Jornalistas no Brasil, como Mônica Waldvogel (GloboNews), Mônica Bergamo e Nelson Sá (Folha), Reinaldo Azevedo (Band), Renato Rovai (Fórum) e da imprensa internacional (The Guardian e The Independent, Inglaterra), Le Monde (França) e HuffPost (EUA) condenaram o ministro da Justiça Sérgio Moro, que teria pedido informações sobre movimentações financeiras do jornalista Gleen Greenwald no Coaf ( Conselho de Controle de Atividades Financeiras) e estaria em vias de deflagrar uma operação da Polícia Federal contra o The Intercept.

 

A informação de que o ministro Sérgio Moro está iniciando uma operação contra o The Intercept foi publicada pelo site Antagonista, que um dos veículos de mídia que mais tem dado apoio a Operação Lava Jato. Ex-deputado federal e ex-presidente da OAB-RJ, Wadih Damous comentou no twitter, que agindo assim, Moro estará cometendo ato de improbidade administrativa:

“A Polícia Federal pediu ao Coaf um relatório das atividades financeiras de Glenn Greenwald.
A informação é do porta voz oficial da organização Lava Jato, O Antagonista. Se isso for verdade, vai se configurar ato de improbidade da autoridade que determinar a medida”, frisa.

Na sua conta no twitter, Mônica Bergamo fuzilou:

“Moro diz que é grande defensor da liberdade de imprensa. A PF, sob Moro, pediu hoje ao Coaf as movimentações financeiras de @ggreenwald Glenn Greenwald, fundador do site que revelou as mensagens que constrangem Moro”.

 

Seu colega,  o colunista Nelson de Sá, registrou na Folha de S.Paulo  que Sergio Moro segue acumulando cobertura negativa no exterior. O francês Le Monde descreveu “o agora ministro do presidente de extrema direita” como “herói caído da anticorrupção” em título, depois das mensagens reveladas pelo jornalista Glenn Greenwald, do site The Intercept. O britânico The Independent, citando a ascensão de Jair Bolsonaro como “legado” da Lava Jato, publicou: “E foi Moro, uma figura partidária de direita com ilusões messiânicas, disposta a acabar com o Estado de Direito em busca de seus objetivos, que desempenhou o papel principal de colocá-lo lá”.

Também pelo twitter, Mônica Waldvogel, da GloboNews, enfatizou que o ex-juiz federal comete crime de abuso de autoridade ao colocar a Polícia Federal na “cola” de Glenn Greenwald, jornalista responsável pelo site que deu luz ao comportamento de Moro enquanto juiz.

“Não aprovaram um dispositivo de abuso de autoridade?”, questionou Waldvogel ao compartilhar uma notícia sobre uma suposta investigação da vida financeira de Greenwald que a PF estaria encampando.

Reação

Ao Brasil 247, o  jornalista Glenn Greenwald, editor do site The Intercept, reagiu à notícia de que a Polícia Federal pediu ao Coaf um relatório de suas movimentações financeiras; “Grupos de liberdade de imprensa em todo o mundo terão muito a dizer sobre isso. Enquanto você usa táticas tirânicas, eu continuarei reportando junto com muitos outros jornalistas de muitos outros jornais e revistas”, respondeu, acusando o ministro ainda de “abuso de poder”.

Imprensa internacional condena Moro

Matéria feita pelo Diário do Centro do Mundo aponta as reações à tentativa de censura à imprensa pelo ministrod a Justiça, Sérgio Moro. De acordo com a publicação, o site americano HuffPost, destacando que Moro agora “encara seu próprio escândalo”, fechou extensa reportagem com a avaliação de que “poderia ser um roteiro de Hollywood sobre os perigos do excesso de ambição e de vaidade”. Ao longo da terça-feira, com o ministro evitando confirmar ou negar que a Polícia Federal —que ele controla— está investigando Greenwald, as reações em mídia social foram de choque. Por exemplo, do correspondente do britânico The Guardian na América Latina: “Assustador”.

No fim do dia, a organização Freedom of the Press Foundation soltou nota, dizendo que o cerco do ministro “não é apenas um ataque ultrajante à liberdade de imprensa, mas um grosseiro abuso de poder”. E, em nota conjunta, a Comissão Interamericana de Direitos Humanos e o Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos se pronunciaram contra as “ameaças, desqualificações e intimidações” ao jornalista, completa a Folha. (Com informações da Folha, Brasil 247 e Diário do Centro do Mundo).

Eliane Brum, que escreve para o El País, publicou dura crítica a Moro em sua conta no Facebook:

“Se for confirmado que a Polícia Federal, subordinada a Sergio Moro, pediu ao Coaf um relatório das atividades financeiras de Glenn Greenwald, jornalista que denunciou a parcialidade de Moro na #VazaJato, é um dos maiores ataques à liberdade de imprensa já feitos. E um total, inacreditável abuso de poder.
Se for confirmado que Sergio Moro está tentando intimidar um jornalista que investiga sua atuação como juiz, que é exatamente o que um jornalista deve fazer a serviço do público, e que para isso Moro está usando a máquina do Estado, é um escândalo só visto nos governos mais autoritários do mundo.
Se for confirmado, Sergio Moro, aquele que se comporta como um deus – “eu ouço, eu vejo”- desgarrou-se dos últimos resquícios de dignidade, intoxicou-se pelo poder e perdeu a si mesmo.
Infelizmente, pode arrastar com ele a parte séria – e necessária – do trabalho da Operação Lava Jato.
Moro é o maior inimigo da Lava Jato. Seguido pela cumplicidade de uma parcela dos procuradores, assim como pela omissão de outra parcela dos procuradores. Pena que um pedaço do Brasil é cego demais para enxergar que só pode fazer cumprir a lei quem age dentro da lei”.

Moro, que usou dos vazamentos ilegais como principal arma para aprisionar suspeitos da Lava Jato, agora prova do próprio veneno com a Vaza Jato. O ex-juiz que disse que a imprensa era fundamental para 0 sucesso da operação agora apela para a censura a esta mesma imprensa, quando as denúncias sobre seus atos anti-éticos começam a subir ao seu pescoço, ameaçando afogá-lo no seu discurso falso moralista.