Biden reconhece contribuições de negros, latinos, movimentos LGBTI  e a necessidade de novos rumos na economia.

Do Viomundo

Por Julian Rodrigues*, especial para o Viomundo

Muito significativo o primeiro discurso de Joe Biden como presidente.
Teve os clichês: a grandeza dos EUA, a parte da Bíblia e da família,  o habitual gesto aos adversários — ”governarei para todos”.

Mas, destaco alguns pontos:
1. citou enfaticamente o combate ao racismo estrutural e papel da população preta e latina;
2. mencionou a comunidade LGBTI (que foi vanguarda na campanha);
3. demarcou a questão da ciência e gastou um bom tempo abordando a covid;
4. citou não só Lincoln (clichê), mas também Roosevelt (salvo engano, única menção mais nítida sobre rumos econômicos);
5. enfatizou uma espécie de nova era, que será a volta a um período de “normalidade”, sem as extravagâncias extremistas de Trump;
6) falou de healthcare, embora não tenha sinalizado mais nitidamente rumos de fortalecimento da saúde pública.

Em síntese: um discurso muito bem construído e que dá algumas pistas do que pode ser um governo Biden.

A pré-campanha de Sanders deslocou Biden ligeiramente à esquerda, independentemente de seu histórico e das alianças com republicanos moderados.

Diferente de certas interpretações que já estão rolando na esquerda, a vitória do democrata foi fruto da grande mobilização da esquerda, do movimento negro, feminista, LGBTI, dos artistas, do movimento social.

O primeiro discurso de Biden como presidente refletiu alguns dos compromissos que assumiu com esses segmentos na campanha presidencial e que, agora, vão tensionar o seu governo.

*Julian Rodrigues, professor e jornalista, ativista de Direitos Humanos e LGBTI, mestre em ciências humanas e sociais

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