Os políticos ocidentais se viraram contra o denunciante do WikiLeaks depois que ele se recusou a fazer parte de seu “clube conivente”, razão pela qual foi julgado, opina jornalista australiano.

Julian Assange revelou “demasiadas verdades” sobre a hipocrisia ocidental, foi por isso que instauraram um processo de extradição contra ele como “vingança”, afirmou John Pilger, jornalista, cineasta e apoiador australiano do trabalho do fundador do WikiLeaks, em entrevista à emissora RT.

Pilger diz que o WikiLeaks revelou demasiada informação que contradiz a narrativa do Ocidente de que seus políticos são geralmente honestos e mantidos sob controle por uma mídia independente.

“Ele fez com que aqueles que cometeram esses crimes de guerra, ele os obrigou a se olharem no espelho […] Esse é seu crime imperdoável”, apontou o defensor de direitos humanos.

Assim, o denunciante foi fortemente maltratado pela Justiça britânica, antes do julgamento em setembro no Tribunal Criminal Central, o histórico Old Bailey de Londres, e durante o mesmo, recebendo uma sentença sem precedentes por violar as condições de sua libertação provisória, sendo fechado em uma prisão de segurança máxima com terroristas e criminosos violentos, impedido de comunicar com sua equipe de defesa de forma razoável, e enfrentando muitas outras injustiças, diz o jornalista.

“A maneira como eles se voltaram contra sua fonte porque ele não faria parte de seu clube conivente tem sido uma vergonha. Eles sabem que tem sido uma vergonha”, declarou Pilger.

Se Assange for extraditado para os EUA, onde pode enfrentar uma pena de prisão máxima de 175 anos, isso criará um precedente perigoso, adverte John Pilger, pois significará que Washington pode alcançar qualquer pessoa em qualquer país que se atreva a publicar algo que não seja do agrado de Washington.

Apesar disso, indica, a mídia ocidental tem ignorado o processo, incluindo os que decidiram relatar os procedimentos.

“Não houve um processo justo neste tribunal. Houve vingança“, resumiu o jornalista.