será descontada do valor devido em juros do cheque especial.

Cada cliente terá, a princípio, um limite pré-aprovado de R$ 500 por mês para o cheque especial sem pagar tarifa. Se o cliente pedir mais que esse limite, a tarifa incidirá sobre o valor excedente. O CMN determinou que os bancos comuniquem a cobrança ao cliente com 30 dias de antecedência.

No último dia 23, o Banco do Brasil anunciou que dispensará os clientes da tarifa em 2020. Segundo a instituição financeira, a isenção tem como objetivo fortalecer a relação com os clientes.

Já o mesmo cartão para empresas (pessoas jurídicas), considerando médias de 3 meses, também bateu recorde nos últimos meses, alcançando 204,51% em novembro.

Quanto aos juros do cheque especial, o gráfico mostra que, apesar da queda da Selic, ainda estamos muito longe dos níveis praticados até meados de 2015.

Conclusão: o Banco Central abaixou os juros básicos, mas as instituições financeiras continuam resistindo em repassar o declínio do custo do crédito para pessoas e empresas.

Os bancos estão aumentando o volume de crédito ofertado, mas aumentam também os juros.

 

Juros muito altos

Matéria publicada no jornal carioca Extra também mostra a disparidade entre as taxas de juros no Brasil em comparação com outros países do mundo.


Dívida que compromete a família

O diretor executivo do Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), Ricardo Vieira, considera incorreto mencionar uma taxa anual depois das novas regras estabelecidas pelo BC para o rotativo do cartão. Ele ainda acredita que a comparação entre o Brasil e outros países não é válida porque são realidades bem diferentes.

— Austrália, Peru e Venezuela não têm parcelamento pelo lojista, ou seja, sem juros. No Brasil, essa modalidade equivale a mais de 50% das compras — argumentou.

Embora os cartões de crédito de nações diferentes sejam produtos distintos, porque estão submetidos a impostos diversos e inseridos em realidades singulares, o diretor executivo de Estudos e Pesquisas da Associação Nacional dos Executivos de Finanças (Anefac), Miguel de Oliveira, ratifica que as taxas de juros no Brasil ainda são altas.

Ricardo Vieira defende que, apesar das taxas alcançarem 9,8% ao mês, elas são aplicáveis, e esse patamar se justifica por que os emissores assumem todo o risco da operação, enquanto a única despesa que o comércio tem, proveniente do cartão, é a taxa de credenciamento, que é menor que a de devolução. ]

Superendividado precisa de ajuda para ter boa renegociação

Cerca de 20,5% das famílias brasileiras têm mais da metade da renda comprometida por dívidas, de acordo com a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), divulgada pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) este mês. O levantamento da CNC ainda mostrou que o cartão de crédito representa o principal tipo de dívida para 77,7% dos entrevistados.

Em 2017, as famílias brasileiras gastaram R$1,36 trilhão em compras no cartão, sendo R$ 842,6 bilhões no crédito, segundo a Abecs e o BC.

A partir de momento em que há comprometimento de mais de 30% das receitas com dívidas, segundo o coordenador do Programa de Apoio ao Superendividado do Procon-SP, Diógenes Donizete, a pessoa já começa a ser considerada superendividada, pois o pagamento das contas compromete a manutenção de gastos essenciais, como alimentação, moradia e saúde.

— O superendividado fica emotivo, vulnerável e tende a aceitar propostas absurdas do credor, com juros abusivos. Por isso, é preciso procurar ajuda — alertou.

Em São Paulo, o Procon tem o Programa de Apoio ao Superendividado que analisa os gastos do devedor, residente na cidade, e encontra um valor de referência para negociação. Já no Rio de Janeiro, a Defensoria Pública tem um Núcleo de Defesa do Consumidor, que oferece aulas de educação financeira, organiza audiências de reconciliação e renegocia dívidas.

Fonte: Banco Central, O Cafezinho, Valor Econômico e Extra